quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

FELIZ 2009

Saúde, luz, paz e amor a toda humanidade

Anônimos Leandrius Edson Leila Itaan Toinho Raimari Luiz Marina Fábio Silvana Braga Nena Gean Letícia Carlos Débora Carla Jorge Vera Terri Marcelo Macedo Meirelles Tahska Simony Binho Lhé Tião Perpétua Edvaldo Braña Thiago Luciana Camila Alceu Tiago Cleusa Pedro Anselmo Kleberson Badaró Alexandre Dudé Badate Carioca Myris Oli Cleudo Resende Fátima Cristina Hermington Diogo Margrit Mara Leni Cláudio Bob Raphael Thaís Marcela Diego Zezé Nanda Elson Edegard Marcos João Paulo Yorranna Jurandir Fernanda Dora Zeca Eden Dulce Mathews Sofia Iane Egberto Maria Peregrina Samuel Washington Iara Cosme Jael Beto Demóstenes Erinete Allinny Elson Walescka Dan Kátia Luciano Vaz Sérgio Gleilson Moisés Walmir Selma Sandra Osmar Aleta Daniela Cosmo Palloma Aretusa Nilton Célia Glória Brendha Marly Chico Murilo Aníbal Neto Ângelo Cármen Raquel Kamila Kemis Luis Wálter Genivaldo Heleno Angelim Laura Paulo Henrique Zuenir Edilson Tatiana Juarez Larissa Sanderson Adriana Sara Maurício Élder Sílvio Marcão Carol Márcia Assem Aline Magali Talitha Adaildo Dora Ivone Donato Sílvia Aquinei Bianca Rozana Branco Augusto Caio Celso César Danilo Davi Wolvenar Murilo Bruxinha Gregório Elenira Ilzamar Dely Elaíze Bethânia Fabiana Roney Ermício Fernando Décio Marilza Flávia Gesileu Jacira Jéssica Telma Guerreiro Juliana Silene Vítor Katiana Alessandra Tadeu Lígia Renatta Lucas Valério Liege Léo Carmela Venícius Mariah Mariane Mary Maísa Nadja Orlando Paula Hércules Válber Cazuza Rejane Robson Renata Rodrigo Nathércia Beneilton André Smeraldi Amy Rose Safira Salena Tancremildo Walquíria Verônica Jaqueline Sandra Virgínia Luana... E a todos os demissionários da Prefeitura de Rio Branco, do Governo do Acre e do Tribunal de Justiça.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

ACIMA DO CHÃO, JÁ É CÉU

Juarez Nogueira

Quando chega o fim de ano fico tentado a fazer um balanço de alegrias catalogadas. A vida que poderia ter sido e não foi em meio às bóias e salvaguardas para tantas contravenções cotidianas: no trânsito, na escola, na família, na cama, no chuveiro.

Chega o fim de ano e fico tentado a dar um basta na temerária mesquinhez que vai escalonando as relações inter, multipessoais, sob interesses disfarçados de candura e gentilezas automatizadas com tantos ‘muito obrigado', ‘por favor', 'pois não?'.

Chega o fim de ano e tendo a contar o tempo oracular das insatisfações, dos não ditos e não feitos, dos defeitos inespeciais, espectros atalaias da morte diária e da morte eterna, essa, o grande maior medo dos homens de boa vontade e de má também.

Chega o fim de ano e não quero pássaros na gaiola, nunca os quis aliás, nem gaiolas nem pássaros, senão o vôo, nem votos de felicidade a prosperar nas mensagens ensaiadas, repetidas e guisadas pela farsa sobrevivente da vitória que não foi desta ou doutra vez ainda.

Chega o fim do ano e dispenso brindes, convites, insinuações, ameaças, propostas e sugestões de esperanças blindadas pelo condão de novidade do novo tempo anunciado, apesar dos perigos, apesar dos pesares, apesar de tudo.

Chega o fim do ano e reconheço insuficiente minha secular devoção e a carência de apetite e aptidões para fazer malabarismos e perder uma noite de sono, mais uma, vendo espocar os fogos de artifício da contagem regressiva para, para que mesmo?

Chega o fim de ano e imagino essas duas palavras, fim e ano, anodizadas pelo contínuo da vida sem o pregão das horas, das datas, das agendas, da pressa aliada aos contratempos e contrafazeres, do cafezinho tomado em pé junto ao balcão de negócios da sobrevivência mercante.

Quando chega o ano novo, chega. Mais um pedaço de fim emendado na vida precedida da morte, dádiva e danação, com seu brevê e seu passaporte, suas anuências reverberando alheias ao meu sim ou não, em praga e pão, sina e sorte, inimigo e irmão, a inopinada, clarividente certeza de que, acima do chão, já é céu.

O escritor mineiro Juarez Nogueira é colaborador do blog, autor do "Manual de Sobrevivência na Redação" e "O Menino Alquimista".

BOA SORTE, OLI DUARTE


Muito acertada a decisão do prefeito Raimundo Angelim (PT) de convidar o jornalista Oli Duarte para o cargo de seu assessor de imprensa.

Embora eu seja suspeito, não tenho a menor dúvida de que a assessoria de imprensa da Prefeitura de Rio Branco passará a existir de fato e que a imprensa não ficará a ver navios quando buscar interlocutores na equipe de Raimundo Angelim.


Conheço o gaúcho Oli Duarte desde 1991, ano em que aportou no Acre como aguerrido militante do PT e era infinitamente mais magro do que é hoje. Posteriormente, assessorou Marina Silva como deputada estadual e no primeiro mandato de senadora, além do ex-governador Jorge Viana durante seis anos.

Faço questão de assinalar que o gaúcho nasceu em São Luiz Gonzaga e não em Pelotas, ao contrário do que apregoa a maledicência de seus poucos desafetos.

Com a colaboração de Oli Duarte e outros, fizemos jornais de uma tiragem só nos recentes anos de chumbo no Acre.
Mas foi em Brasília, onde dividimos um apartamento na Asa Sul, em 1997, que pude constatar o quanto ele é generoso, compromissado e leal.

Ao Oli, Felipe e Karol, votos de feliz ano novo.

CAUSA PALESTINA


Abrahim Farhat, fundador do PT no Acre e da assessoria do senador petista Tião Viana, telefona para protestar contra o maior ataque aéreo já lançado por Israel contra alvos palestinos durante operação militar na faixa de Gaza:

- O palestino é meu amigo; mexeu com ele, mexeu comigo.

MAIS UM DIA

Antonio Alves

Decidi dar por encerrado o ano e começar logo outro. Aqui, no íntimo, os dias já mudaram. Terão mudado, talvez, nas boas horas que passei na Terra, curando as bicheiras do Rapaz -aquele cachorro vadio- e olhando o açude encher depois de cada chuva. Já disseram que sou lento, talvez dê certo começar antes.

Também decidi não me preocupar. Um sonho me avisou. Passei muito tempo com medo de não ser suficientemente engraçadinho e diplomático, preocupado em não ferir as susceptibilidades de alguém. Bom, às vezes posso não estar inspirado e dizer palavras inadequadas, mas o importante é que sejam sinceras e o resto se ajeita. De minha parte, também tenho engolido muito sapo e até agora nem morri por isso.

E já não ligo se trezentos me amam e quatrocentos me odeiam, e nem uns nem outros pensam por um minuto no que digo. Resolvi não sofrer, só isso. Palavra é semente que o vento leva e ninguém sabe onde vai brotar. Muito aprendo com as samaúmas.

De todo modo, não é bom a gente ficar se oferecendo. O melhor mesmo é ir passando, cumprimentando a todo mundo com um toque na aba, parando e tirando o chapéu quando encontra padre ou moça bonita. A vida é uma estrada, dizem, e ninguém sabe o que tem lá na frente. Tem gente que se convida ou fica reclamando por não ser convidado. Mas a mim, quem me merece? Eu mereço a estrada e tenho perna é pra andar.

Não gosto de muita festa, mas também não sou de chorar desgraça. A essa altura da vida, já conheço minhas manias e mantenho algumas preferências. Não troco aquele livro velho, lido e relido e trelido, por certas novidades muito apresentadas e de pouco proveito. Não uso enfeite -nem corrente, nem anel- e o melhor relógio é o tempo. Gosto do tabaco preto, não muito velho e ainda molhento, o café forte e amargo, mas tomo de qualquer jeito. O que me dá gastura e desimpaciência é ver gente falando da vida alheia, não é bom pra minha saúde e procuro sair de perto. Tem gente que fala mal até de si mesmo, é uma doença triste.

Os tempos são difíceis, mas são os que temos. Vez em quando tenho que pegar o pau pra me defender ou a algum inocente, mas não saio correndo atrás. Passa um ano, depois outro, a lança vai virando bastão e vou ficando mais retirado até que um dia só me vê quem procura. Mas demora, não é pra esse ano ainda não. Esse que, aliás, tou começando mais cedo porque tenho muita coisa pra fazer.

Estou por aqui.

O poeta e cronista Antonio Alves escreve no blog O Espírito da Coisa.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

MONTEIRO AFASTA-SE DA SEGURANÇA

Em carta, Antônio Monteiro Neto se despede da Secretaria de Segurança Pública do Acre:

"Rio Branco, 29 de dezembro de 2008

Amigos e amigas da área de segurança pública,


Quero através desta informá-los da minha decisão de afastar-me do cargo de Secretário de Estado de Segurança. Esta decisão tem por motivação questões de ordem pessoal e de saúde familiar.

Agradeço-lhes pela forma amiga e respeitosa com a qual me acolheram nestes anos de convivência. Considero que todos estes anos foram fundamentais para a consolidação de uma política de segurança cidadã, fruto da decisão do Governador Binho Marques de eleger a segurança como um dos eixos estratégicos de seu governo, dando seqüência ao trabalho de reestruturação que o ex-governador Jorge Viana fez nesta área.

Levo comigo um profundo respeito e admiração pelo trabalho desenvolvido por todos. Tenho a certeza que muito precisa ser feito para melhorar a segurança do nosso Estado, mas sei que tivemos avanços significativos na gestão do sistema, como por exemplo: Contratação de Gestores, Policiais Civis, Bombeiros, Concursos para Delegados, Escrivães, Peritos e Policiais Militares, Agentes Penitenciários, a regionalização e compatibilização das áreas de atuação das polícias, valorização dos profissionais de segurança publica (elevação do piso, bolsa formação, Centro Integrado de Ensino e Pesquisa em Segurança Publica), autonomia da Polícia Civil, criação do IAPEN, aquisição de um helicóptero, inclusão do Estado no PRONASCI e os inúmeros avanços que aconteceram nestes dois últimos anos.

Gostaria de externar a todos o meu agradecimento pelos momentos de aprendizado e apoio recebido nestes anos de convivência. Desejo que estes próximos anos sejam de consolidação e sucesso nos projetos de governo, em especial os da segurança pública.

Feliz 2009 e um grande abraço,

Atenciosamente

Antonio Monteiro Neto"

ACREANO VIRA ACRIANO

Mudança na virada de ano

Não pense que seja uma daquelas mudanças que tanto seduzem políticos acreanos, êpa!, acrianos. Está no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2009, quando trata do uso das vogais átonas: "O emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em sílaba átona, regula-se fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da história das palavras".

São estabelecidas variadíssimas grafias, como a seguir:



"Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formação vernácula -iano e -iense, os quais são o resultado da combinação dos sufixos -ano e -ense com um i de origem analógica (baseado em palavras onde -ano e -ense estão precedidos de i pertencente ao tema: horaciano, italiano, duriense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), camoniano, goisiano (relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), sofocliano, torriano, torriense [de Torre(s)]".

- Não direi que sou nem admitirei ser tratado como "acriano". A língua portuguesa é minha. Eu faço dela o que bem entender. Para escrever errado, basta o que já sei. A lei desse Acordo é mais uma que não vai pegar - afirma o jornalista Antonio Alves.

Clique aqui
para baixar o
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O acordo é manchete do jornal Página 20, mas o repórter não menciona a mudança relativa ao Acre. Logo, presume-se, foi censurado ou não leu o documento.

O ASSESSOR DO SENADOR

Domingo, 22 horas. No centro histórico de Rio Branco, o Calçadão da Gameleira ainda está lotado de famílias de bem.

Bêbado, o assessor do senador irrita-se com o motorista que segue lento à frente dele. E começa aquele tradicional bate-boca no meio da rua.

- Você sabe com quem está falando? - indaga o assessor do senador, sendo afastado por um empurrão de duas mãos no peito.

Com dificuldade para se manter em pé, o assessor do senador não desiste. Quer mostrar que é poderoso, que o senador é quem manda:

- Você vai ver o que acontecerá. Vou ligar agora para o senador - insiste, enquanto saca o celular.

O anônimo cidadão perde o controle. De modo impiedoso, lança o assessor do senador ao chão. Ele consegue se levantar com dificuldade, avança, mas volta a beijar o asfato.

- Vai pra casa, asssessor! - grita alguém na platéia.

Cambaleante, o assessor do senador abre a porta do carro. Tenta bater em retirada, mas é contido pelo desafeto. E permaneceu imobilizado até a chegada da polícia.

O assessor do senador costuma apanhar nos fins de semana por causa do excesso de álcool e arrogância.

A AMAZÔNIA DERROTA A IMPRENSA

Do jornalista Maurício Tuffani:

"Salve, grande Altino.

Tudo bem por aí, na Amazônia Ocidental?

Mencionei seu valioso blog no texto
"Números da Amazônia derrotaram a imprensa em 2008", que acabo de perpetrar em meu blog Laudas Críticas.

Acompanho seus textos via RSS. Parabéns pelo trabalho. São jornalistas como você e Lúcio Flávio Pinto que me permitem ter uma visão da Amazônia livre deste enganador enfoque Rio-São Paulo.

Meus votos para um ótimo 2009".

Tuffani, especializado em ciência e meio ambiente, mora em São Paulo. No artigo, afirma: "Ofuscada por estatísticas mensais da degradação florestal, a cobertura jornalística mal se deu conta da área total desmatada de 706,9 mil quilômetros quadrados, que já equivale a quase metade (45,1%) do Estado do Amazonas e corresponde a pouquíssimo menos que as superfícies terrestres da França, da Holanda e da Bélgica somadas." E conclui citando este modesto blog entre "algumas iniciativas de bom jornalismo na internet" na região. Partindo do experiente Tuffani, é uma menção honrosa. Clique aqui e leia.

domingo, 28 de dezembro de 2008

POST DE UM FRACASSADO

Aldo Nascimento

Primeiro, ouvi o que o jornalista Antônio Alves expressou quando recebeu o Prêmio Chico Mendes. Depois, com muita atenção, li o texto. Em blog e em jornal, propagou-se a idéia de que Antônio Alves é uma voz crítica dentro do poder, até Altino Machado concordou com isso.

Se fosse voz crítica, o bom Toinho Alves não estaria no poder. Como permanecer nele se sua fala se opõe à pensão vitalícia dos governadores? Como permanecer nele se sua fala propaga que não houve revolução na educação acreana? Sobre pensão e pseudo-revolução, silêncio.

Quando digo voz crítica, refiro-me a uma voz que emite rupturas. No poder, com seus amigos, Toinho não promove rupturas, mas se conserva no poder para pagar a conta de luz, as compras do mês, o crediário, para receber prêmios - coisa de que não gosta, disse certa vez.

Quando os senhores falarem de voz crítica, por favor, citem Frei Beto, por exemplo. Ele saiu do poder e revelou em livros o que blogs e jornais não publicam.

Neste pequeno mundo chamado blog, deixo aos teus olhos meu último artigo deste ano. Queria muito, minha mãe, que a senhora o lesse para comentá-lo, porque a senhora é a única que acessa minhas vãs palavras. Meu sonho desde criança, a senhora sabe, era ser um Altino Machado para não ser acessado só pela senhora. Paciência, sou um fracassado.

Leia no blog Língua, de Aldo Nascimento, "Do gado da reserva extrativista ao gado do rodeio". Além de blogueiro, Aldo Nascimento é revisor da Tribuna e professor de português na rede pública estadual. Meu comentário: cada um faz o que pode para pagar as contas.

GUARDAR O MUNDO EM SI

José Augusto Fontes

Há pessoas que dedicam a existência a uma causa, a um modo de vida, a um projeto - coisas que abraçam e não largam mais – como se tudo ao redor sejam detalhes ou adjacências da estrada única e do seguir invariável. Desde cedo, têm um fim definido. Essas pessoas me atraem principalmente porque, ao contrário de mim, dão passos contínuos no mesmo caminho, amam uma opção imutável e se entregam totalmente à escolha. São pessoas fiéis a um amor, são de eterna e exclusiva paixão. Eleito o rumo, tudo no percurso vai sendo colhido para enfeitar o destino perene.


Destino perene? Quem ama uma ciência, como a jurídica, ou uma profissão, como o jornalismo, vive querendo enobrecê-la, dela se nutre e para ela se dá. Quem se mete a comentar essas paixões, pode até dizer que há uma simbiose, mas a ciência não ama nem sente, a ciência se diz racional e objetiva. A profissão seria, mais a mais, dita como um meio de ganhar a vida. Será? Quem ama uma ou outra não pensa assim. E é disso que nasce minha atração pelos de querer único, pelos dedicados de toda a vida. Dedicados? Um artesão da palavra ou da música, um jurista ou um jornalista, quem ama a letra enfeitada ou a sonora, a letra positivada ou a letra informativa - e nisso adota um apego, um casamento - impressiona mesmo pela entrega, pelo amor à causa. E quando há também o talento, minhas pequenas palavras calam... Aí, essas pessoas cativam e o seu fazer atrai agrados, ciúmes.

A atração nasce dos opostos? Devo muitas penitências aos bem-resolvidos. Apego-me a quase tudo. Ajo desordenadamente e sem amor único (apesar da exceção da regra). Vivo procurando novas paixões. A cada nova, digo-a eterna, aqui e ali, com a maior ênfase possível (a ânsia de conquistar e de agradar a si mesmo apega-se à mentira e perde o senso da razão, que já era mesmo muito tênue), e até com desfaçatez. A renovação de minhas incertezas ainda não me permitiu ser fiel como os dedicados, mas eu gostaria, se pudesse, se tentasse.

Os fiéis a uma causa única são quase imortais, em se considerando que há mortais dentre os apaixonados. Os demais são o oposto e o avesso, se aventuram por gostos, pessoas, lugares e coisas diferentes, por matizes variados em traçados já sólidos, pensados, articulados. Por isso, as pessoas de paixões eternas me atraem, e eu quisera ser sincero como elas, mas só prometo pensar em tentar, caso o tempo me dê ainda muitas voltas.

Para imitar a sinceridade, devo dizer que o mote deste texto foi encontrar um velho jurista, um sábio professor, formado há quase cinqüenta anos, e ainda expondo saberes e experiências com forte emoção e invejável disposição. Encontrei-o numa dessas festas de fim de ano, dias atrás. Com talento e lucidez, ele discorreu sobre vários temas, lembrou de sua formatura, quase completando meio século, e expressou várias alegrias. Senti a realização dele. Como eu há muito tinha vontade, revelei a ele meu desejo de ter sido seu aluno, o que não foi possível porque ele fazia, na ocasião, uma pós-graduação. Presenteei-o com um livro meu, fiz uma dedicatória tímida, mas de indisfarçável carinho. Sob o peso da idade da entrega, vi-o ir algum tempo depois. Mais tarde, antes de dormir, refleti sobre o que significaria aquela devoção para ele, e para tantos outros que entregam a vida toda a uma paixão bem definida.

Artesão da palavra, dentre veredas que passam das margens, é o Guimarães Rosa, que a gente percorre e não cansa. Jornalista, lembrei logo do nosso Zé Leite, arguto e tupiniquim incomparável, criador do taxista que poderia dar caronas para a prostituta apaixonada. Sobre o jurista, me faltou dizer para aquele velho professor que, apesar de não ter sido seu aluno, o considero um grande mestre. E que paixões eternas também me deixam emocionado, a ponto de não querer botar ponto final nas palavras. O mestre a que me refiro é o professor Jorge Araken, um apaixonado de eloquente sapiência.

Ao acordar, eu continuava impressionado com a capacidade dessas pessoas para se dedicar e para ser fiéis. Um amor como o do Gepeto, que deu luz ao Pinóquio. Esses amores me atiçavam um sentimento, dois, várias inquietações. E a vontade de, ao menos, poder dizer que esse viver é muito bonito. Escorre como o látex, mas é sólido como a borracha. Pensei e pensei. O ser bem-resolvido com a vida é realmente invejável. O ser indefinido e mutante é comum e não tem respostas, como eu. Nem tem causa, é cheio de perguntas íntimas. Tem o coração vagabundo de que fala Caetano. Às vezes, o coração leviano descrito por Paulinho da Viola, e quer guardar o mundo em si.

José Augusto Fontes é poeta, cronista e juiz de direito

"PARECE QUE FOI ONTEM"

Leia o artigo de Jorge Viana, ex-prefeito de Rio Branco e ex-governador do Acre, publicado hoje no Globo, sobre os 20 anos do assassinato de Chico Mendes. Está piegas. Viana conclui que a morte do seringueiro "parece que foi ontem". Prefere enxergar o aparente do aparente, sem qualquer crítica, porque a política subtrai a indepedência ou isenção dele para tanto. Sem sofisma: já se passaram 20 anos. É muito tempo, sim. Desses 20 anos, 10 com o Acre governado pelos companheiros petistas de Chico Mendes. Mais um motivo para se considerar a reflexão crítica (veja) de Antonio Alves. Segue o artigo:

Mataram Chico Mendes! Parece que foi ontem

Jorge Viana

Passei o 22 de dezembro último em Xapuri, onde participei da caminhada e da missa em memória dos 20 anos sem Chico Mendes. Tenho sempre a sensação de que a morte do Chico aconteceu ainda há pouco. Parece que foi ontem que recebi aquela notícia perturbadora. Até hoje, tenho dificuldade de entender se isso ocorre pela saudade de um amigo querido ou pela atualidade de seu legado.


Ele não só despertou a atenção do mundo para a Amazônia, como inovou o debate ambiental introduzindo um elemento absolutamente novo nessa questão: os povos da floresta. Foi ele quem fez germinar o conceito do socioambientalismo.

Nos anos 70 e 80, os governos vendiam a Amazônia como “uma terra sem homens para homens sem terra”. Uma dupla maldade. Famílias eram despachadas para a Amazônia apenas para aliviar tensões rurais e urbanas no Sul e Sudeste, sem qualquer política pública que lhes garantisse um futuro. E a “terra sem homens”, além de ocupada por uma população tradicional, não era simplesmente uma terra, porque sobre ela repousava um dos mais valiosos patrimônios da humanidade: a maior floresta tropical do planeta.

O Chico foi o primeiro a fundamentar a defesa da floresta na defesa dos povos da floresta. Aí surgiu o conceito de reserva extrativista. Era algo inovador, “um jeito novo de caminhar”, como escreveu o poeta Thiago de Melo. Ele abriu a possibilidade de mais qualidade de vida na floresta, sem desmatar para “abrir novos caminhos”.

Às vezes, eu mesmo não entendia quando o via gastando horas com técnicos, jornalistas, dirigentes sindicais ou de ONGs, pessoas de toda parte do mundo, para mostrar coisas tão simples da floresta, como uma pequena planta rasteira ou uma majestosa castanheira. Ele dissertava sobre a beleza, mas também sobre o valor da floresta em pé, as possibilidades econômicas e sociais que a exploração sustentável abriria para todos.

No começo dos anos 80, muita gente boa ainda desconfiava da ecologia. O Chico defendia idéias até então estranhas no mundo sindical. Ele mostrou que, assim como não adiantava trabalho sem casa, não daria para viver muito tempo com casa sem ambiente. Revelou uma massa de trabalhadores da floresta que tinham árvores e igarapés como linha de montagem. A CUT acabou aceitando o discurso socioambiental do líder seringueiro e aprovou a proposta de reforma agrária diferenciada para a Amazônia.

Hoje, quando o mundo tem como grande desafio o enfrentamento das mudanças climáticas, suas idéias de um ambientalismo social dão ao Brasil uma importante vantagem comparativa no concerto das nações. Tanto maior, quanto mais a sustentabilidade se impõe como condição para o desenvolvimento.

O presidente Lula, que conviveu muito de perto com o Chico, se mantém atento ao legado do companheiro, colocando suas idéias no Ministério do Meio Ambiente que foi ocupado por quase seis anos por uma discípula do Chico, Marina Silva. Ela criou o Instituto Chico Mendes, o Serviço Florestal Brasileiro, e ampliou em muitas vezes o número de reservas e áreas de conservação. Marina formulou, implementou e cuidou das políticas ambientais, ganhou respeito e conquistou aliados dentro e fora do Brasil. Atualmente, Carlos Minc, também amigo de primeira hora do Chico, está levando adiante essas políticas visando a diminuição do desmatamento, preços mínimos para produtos florestais, manejo florestal comunitário e apresentação de metas para a redução das emissões a partir das queimadas.

No entanto, ainda tem muito a ser feito pela floresta e pelos povos da floresta. O legado do Chico Mendes precisa estar ainda mais presente na vida das pessoas, nas empresas, na sociedade e no próprio governo.

Agora, voltando a pensar se a presença do Chico vem mais pela saudade ou pela atualidade do seu legado, agradeço a Deus o privilégio de ter convivido com essa pessoa tão extraordinária, mesmo na fase mais delicada da sua vida - seus últimos anos, seus últimos dias.

Vinte anos depois, o que mais lamento é não ter o Chico para celebrar com a gente as coisas boas que vieram como fruto de suas idéias e seus ensinamentos. Ele, que foi premiado na ONU, sabia reconhecer e festejar mesmo as conquistas mais singelas.

Lembro-me do nosso último encontro em Rio Branco. Ele vinha do Rio de Janeiro. Pedi para ele ficar aqui. Não adiantou. Tudo o que ele queria era passar o Natal em casa com a sua família e seus amigos. Daí falei que ele poderia ir com o novo caminhão adquirido pela cooperativa com dinheiro do BNDES, um velho sonho do movimento. O rosto do Chico se iluminou e ele ficou mais um dia em Rio Branco. Foi para Xapuri, encheu o caminhão de crianças e rodou a cidade inteira, soltando foguetes e festejando.

O dia seguinte foi 22 de dezembro de 1988. Parece que foi ontem.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ZÉ CHILENO



"Altino:

Muito prazer bater papo com vocês.


Transmita meus cumprimentos para Marina Silva, Binho Marques, Antonio Alves e a todos os companheiros de Chico Mendes - a esposa e filhos dele, e a todo esse povo da floresta, que por circunstâncias próprias do "espírito da coisa", está em alta moral revolucionária a cumprir.

Penso que, por circunstâncias subjetivas que nos exige o presente, somos chamados a agir, pondo-nos necessariamente no lugar que a história nos reservou, conscientes de nossos princípios humanistas.

Fazemos parte dessa transição para construir uma nova ordem internacional, em unidade com todos os outros povos da América índia. Tal como foi concebido por Chico Mendes, se houver uma condição equânime da preservação da vida no nosso Planeta

Espero que muito em breve eu possa me fazer mais visível no Acre. Faço parte da tribo invisível, que luta por por um mundo melhor, que acredita que é necessário pôr termo à propriedade privada e exploração do homem pelo homem e construir uma sociedade melhor.

Reservas extrativistas ou morte!

Vida justa no Planeta ou morte!"

A web deixa o mundo cada dia menor. No começo dos anos 1980, Marina Silva, Binho Marques, Antonio Alves e tantos outros, entre os quais me incluo, estávamos envolvidos com o Teatro Horta, em Rio Branco. Foi quando apareceu no Acre José Donoso Rosa, que fugia da ditadura militar no Chile. Homem inteligente, engenhoso, metódico e criativo. Convivemos naquele teatro até quando a Polícia Federal empreendeu uma caçada na cidade para prendê-lo e deportá-lo. Durante mais de um mês tivemos que improvisar vários esconderijos, quando finalmente conseguimos, com ajuda da Anistia Internacional, transferí-lo para Paris com Dília, sua companheira acreana. Pelo visto, "Zé Chileno" continua leal aos seus princípios marxistas. O desenho que ilustra essse post é de autoria do artista Branco Medeiros, outro que fazia parte do Teatro Horta, e vive atualmente em Belém (PA). Estava no baú do Fernando França. Bem, há três anos Branco deixou neste blog o seguinte comentário no dia do meu aniversário: "Parabéns, mano velho... Dia desses tava olhando os muros daqui, dessa Belém Velha, e lembrei daquele sufoco que passamos nos idos de 81, na véspera daquele Dia Nacional de Luta, quando a PF nos flagrou em plena atividade pré-blog, registrando nossas mazelas nos muros alheios. Mal sabiam eles que os sprays eram até mais "perigosos" do que nós dois juntos (já que eles tinham pertencido ao José Donoso)". Branco e eu fomos detidos, levamos uns tabefes dos policiais e acabamos fichados na PF como subversivos. Ainda somos.

CHORO BANDIDO

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL



Confesso ter ficado irritado quando ele me despertou nesta manhã ainda parcialmente escura. Mas logo veio a idéia do vídeo como mensagem de Natal aos leitores do blog. Se fosse político, diria que acordo pensando em vocês.

ABRAÇOS QUE NÃO DURAM UM DIA

Moisés Diniz

Fico impressionado com o comportamento das pessoas nestes dias de resguardo de Natal e aguardo de Ano Novo. É como se uma luz incandescente emergisse de cada veia e de cada neurônio. É um espetáculo o que acontece no cérebro de cada pessoa.

As pessoas ficam mais alegres, acreditam mais, reduzem os seus medos. Acreditam que o 13º salário vai quitar todas as dívidas e que, de uma hora para outra, a vida vai ser bem melhor no ano que vai nascer.

Aquele que te fez sofrer aperta a tua mão e tu respondes com ternura ao mesmo aperto de mãos. O carrasco que te algemou recebe um abraço teu, mesmo que não tenhas mãos.

O menino da periferia, de cor negra e já sem dentes básicos, aguarda inquieto aquele embrulho que vai lhe trazer alegria. O seu pobre pai, alcoolizado na esquina, não percebe o tamanho do sonho do filho. E se percebe se alcooliza para não perceber.

A menina adolescente acredita que são verdadeiras aquelas palavras lindas que ouviu no celular, que só liga a cobrar, e que não vai demorar a chegada daquele príncipe encantado.

Ela não sabe que aquele calhorda quer apenas se aproveitar de sua carne tenra. Que do outro lado da vila, da vida, da palafita ele dorme numa mansão inconsolável e que o seu sonho juvenil vai acordar com os gritos da primeira briga de rua do ano.

O dono do boteco na ponta da rua acredita que todo o bairro esquecido pelos homens do poder vai se lembrar de quitar as suas dívidas. Ele sonha encher, no ano que vem e que chega nas primeiras luzes e nos mais sutis apertos de mão, as prateleiras com mais feijão e açúcar, bolacha, sardinha e arroz, palito de fósforo, pouco papel, goiabada e cibalena, muito sal, farinha e pão dormido, lâmina de barbear semanal,

O homem do boteco é como a gente que vende sonhos a prazo, não exige assinatura, não cobra a fatura e nem digital. Tudo fica aguardando o Natal, o Ano Novo que vai chegar como búfalo, locomotiva e temporal.

Esses dias especiais vão trazer de volta o meu emprego, a minha alegria, o meu pão, a mulher perdida, a conta esquecida que o vizinho não pagou. Vai ter leite em toda mama, vergonha em todo homem, beleza em toda dama.

Não serei mais tão estúpido a ponto de não perceber os olhares do povo que exige mais abrigo, escola e pão. Vou abraçar o amanhecer e ver que a vida não passa de um pedaço do universo que também se partiu.

Verei que a felicidade humana é como um pouco de carne na boca sempre faminta de um rico qualquer. E que cada um alimenta o seu animal a partir do tamanho da alma do seu próprio dono.

Por isso me incomodam esses abraços, que parecem laços, pedaços de sonhos que não vão se realizar, como se uma serpente engolisse a outra que também lhe quer bem.

Neste Natal as serpentes de cada mente humana vão abraçar as outras serpentes. Será um abraço de quem come e dorme, veste e acorda a custa do trabalho humano, dos outros trabalhos que não são os seus.

Neste final de ano incerto eu vou abraçar meus amigos que ainda não conheci. Pois sei o quanto é fácil abraçar o meu irmão, minha filha, meu parente. Como abraçar os que choram nas ruas nas quais eu não ando, nas periferias que me fazem medo?

Como dizer ‘Feliz Natal’ para quem não nasceu e ‘Feliz Novo Ano’ para quem envelheceu? Por que abraçar as serpentes que cultivamos e fingir que não vemos a dor que elas produzem lá mais distante, onde meus olhos não alcançam, minha solidariedade não atinge e minha voz não leva nenhum acalanto?

Um Natal assim me deixa doente, é como uma doença antiga, do tempo em que o meu coração se partiu em três, quatro pedaços colossais, a amar meus desejos pequenos e a esquecer os desejos gigantes da humanidade.

Queria um Natal diferente, onde o homem amasse de fato a si mesmo e aos outros. Que as árvores não fossem sufocadas pelos coronéis do carbono, nem as águas, nem o ar, nem as larvas, nem as sementes, nem os pássaros sadios, os doentes, nem as raízes, nem os lagos, nem os homens, nem os peixes, nem os animais de pele, de escama, de asas, nem as lagartas, nem a terra.

Nenhum pedaço de sol eu posso dar, nenhuma esmola que não agüenta uma investigação. Por isso eu vou proteger o sol neste Natal, a única beleza natural que eu posso cuidar. Abraçar a lua não me deixará em conflito com os donos do poder.

Acho que vou acabar abraçando a chuva aqui nesta Amazônia indecente, que fica nua nas aldeias indígenas e não se preocupa com a cretinice dos apóstatas do verde e apóstolos do medo e da moral divina.

Vou abraçar o vento, vou falar com os pedaços soltos de asfalto, porque sei que eles são restos mortais milenares de nossos antepassados, de nossas árvores, animais, tudo que se acumulou no subsolo invisível do planeta. Com eles conversarei.

Pedirei perdão aos entes da floresta, aos meninos pobres e às adolescentes convertidas à prostituição, aos desempregados do capital, aos negros, aos povos indígenas, aos homossexuais, aos africanos, palestinos, aos latinos e iraquianos.

Feliz Natal ao homem das margens dos igarapés amazônicos, às mulheres que não lhe deram a oportunidade de pintar o cabelo, os lábios, usar um bracelete, um vestido de moda, aos pássaros que não se vestem contra o frio ou para adornar a noite.

Lutarei contra os meus medos e as minhas antipatias ao novo, ao desconhecido e a tudo aquilo que maltrata e provoca dúvida, preconceito e aversão. Uma idéia nova, uma pessoa doente, sem lar e esperança, uma nódoa na minha blusa de linho, um desvio no meu caminho, um medo de repartir, de amar.

Feliz Natal aos homens de sonho nobre, de idéias encantadas e coletivas. Que cada silêncio de rua faça nascer uma fogueira de sonhos.

Feliz Natal à humanidade que não se rende ao atraso de acumular sempre as mesmas dores no costado dos fracos e as mais iluminadas alegrias nas almas de poucos.

Feliz Natal!

Moisés Diniz é professor e deputado estadual (PC do B).

MAIOR APREENSÃO DE COCA DO ANO


A Polícia Federal fez a maior apreensão de drogas de 2008 no Acre - 125 quilos de cocaína foram encontrados na tarde de ontem escondidos no fundo falso de um caminhão boiadeiro. O motorista, F.G.S., 32, completados no dia da prisão, conduzia o caminhão para Goiânia (GO).

Leia mais no Blog da Amazônia.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

"CHAMEM O CHICO MENDES"

Antonio Alves abre o coração



Jornalista Antonio Alves, assessor do governador Binho Marques (PT), lavou a alma daqueles que não perderam a capacidade de sonhar e não se fazem cegos pelos encantos do poder. Foi durante a solenidade do Prêmio Chico Mendes de Florestania. O discurso foi abafado, claro. Comenta-se bastante a oportuna reflexão de Toinho Alves, mas nenhuma linha ou imagem do mesmo na mídia local. Está aqui sem piedade.

E eu preciso abrir o olho como blogueiro. O deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), presidente da Assembléia Legislativa, conseguiu fazer upload do vídeo para o Youtube primeiro que eu - a velocidade da conexão dele nem se compara à minha. Bem, no Blog do Edvaldo, o post "Toinho abre o coração". Santa Internet.

A IMPRENSA PAROU NO TEMPO

Edilson Martins

O Blog do Altino não merece mais essa identificação. Até porque essa
ferramenta está cada vez mais banalizada.

O sujeito foi promovido
na repartição municipal? Cria o blog pra registrar. Outro, o filho passou no vestibular, que se narre esse feito no blog. A esposa foi surpreendida transando com a maior amiga, que o blog se preste para narrar essas mágoas.

O Blog do Altino transpõe essas dores e vitórias. Hoje, no Acre, desconfio que é de fato o único veículo onde se respira informação, e liberdade.

Até porque a imprensa acreana, a grande imprensa local, pelo que pude perceber,
parou no tempo. Está atrelada a interesses comerciais ou partidários.

E aí, somos obrigados a buscar o Blog do Altino.

Edilson Martins é jornalista e escritor

A DOR DA GENTE SAIU NO JORNAL

Marina Silva

Se Chico Mendes fosse vivo, certamente estaria na internet divulgando suas idéias e pedindo apoio à causa da floresta amazônica e das populações tradicionais e extrativistas que nela vivem. Ele tinha consciência aguda do papel da mídia para o movimento social. Se mais pessoas soubessem o que acontecia lá no Acre, se tivessem oportunidade de conhecer o pensamento dos seringueiros, talvez houvesse mais apoio para evitar que o dano irreversível acontecesse, com a derrubada da floresta.

Na época, a maior parte da imprensa de Rio Branco era muito hostil. Na maioria das vezes, Chico era tratado como intransigente inimigo do progresso, enquanto a situação real mostrava acelerada destruição ambiental e o deslocamento massivo de trabalhadores extrativistas para a periferia das cidades.

Chico procurava jornalistas que poderiam ter abertura para divulgar nosso lado, entender a resistência à motoserra, sensibilizar pessoas do Acre e de fora. Visitava redações, escrevia cartas e as levava pessoalmente. Eu achava aquilo muito constrangedor e me doía quando os jornais soltavam notinhas tripudiando.


Leia o artigo completo da colunista Marina Silva na Terra Magazine.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

IMPORTANTE DEMAIS PRA HISTÓRIA

Bosque "Amigos do Chico"


Ele é reservado apenas a quem merece o Prêmio Chico Mendes de Florestania. Chic perde. Os petistas, que perderam o senso na seletividade de parcerias políticas no país, no Acre se tornaram mais solenes que os governantes durante a ditadura militar.

Até na missa de Chico Mendes, celebrada nesta noite em Xapuri, a loa suplantou o sermão. Não custava ser mais criativo para festejar o assassinato do seringueiro.

Trasncrevo duas observações do experiente jornalista Sílvio Martinelo, diretor da Gazeta, premiado que foi recentemente por uma colunista social:

"A primeira a de que o Governo exagerou um pouco no tom festivo, com entregas de medalhas e comendas...

...como se estivesse comemorando, fazendo apologia de uma morte, um assassinato cruel e covarde.

A segunda sobre essa lista dos amigos de Chico Mendes, na qual ficaram alguns ou vários amigos verdadeiros de fora, incluindo outros que aparecem de décadas em décadas no Estado.

Ouviu-se até uma expressão cáustica: são os chamados "tatus-canastras", que se alimentam de cadáveres e alimentam seus currículos e contas bancárias".

Maldade deixarem Martinello fora da lista de homenageados.

Agora a boa nova: como o "governo da floresta" se recusa a comprar espelho para se olhar, no ano que vem o blog organizará o Prêmio Darly Alves de Hipocrisia.



Clique aqui para saber mais sobre a confraria do Chico.

MÁRCIO THOMAZ BASTOS - ENTREVISTA

Bob Fernandes



Noite de 22 de dezembro de 1988. Dezenas e dezenas de milhões de brasileiros de olhos grudados na telas de televisão.


Tensão, ansiedade, expectativa. Aquela era uma morte anunciada por meses e meses, país afora se intuía, inevitável o assassinato ao final daquela história. O crime foi cometido e, na ante-véspera do Natal, o Brasil parou em busca da resposta:

- Quem matou Odete Roitmann?

Odete, a malvadona vivida por Beatriz Seggal na novela Vale Tudo. Mais malvada - mas há controvérsias - que a Flora interpretada por Patrícia Pillar em A Favorita neste 2008.

Naquela noite em que o Brasil parou para descobrir o assassino de Odete Roitmann, nos confins da Amazônia morria, assassinado, um homem até então desconhecido.

Sua morte, como a de Odete, era mais do que anunciada. Disso se sabia na longeva Xapuri, disso sabiam os poucos que conheciam a luta que se travava nos seringais do Acre.

Mesmo jornalistas, sempre ciosos do saber tudo, só descobriram o personagem e sua dimensão quando ele já estava morto. Alguns, poucos, tentaram evitar a morte anunciada. Não conseguiram. Jornais, revistas, a televisão, não tinham espaço e tempo para um ilustre desconhecido.

Disso bem sabe o repórter Edílson Martins, que em vão tentou contar no Jornal do Brasil a história do homem marcado para morrer.

E foi assim, cercados por uma cortina de silêncio da mídia - que naquele tempo só se chamava "imprensa" - que pai e filho, Darly e Darci Alves da Silva, assassinaram Chico Mendes.

Darly e Darci, dois pobre-diabos que enchiam a boca ao se apresentar como "fazendeiros".

Dois anos depois, em 1990, a atenção do mundo se voltava para Xapuri. Darly e Darci estavam, em tempo recorde, no banco dos réus.

Na acusação, apenas formalmente como Assistente, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, a quem Terra Magazine ouve hoje, há exatos 20 anos do assassinato. Atuação impecável, Thomaz Bastos arrancou a condenação de Darly e Darci em julgamento célebre, que recorda na entrevista que se segue:

- Inesquecível. Aquele é um dos raros momentos na vida em que alguém... Em que eu me senti falando em nome de todos, me senti falando em nome da humanidade.

Em seu escritório à Avenida Faria Lima, São Paulo, enquanto regressa ao passado, ao assassinato e à condenação, enquanto, certamente, perscruta os seus 73 anos, Márcio Thomaz Bastos torna concreto o que viveu em Xapuri:

- ...Ficou claro, e nem sempre assim, é muito difícil ter isso tão claro, que tínhamos ali um embate do Bem contra o Mal...

Também hoje, em trabalho do blogueiro da Amazônia de Terra Magazine, Altino Machado, os internautas podem ver, ler e ouvir a versão da história contada pelo assassino, Darly Alves da Silva.

No julgamento dos assassinos, em Xapuri, a imprensa buscou se purgar. E, para tanto, mentiu muito. Criou um mundo que não existia, não existiu.

No verão de 1990, para saciar a sede de justiça do mundo e, talvez, sua inoperância pregressa, jornais, revistas, rádios e televisões levaram a Xapuri mais de "5 mil pessoas". Tal multidão existiu apenas nas manchetes. Lá não estiveram mais de 300 manifestantes, além de centenas de jornalistas.

Inesquecível, pelos piores motivos, as cenas de filhos de Chico Mendes: Sandino, 4 anos de idade, e Elenira, 6 anos, a desfilar pela ruas de Xapuri com a foto do pai morto pregado em um cartaz, ou a posar ao lado de seu túmulo.

O fizeram, o faziam, a mando de fotógrafos, cinegrafistas, repórteres. A mídia que se calara até o assassinato, por desconhecimento ou desinteresse, para incensar manchetes durante o julgamento pagava picolés aos filhos do líder morto.

Duas décadas depois Márcio Tomaz Bastos faz um outro balanço, o da Justiça no Brasil:

- Xapuri foi só uma ilusão. O Judiciário não funciona como deveria. É lento, ineficaz, o Brasil tem um sistema, um Judiciário que fala para si mesmo, que não está em conexão com o mundo exterior, com a sociedade, que é, em uma palavra, solipsista... O judiciário não funciona adequadamente.

Quando Darly e Darci foram condenados, Thomaz Bastos imaginou que ali "se quebrava um paradigma". Ilusão, como ele mesmo agora constata.

Márcio Thomaz Bastos foi por cinco anos, como se sabe, ministro da Justiça do governo Lula. Entre seus grandes êxitos, a construção de uma Polícia Federal objeto de admiração e respeito. Na tarefa, e no comando da Polícia Federal, o delegado Paulo Lacerda.

O mesmo Paulo Lacerda ilhado e atacado por adversários de fora e de dentro do governo nestes dias de 2008.

De dentro, por aqueles que temem o passado e o futuro, ou apenas o invejam e jogam o jogo.

De fora do governo, pelos milhares que foram para a cadeia em operações da PF, pelos que temem uma Polícia Federal forte e eficaz e, mais do que nunca, por uma diminuta mas barulhenta corte de rábulas & Associados.

Atacado não pelos milhares de advogados do Brasil, mas por facções daquela parcela que vive dos milhõe$ e milhõe$ de quem sempre tungou cofres públicos. Tungou, tungavam, até então sem problemas.

A PF de Thomaz Bastos ganhou recursos, deixou de depender de esmolas de DEA e CIA para operar, fechou as portas para a palpitologia ilegal do FBI.

Para quem imagina que se pode recortar a história e, assim, monitorá-la, um lembrete: o Márcio Thomaz Bastos que arrancou a condenação dos assassinos de Chico Mendes é o mesmo que esteve à frente do ministério da Justiça quando a Polícia Federal se tornou objeto de respeito e admiração.

A mesma Polícia Federal que, duas décadas antes, não apenas não conseguiu impedir o assassinato de Chico Mendes como por ele mesmo era acusada de integrar "um complô" para matá-lo.

Sobre a Polícia Federal de hoje, a do pré e pós Satiagraha, Márcio Thomaz Bastos alerta:

- ... Em alguns casos há uma clara tentativa de se atacar, de se destruir a polícia federal...

A propósito, quanto ao passado - mas sem que se descure do presente- vale destacar o fator que Márcio Thomaz Bastos considera vital, aquele que nascido na Europa e nos Estados Unidos no rastro do assassinato de Chico Mendes, chegou ao Brasil como um vagalhão e levou à condenação de Darly e Darci:

- ...Então o que se levantou foi uma autoridade moral...

Leia a entrevista completa em Terra Magazine.

"PAI, VOCÊ FOI ÚNICO"

Elenira Mendes


Pai,

nesta semana estive revendo aquela minha foto e reli no verso dela a mensagem que você escreveu com tanto amor: “Elenira, és a vanguarda da esperança e darás continuidade um dia à luta que teu pai não vencerá”.

Também reli a mensagem que você deixou na agenda, escrita há 20 anos:

“Atenção jovem do futuro,

6 de Setembro do ano de 2120, aniversário ou centenário da Revolução Socialista Mundial, que unificou todos os povos do planeta num só ideal e num só pensamento de unidade socialista que pôs fim a todos os inimigos da nova sociedade. Aqui fica somente a lembrança de um triste passado de dor, sofrimento e morte.

Desculpem…Eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos; que eu mesmo não verei mas tenho o prazer de ter sonhado.”

Não dá para evitar a emoção todas as vezes que leio as duas mensagens. Admiro até a caligrafia deixada por seu próprio punho.

As suas palavras, que sempre soam tão simples e carregadas de preocupação com a humanidade, me dão a exata medida do quanto você era sonhador. Já sei que a revolução com a qual sonhou começou quando você era ainda criança, nas matas de Xapuri.

Pai, Sandino, minha mãe e eu sabemos que desde muito pequeno você foi um grande trabalhador. Já nos contaram muitas vezes o quanto você era dedicado e organizado em tudo que fazia. Que desde criança já era um seringueiro destemido, assumindo tarefas de verdadeiro homem.

O seu exemplo continua sendo uma luz no nosso caminho, especialmente o seu senso de responsabilidade na defesa das florestas da Amazônia.

Sei que costumava levantar bem cedo, quando ainda estava escuro, para cortar seringa, ou para participar de reuniões pela organização dos seringueiros que queriam a proteção de nossos recursos naturais.

Às vezes fico imaginando o que com você pensava nos momentos de profunda angústia e solidão que enfrentou nesta vida. Você chorou em algum momento? Se chorou, meu pai, saiba que ainda existem homens e mulheres que também sonham com uma revolução que seja capaz de revelar a beleza necessária de um novo homem.

O homem nasce em beleza única e você, pai, foi único. A sua beleza foi única, marcada pela coragem e ousadia de lutar por uma nova sociedade tão almejada. A beleza ainda existe, pai, mas a nova sociedade não sei, sinceramente.

Pai, sei que, se dependesse de você, estaríamos hoje gozando dos benefícios de viver numa sociedade onde cada indivíduo pudesse desenvolver o seu trabalho de acordo com os seus talentos.

Falo de uma sociedade pela qual você lutou, onde os elementos básicos para a sobrevivência, como moradia, saúde, alimentação e educação, fossem garantidos a todos e onde o avanço de cada um representasse o progresso da própria sociedade.

Infelizmente, ainda continuamos apenas sonhando em busca de uma sociedade melhor. Já se passaram 20 anos desde aquela noite, quando o vi pela ultima vez, se debatendo no chão, tentando nos dizer, a mim e minha mãe, algo que nunca saberei exatamente o que era.

Pai, tenha a certeza de que sua luta não foi em vão. Os seus sonhos já não são somente seus. São também meus e de todos os que ainda acreditam nos seus ideais.

Você ainda é a vanguarda da esperança da Amazônia e do nosso amado Acre.

Elenira Mendes é formada em administração e dirige a ONG Intituto Chico Mendes. Lei mais no Blog da Amazônia. A foto de Chico Mendes foi tirada um mês antes do assassinato. É cortesia da fotógrafa Denise Zmekhol.

DARLY ALVES DA SILVA - ENTREVISTA

"Chico Mendes foi um mártir e eu também"


A chuva fina do inverno amazônico teimava em cair ao meio-dia de quarta-feira sobre a fazenda Paraná, na BR-317, em Xapuri (AC). Do alto de seu cavalo, um mensageiro avisa que Darly Alves da Silva, 73, condenado a 19 anos de prisão como mandante do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, atenderia ao Blog da Amazônia.

Meia hora depois, surge na linha do horizonte o vulto do homem que já foi o fugitivo da Justiça mais procurado do país. Ele caminha segurando um guarda-chuva negro. O céu nublado e a chuva fina conferem um ar lúgubre ao vulto franzino que se aproxima da casa.

Seus passos são cadenciados e firmes sobre o trecho úmido da verdejante pastagem de uma de suas três fazendas. Elas totalizam pouco mais de três mil hectares. Usando seu indefectível boné, camisa azul rasgada nas costas e uma calça com o zíper danificado, Darly Alves da Silva abre o portão da cerca que impede o acesso dos bois ao quintal da casa.

Saúda os presentes com um “boa tarde” e sobe firme a escada de tres degraus. Na varanda, mais protegido da chuva, retira de dentro da camisa um saco plástico com a Bíblia Sagrada dentro.

- Essa é a minha arma - avisa.

Mas o velho fazendeiro ainda parece acuado, como se não estivesse dentro de sua própria casa. Senta-se no banco de madeira e logo avisa que não dará entrevista.

Retira do bolso da camisa a carteira de presidiário, onde consta uma anotação logo nas primeiras páginas: “Término provável da pena: 22 de julho de 2015″.

Responde de modo gentil perguntas banais durante mais de três horas de conversa sobre o Acre, Chico Mendes, família, religião e até a respeito de outros implicados no complô que resultou no assassinato do homem mais famoso do Acre.

Quando a “fera” aparenta estar mais relaxada e falante, enfio a mão no bolso direito da capa de chuva. Tateio o mini-gravador, mas a operação se torna um desastre: aperto a tecla “play”em vez de “rec”. E o áudio de uma gravação me denuncia.

- Você está gravando. Avisei que não quero entrevista - fala com firmeza, enquanto tento me desculpar dizendo que apenas tateava o bolso em busca de um isqueiro.

Mais adiante, quando Darly Alves da Silva parece ainda mais relaxado, peço-lhe permissão para fazer uma pergunta incômoda. Ele autoriza.

- O que o sr. faria se pudesse voltar 20 anos no tempo?

- Águas passadas não movem moinho - responde secamente.

Sentado ao lado dele, curvo-me para abrir a mochila. Puxo o caderno de anotação e escrevo a resposta. Os olhos dele mudam de cor, encara-me sisudo, e vira-se para o outro lado do banco, onde está o radialista Raimari Cardoso, do blog Xapuri Agora, que ajudou-me a ter acesso ao recanto da família mais temida da região.

- Eu vim aqui atender a você, Raimari. Não sabia que você estava com um comparsa. Eu disse que não quero entrevista - afirma Darly, enquanto ameaça levantar-se para ir embora. Tive que me desculpar mais uma vez, repouso a mão sobre a coxa direita dele, fecho o caderno e o devolvo à mochila.

E haja mais tempo para a esgrima de mudar o rumo da prosa e outra vez deixar o dono da casa à vontade. Pergunto pelo livro que Darly tem intenção de publicar caso encontre alguém disposto a escrever sua biografia. Darly volta a se empolgar.

- Tenho esse sonho, sim. Preciso ganhar um dinheiro a mais. Eu acho que minha história vai interessar muito ao estrangeiro.

Darly também se entusiasma quando fala de sua nova arma, a Bíblia Sagrada. Ele ainda não foi batizado pelo fogo, mas está disposto a tratar disso logo. Quer cumprir a prisão domiciliar, obter a liberdade condicional e mudar de vez para Brasília. Ganhou gosto pelo lugar após o tempo que passou no presídio da Papuda.

- Eu quero minha salvação. Em Brasília, posso freqüentar todo dia a igreja “Deus é mistério”. É pentecostal. O pastor de lá era da “Deus é Amor” - explica.

Outro momento de empolgação e relaxamento é quando menciono o nome do ex-governador Jorge Viana, defensor de que a área da fazenda Paraná seja desapropriada e transformada em pólo-agroflorestal para assentamento de colonos.

- O Jorge Viana devia ser meu amigo, não é? Ele é bom. Mas eu acho melhor, gosto mais mesmo, é do irmão dele, o Tião Viana. Ele tem boas idéias - revela.

Em novembro, um filho de Darly, de 18 anos, matou a mulher mais jovem do pai dele dentro da fazenda Paraná. Enquanto repousava numa rede na varanda da casa, o jovem se aproximou e disparou um tiro de espingarda na nuca dela.

- Não perdôo ele de jeito nenhum. Se eu não estivesse com a mão sobre a Bíblia Sagrada, eu mesmo iria matar aquele covarde. O que ele fez foi uma covardia muito grande. Por causa desse crime, tem dias que eu me ajoelho e grito, implorando justiça a Deus - relata o fazendeiro com a voz embargada.

O celular toca. Do outro lado da linha, Elenira Mendes reclama que passei em Xapuri e não a procurei. Prometo voltar mais tarde. Ela quer saber aonde estou. Ao responder que estou entrevistando Darly, a filha de Chico Mendes, que tinha quatro anos quando viu o pai morrer tentando lhe dizer alguma coisa, sugere:

- O Darci [filho de Darly condenado a 19 anos de prisão com autor do tiro que matou Chico Mendes] prometeu que iria revelar os nomes dos demais mandantes quando o crime completasse 20 anos. Pergunta pro seu Darly quais eram os outros mandantes.

Peço mais uma vez permissão para fazer uma pergunta incômoda. Darly aceita e responde:

- Não lembro se o Darci prometeu isso. Eu perguntei muitas vezes a mesma coisa, mas ele sempre ficou calado. Eu dizia que poderia ser beneficiado se ele revelasse quem mandou matar o Chico Mendes, mas nada. O que posso dizer é que nunca paguei advogado pro Darci. Alguém pagou. Não sei se foi o falecido Gastão Mota, o falecido ex-prefeito Adalberto Aragão, coronel Chicão ou outro qualquer - afirma.

Quando estava perto de três horas de conversa, voltei a insistir com Darly em defesa da entrevista:

- Respeito que o senhor não queira ser entrevistado, mas quero ao menos provar que estive aqui tentando a entrevista. Aceita que eu grave o sr. justificando a sua recusa?

- Tudo bem, isso eu posso fazer. Sei que você está trabalhando. Com a gravação você pode mostrar pro chefe da sua revista que esteve comigo na fazenda Paraná e foi bem recebido.



Após 20 anos do assassinato de Chico Mendes, leia a entrevista com Darly Alves da Silva no Blog da Amazônia.

domingo, 21 de dezembro de 2008

ATÉ LOGO QUE VIROU ADEUS

Edilson Martins



Há 50 anos deixei o Acre. E fí-lo com o coração partido. Gostaram do gongorismo? Garanti à dona Raimundinha - minha mãe, que fazia e vendia, num tabuleiro, o melhor chá-de-burro, o conhecido mucunzá de Rio Branco - que voltaria formado, de anelão no dedo, do Sul maravilha, para orgulho dela, e a ajudaria. Ela nunca mais venderia mingau nas noites de chuva e frio da cidade.

Ela riu -aquele riso de mãe, inesquecível. Estávamos sentados nos degraus de madeira de nossa humilde casa, no bairro da Base. Ela respondeu:

- Tu és igualzinho ao teu pai. Não voltará… Aqui merece um reparo. Disse humilde, lá em cima, com os olhos de hoje. Naquela época, em minha imaginação, era uma mansão, quase um palácio.

Reféns do texto
Naqueles idos e vividos, o pessoal da minha tribo, - e éramos poucos e nos imaginávamos muitos, - perseguia o bom texto. Talvez fosse mais perseguido que uma aluna do Ginásio Acreano, daquelas de rosto angelical e olhar romântico. Tínhamos as nossas referências, os nossos ícones; professores Potyguara, Miguel Ferrante, Florentina Esteves. Todos, os quase todos, tinham pisado terras não acreanas ou procediam de outros estados. O Colégio Acreano era o grande pólo cultural, de encontros e de desejos de nós todos.

Era a casa de Epicuro, o nosso jardim onde descobríamos o mundo pelo saber inquietante, humilhante e abrangente, por exemplo, do professor Rufino. Cafuso, quase negro, vindo também de fora, imagino que mineiro, nos abria as portas de Roma, do Grande Império, com seus generais, seus oradores incomparáveis. Cícero e Catilina eram objetos de traduções permanentes. E como era chato, difícil e gratificante, também, traduzir o latim, descobrir aquelas culturas, seus heróis, o modo de viver daqueles povos.

O professor Rufino era uma figura singular. Esquivo, morava no hotel Chuí, imenso poder para nossa imaginação de rapazes pobres, recatado, arredio, inclusive na sala de aula; fora dela tomava porres homéricos, e aí se transfigurava. Soltava a franga.

Porres homéricos
Hoje fico imaginando a origem, a razão de ser daqueles porres. Fico tentando medir a solidão daquele homem, mergulhado nas grandezas do Império romano - era a sua tapioca diária - tendo que viver numa cidade perdida, insulada, provinciana, alheia ao objeto de suas preocupações, fruto da teimosia de um bando de cearenses, escondida meio da selva.

Nesse mundo dos Buendia um povo inteiro tentava provar que a vida ali era possível. Gente semi-alfabetizada, lutando não por cultura, pela curiosidade do saber, senão pela sobrevivência física, e ele dissertando, revisitando, todos os dias, os generais, os feitos dos Césares. O porre ali era a sustentação espiritual, era o mais legítimo dos recursos para a sobrevivência. Nós não víamos assim. Éramos implacáveis, moralistas, cristãos e nada perdoávamos.

Havia o Tom Mix, um sujeito curioso, padecia da doença dos românticos, com um atraso de pelo menos cinqüenta anos – tuberculose - e que se paramentava de caubói e nos encantava no final das sessões à noite de cinema. E só era exibido filme de bang-gang. E lá ficava o nosso Tom Mix, cercado de nossa admiração, de nossa gratidão. Era demais termos aos nossos olhos a réplica quase real de nossos mocinhos. Ah, as sessões do Cine Rio Branco!… O bate-coxa invasivo, dissimulado, bom, deixa pra lá…

Começou a liberar
Por que não resgatar o Chaguinha, homossexual, enrustido, e não poderia ser diferente, estigmatizado, salvo erro de memória, alfaiate. Morava no Papouco - será que ainda existe esse bairro? - e preenchia, Deus sabe como, a solidão, a curiosidade e luxúria de muita gente boa.

No Acre daqueles tempos, - e diga-se que daqueles tempos era o começo dos começos, como se fala entre os índios, - essa opção afetiva era transgressão ousada, de alto ônus. Era uma nova estética, só praticada pelos espíritos mais sórdidos e obscenos.

Mas havia também as pernas das lavadeiras, das lavadeirinhas noviças, na beira do rio Acre. E sobre essas não havia punição moral, e, no entanto…

Durante o verão, que nos arrebatava, íamos nadar, tomar sol e desapropriar, nada de roubar, as melancias deliciosas que ocupavam as praias do rio Acre. Descíamos o rio montados nelas, com apenas a cabeça de fora, em profundo silêncio, tanto para nos esconder de seus donos, os colonos ribeirinhos, como principalmente vermos deslumbrados as coxas das lavadeiras, das meninas moças, das virgens angelicais.

A virgindade e a punição
Sim, naqueles tempos só se perdia a virgindade sob o manto sacramentado do casamento. Bons tempos dirão os saudosistas. Tempos ninjas, de resistências idiotas, e de abusivos prazeres solitários, dirá a alma mais liberada dos dias de hoje.

Nenhum Gisele Bündchen do mundo valia as pernas brancas, lívidas, robustas, contaminadas de pecado, das lavadeiras de ontem. Havendo sorte, podiam-se ver mais, muito mais, e, no entanto, os fracassos eram constantes.

Pouco importa, mesmo não vendo, garantíamos, exultantes, à noite, nas ruas poeirentas ou enlamaçadas da cidade, que tínhamos visto tudo. E o tudo não era pouco em nossas imaginações incendiadas de desejos. Éramos todos filhos das bravatas, dos superlativos.

A Fiorentina passara pelas universidades cariocas, falava francês como nunca antes se fizera antes em nosso país. Desculpe, houve um ato falho. Naquele tempo o Lula ainda era baixinho.

A retórica que encantava
O Miguel Ferrante, cuja filha hoje é novelista da Globo, sempre de terno de linho branco, nos encantava durante as aulas de Português. Era um grande retórico. O Potyguara, miúdo, pequeno, quase mecânico em seus passos, mas como crescia na sala de aula. Depois havia seus livros, livros de ficção contaminados pelo naturalismo do Jorge Amado, que pelo menos para mim, eram aguardados como quem sonha em invadir outros mundos.

E olha que era o mundo dos seringais que eu conhecia muito bem, posto neles ter nascido e crescido. Muitas de suas páginas eram desfrutadas sob emoção silenciosa, contida, afinal de contas, bom, toca o barco….

Havia, bom não esquecer, uma sensação de aldeia. Não era uma coisa clara, como agora percebemos, mas era visível que todos se conheciam e quem sabe, se toleravam. Era uma Rio Branco sem privacidade, sem segredo, sem clandestinidade. Bom, dirá o leitor virtual, que saco, que horror de mundo!… Não era bem assim. Havia uma sensação de grande família, e de acima de tudo solidariedade. Sem exageros ou pieguismo.

Pecado e absolvição

Se todos pecavam, e como pecávamos, havia, portanto, uma absolvição coletiva. Sabíamos de cor quem traia, quais as esposas que estavam dando adoidado, quem eram os cornos, quais as deusas que liberavam demais, que permitiam avançar o sinal, e assim por diante. E mesmo assim, se mais não fosse, tudo era mistério. E o mistério, já dizia Machado, é o encanto da vida.

E os políticos, os caciques daqueles tempos, vale enfatizar, não haviam se iniciado na arte impune de achacar o poder público. Roubar, sempre se roubou, mas não com a impunidade e desfaçatez que se faz hoje no país.

Mas não é disso que quero falar. Estou pisando na bola, urinando fora do pinico. Quero sim, estabelecer um paralelo entre dois mundos separados por meio século. Se conseguir ótimo, mesmo o fazendo sem o talento e a graça que nunca tive.

Espero que não esteja cometendo o pecado da nostalgia, logo ele, o pior dos pecados no mundo de hoje. A nostagia hoje é o maior mico do mundo. Revisito o Acre e tomo um grande susto. Rio Branco está uma beleza. E me dizem que o interior passa pelas mesmas mudanças. O povo me pareceu feliz. Isto tudo após a morte do Chico Mendes, parceiro de utopias.

Chico orgulhoso
Essa rapaziada, essa companheirada que decidiu dar continuidade às suas utopias, não está fazendo feio, pelo contrário. Tenho certeza que se vivo estivesse, Chico estaria razoavelmente orgulhoso. O Acre melhorou. Isto é fato.

É muito difícil a população ter juízo, entender que desmatar é suicídio, se o mundo inteiro fez e continua fazendo isso. Essa é a grande questão. As chamadas frentes civilizatórias – fazendas, madeireiros, agronegócio, garimpo – chegaram à Amazônia para ficar. É briga de cachorro grande.

E, no entanto, o acreano é diferente. E teimoso. Está mostrando ao país que é possível administrar um estado sem saqueá-lo, sem demagogia barata, de braços com a população. E estado pobre, todos sabemos.

Teimosia

Pelo menos foi essa a sensação que tive. Juízo ligeiro, tudo bem, porque sem conhecimento maior. Como a sensação é a prostituta das provas, pelo menos no direito penal, é possível que tenha me enganado. É verdade existir esse artigo, essa cláusula no código penal? Se não existe passa a existir.

E resgatando; bem que minha mãe tinha razão. Nunca mais voltei para ficar. Para felicidade de meus amigos e da população em geral. Sou igualzino ao meu pai. Prometo, mas não cumpro. Em verdade sou pior que ele. Vivo mergulhado no mundo das fantasias, é o meu alimento permanente, minha tapioca do dia-a-dia.

Tudo isso porque tive na semana passada tive o privilégio de ser anistiado político, junto com o Chico Mendes, numa cerimônia pomposa, e ainda por cima ouvir do Estado brasileiro, pela boca de seu Ministro da Justiça, Tarso Genro, o pedido de perdão pelos constrangimentos sofridos em minha teimosia por um mundo melhor.

Não por ter sido preso, torturado, por quase um ano, nas dependências do Exército brasileiro, perseguindo um Brasil livre, com liberdade. Senão por continuar não cumprindo promessas, e me revoltando contra a opressão. Minha mãe tinha razão.

Edilson Martins é jornalista e escritor

ZORRAL TOTAL NO VESTIBULAR DA UFAC

João Bosco de Sousa

Copiar questões de outros vestibulares não é uma prática recente em vestibulares da UFAC. Acompanho o exame desde 1988 e, ano após ano, encontram-se questões que, quando não são cópias fidedignas das originais, são maquiagens grosseiras, às vezes contendo até erros de português.


A prova de Língua Portuguesa é um "espetáculo" à parte. A do vestibular de julho deste ano é um libelo da incompetência reinante entre os professores que se recusam a reconhecer suas limitações técnicas para elaborar itens com as características exigidas por uma avaliação de nível médio, como o vestibular. Das 15 questões que compuseram a prova, 12 são comprovadamente copiadas, a saber:

- vestibular da FUVEST-SP (1997): questão 17;

- vestibular da FUVEST-SP (1998): questão 14;

- vestibular da FUVEST-SP (1999): questões 11, 12, 13, 15, 16, 21 e 22;

- vestibular do ITA-SP (1991): questão 20;

- vestibular da UM-SP (1994): questão 23;

- vestibular da PUC-RS (1993): questão 24.

Há um detalhe interessante relativo à questão 24, copiada da PUC-RS. O professor "autor" prejudicou muitos vestibulandos, pois divulgou uma resposta errada e manteve-a até o final do processo seletivo. Estranhamente a Copeve não colocou as provas à disposição no site da UFAC, divulgou apenas o gabarito.

Neste último vestibular, realizado em 14 e 15 de dezembro, o procedimento do plágio foi novamente utilizado, mas chega a ser um "detalhe" comparado a problemas de natureza teórica. Na prova de Língua Portuguesa, há três questões cujas respostas divulgadas pela banca examinadora não se sustentam. A questão 24, por exemplo, é uma agressão incomensurável à inteligência de discentes e docentes e, sobretudo, aos compêndios literários. O enunciado pede ao aluno que aponte, entre cinco afirmações, aquela que não pode ser feita sobre o livro "O empate", de Florentina Esteves. Entre as quatro afirmações que não servem como resposta - mas que são verdadeiras, segundo o raciocínio aplicado no enunciado -, encontra-se esta: "... o romance 'O empate' (...) apresenta a mulher indígena como personagem nunca antes valorizada nas narrativas de autoria masculina". Em outras palavras: Florentina Esteves superou - nada mais, nada menos! - José de Alencar, para ficarm os apenas na menção de um autor mais conhecido, de um autor "menor" do espectro literário brasileiro.

Em vestibulares sérios, após a aplicação das provas os professores que elaboram as questões apresentam as respectivas respostas com comentários, justificativas. É um procedimento elementar: se o professor propõe um item avaliativo aos alunos, espera-se que ele saiba resolvê-lo e fundamente sua resposta. No vestibular da UFAC, os "autores" dos itens sentem-se agredidos quando se faz qualquer questionamento, mas são incapazes de redigir um fundamento teórico justificando o que propuseram como avaliação. O dom da infalibilidade lhes toma o corpo até a medula óssea. Oxalá o episódio de agora torne esses "autores" seres menos divinos, mais próximos de nossa falível natureza humana!

Sua Magnificência, Olinda Batista, tem uma oportunidade ímpar de promover ações há muito necessárias ao aprimoramento do vestibular da UFAC. Essas ações não compreendem apenas aspectos relativos à organização e infra-estrutura. A mais urgente, revelada pelo episódio do plágio de questões, é justamente aquela que muitos não percebem: definir ao menos um esboço mínimo do perfil de aluno que a instituição deseja receber em seus cursos. Esse perfil é essencial quando a universidade discute, por exemplo, as diretrizes para a melhoria da qualidade de ensino.

Nesse sentido, é importante a reitoria não se deixar embevecer pelo clima moralizante instaurado após a divulgação das irregularidades. Visando à elaboração de questões inéditas, sem a devida reflexão corre-se o risco da ressurreição de mentalidades jurássicas que já reinaram em vestibulares da UFAC e, qualitativamente, em nada contribuíram. Tome-se como exemplo o exame de 1997. Após fraude grosseira que culminou com a anulação total do processo seletivo, novas provas foram elaboradas. É bem verdade que a maioria das questões já não primava pela qualidade e a escassa qualidade existente já era fruto de plágio, mas, no geral, as novas provas conseguiram piorar o que já era ruim. Em uma das questões de Língua Portuguesa, pediu-se aos vestibulandos que apontassem o plural da palavra "ancião", segundo a norma gramatical. Três são as formas de plural registradas em português: "anciãos", "anciães" e "anciões". Como podemos observar, esse tipo d e questão exige do vestibulando uma habilidade tão rebuscada, tão sofisticada quanto "analisar o caráter sistêmico da menstruação das baratas" e "compreender a importância da influência da décima sétima lua de Júpiter no ciclo menstrual das formigas-saúvas africanas". Esse tipo de questão "inédita" revela-nos pelo menos três problemas comprometedores: 1) o elaborador desconhece o teor dos Parâmetros Curriculares Nacionais, documento oficial que fundamenta o currículo do ensino médio brasileiro. O que significa dizer que ele desconhece a realidade do público ao qual se destina a avaliação; 2) o elaborador não domina os rudimentos básicos que norteiam a formulação de um item avaliativo; 3) o elaborador age de má-fé, uma vez que, sendo sabedor de sua inabilidade técnica para executar a tarefa que lhe foi incumbida, aceita-a prontamente como se fora capaz de realizá-la, desprezando de maneira irresponsável o fato de prejudicar a trajetória de muit os estudantes.

É importante, também, que a reitoria da UFAC revele o nome dos professores-copistas e responsabilize-os de fato. A julgar pelas últimas declarações do presidente da Copeve, o velho corporativismo que corrói a estrutura da instituição já começa a dar as caras. Em entrevista a um periódico local, o atabalhoado dirigente disse que "o plágio pode ter ocorrido por falta de tempo dos professores para elaborar questões inéditas". A declaração é um acinte. Falta aos eminentes professores tempo para elaborar itens inéditos, mas não lhes faltam tempo e disposição para receber a remuneração por algo que não fizeram. O decadente programa "Zorra Total" é uma revolução humorística sem precedentes, comparado a uma pérola dessas.

João Bosco de Sousa professor de Língua Portuguesa da rede estadual de ensino.

sábado, 20 de dezembro de 2008

MARCHA PARA O OESTE

Zuenir Ventura

Sentado num restaurante de Porto Velho, eu ouvia meus companheiros de mesa e observava pelo vidro o grande agito da cidade à meia-noite de uma terça-feira, bem maior do que o de Rio Branco, de onde estava vindo. Aproveitei para perguntar se havia rivalidade entre Acre e Rondônia. Se há!? Um deles, que parecia não gostar da terra de Chico Mendes, e nem do próprio, foi logo afirmando que ele é produto do marketing. “O Acre desmata tanto ou mais que Rondônia, mas nós é que somos os vilões da história”. Achei que ele confundia propagando com carisma, mas não sou neutro nessa disputa. Aleguei então que um estado com mais de um século de história e com personagens extraordinários como Galvez, Plácido de Castro e o próprio Chico tinha que levar vantagem sobre outro com menos de 30 anos de existência e pouca identidade cultural.

A partir daí houve uma animada discussão. Juntando esse papo com os dos dois dias anteriores em Rio Branco, o resultado foi uma relativa queda no meu quociente de ignorância amazônica. Não digo que voltei um sabichão em preservação ambiental, expansão da fronteira agrícola, manejo florestal etc., mas aprendi um pouco, por exemplo, sobre carne, uma questão que eu conhecia apenas pelo estômago, não pela cabeça. Assim, além de desconfiar que se come nos dois estados os mais suculentos bifes do planeta, fiquei sabendo que o rebanho bovino de Rondônia é de cerca de 11 milhões de cabeças (para 1.538 mil habitantes) e o do Acre, de quase 3 milhões (para 547 mil habitantes). Quanto ao desmatamento, há muita controvérsia, pois virou tema ideológico. Rondônia teria 27% de sua área desmatada, e o Acre, apenas 10%. Em compensação, a reserva extrativista Chico Mendes, criada há 18 anos, estaria ameaçada. Segundo o IBAMA, a área de pasto que não poderia ultrapassar 27 mil hectares já estaria em 45 mil. Também li no blog de Altino Machado, o de maior prestígio no Acre, a entrevista em que o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri afirma: “O extrativismo florestal está falido”.

Isso é um resumo de um debate maior: conservação ou progresso? Ou como conciliar essas duas concepções de desenvolvimento? Trouxe tantas informações que ainda volto ao assunto. Por ora, ficou-me a impressão de que haverá em breve uma espécie de marcha para o Oeste, despertando a um tempo esperança (de integração continental) e apreensão. Com o término da Rodovia do Pacífico, que em 2010 aproximará o Brasil da Ásia, já se pode calcular a avidez com que os imensos e gulosos mercados da China, Japão e Tigres Asiáticos avançarão sobre a soja, a madeira, a carne, os produtos medicinais, fitoterápicos, fármacos – em suma, sobre a rica biodiversidade da região. Diante dessa pressão de consumo, vai ser preciso muita resistência para manter a floresta em pé.

Zuenir Ventura é colunista do jornal O Globo.

UMA ACREANA NA FAMÍLIA MAGALHÃES

Adolescente de 14 anos, filho da acreana Siméa Maria de Castro Antun, entra na Justiça para ser reconhecido como filho do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães e fazer jus à sua herança e à de seu suposto avô, Antonio Carlos Magalhães

Leonardo Coutinho e Sandra Brasil, da revista Veja


Um personagem até agora desconhecido entrou na divisão do espólio do senador baiano Antonio Carlos Magalhães, que morreu em julho de 2007. Trata-se de um adolescente que completou 14 anos na semana passada e que, desde setembro, reclama judicialmente sua condição de neto e, portanto, herdeiro de ACM. Seu advogado alega que o cliente nasceu de um relacionamento extraconjugal do deputado Luis Eduardo Magalhães, o terceiro filho do senador.

O mais brilhante político de sua geração, Luis Eduardo presidiu a Câmara durante os dois primeiros anos da administração do presidente Fernando Henrique Cardoso, capitaneou a revisão da Constituição e era um potencial candidato ao Palácio do Planalto quando sucumbiu a um infarto em 1998, com apenas 43 anos. Elegante, simpático e bon vivant, era tratado por seus pares como um príncipe e deixou órfãos Paula, Carolina e Luis Eduardo, filhos de Michelle Marie, com quem se casou em 1976.

O pretenso quarto filho de Luis Eduardo reivindica não só uma parte da fortuna do avô como uma nova partilha da herança do deputado e o direito de usar o sobrenome Magalhães. Para isso, entrou com dois processos. Na Bahia, pediu a "reserva de quinhão" na partilha de ACM. Na 7ª Vara de Família do Distrito Federal, move um processo de investigação de paternidade.

A mãe do adolescente é Siméa Maria de Castro Antun, que foi assessora parlamentar de Luis Eduardo. Nascida no Acre, ela trabalhava como modelo em Brasília no fim dos anos 80. Era conhecida na capital como garota-propaganda das lojas Gavi, uma rede de móveis populares. No processo, Siméa relata que conheceu Luis Eduardo aos 20 anos. O deputado a teria abordado em abril de 1989, durante uma convenção do antigo PFL na qual ela trabalhava como recepcionista. Siméa diz que o deputado a abordou, deu-lhe um cartão de visita e ofereceu-lhe um emprego em seu gabinete.

Quatro dias depois, a moça já estava na folha de pagamento da Câmara. O romance começou na seqüência. Foram necessários apenas dois meses para que ela se mudasse para o apartamento funcional de Luis Eduardo. "O casal convivia de segunda a quinta-feira, relacionando-se afetiva e sexualmente, pois às sextas-feiras, geralmente, o investigado seguia para o seu estado, a Bahia", descreve José Alfaix, advogado do filho de Siméa.

O processo traz relatos de testemunhas que afirmam que a assessora morou com o chefe, a quem chamava de Luigi, até fevereiro de 1994. Naquele mês, Siméa engravidou. De acordo com sua versão, o deputado sugeriu que ela abortasse. Ela se recusou e voltou para a casa dos pais. Por ordem do amante, deixou de comparecer ao gabinete, mas continuou recebendo o salário do Congresso.

Suas testemunhas contam que Luis Eduardo, no entanto, jamais a deixou desassistida. "O deputado custeou o pré-natal e o parto. Quando o menino nasceu, impressionou a todos: era a cópia do pai", declara Ana Lúcia de Oliveira, amiga de Siméa. A ex-secretária do parlamentar, Marlene Vieira, é uma peça-chave no caso. Ela filmou o parto. A gravação foi anexada aos autos, mas Marlene, que hoje é secretária do senador ACM Junior, irmão de Luis Eduardo, não está entre as testemunhas.
Uma acreana na família Magalhães

Zeloso de sua imagem de homem público, o deputado evitou visitar a criança no hospital. Esperou para conhecê-la na casa dos pais de Siméa. Depois que a moça e seu filho se instalaram em um apartamento alugado, o casal rea-tou o romance. Três anos depois, o político engordou a renda do garoto concedendo dois aumentos à sua mãe. Uma testemunha afirma que, momentos depois da morte prematura de Luis Eduardo, o empresário João Carlos Di Genio, da Unip e do Colégio Objetivo, contou ao senador ACM que Luis Eduardo havia deixado um filho não registrado. Conforme esse relato, ACM convocou Siméa e disse-lhe: "Filho do meu filho é meu neto. Não se preocupe, pois o futuro financeiro e educacional do menino estará garantido". Para cumprir a promessa, aceitou-a como sua assessora. ACM Júnior, suplente do pai no Senado, manteve-a nos quadros do Congresso.

Siméa recebia do Erário um salário de 8.255 reais para ficar em casa cuidando do filho. Só foi demitida na última terça-feira, depois que VEJA instou o senador ACM Júnior a esclarecer o assunto. "Herdei essa situação. No momento em que tive a informação de que ela não freqüentava o trabalho, não tive alternativa a não ser exonerá-la", justificou. ACM Júnior manteve Siméa nos quadros do Senado mesmo depois que ela orientou seu filho a processar os Magalhães.

Nos autos, Siméa conta que planejava não reivindicar a herança da família. Ao contrário, pretendia esperar que o adolescente atingisse a maioridade para decidir se requereria ou não o nome e parte da fortuna do pai e do avô. Diz que mudou de idéia depois que leu notícias sobre a disputa entre os herdeiros oficiais de ACM pelo espólio dele, estimado em 345 milhões de reais.

Siméa Antun nasceu em Cruzeiro do Sul. Mudou-se com os pais aos seis anos de idade para Brasília, onde está há 33 anos. A repórter Sandra Brasil, de Veja, também é acreana, de Rio Branco.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

LOS PORONGAS NA USINA JOÃO DONATO



Los Porongas está de volta ao Acre para o lançamento do seu primeiro DVD. Gravado em São Paulo, reproduz fielmente a intensidade da banda ao vivo, reunindo canções próprias e uma versão para a música S.O.S, do grupo Capu.

- Após quase um ano de expectativa, estamos realmente satisfeitos com a qualidade do material produzido. Tivemos a oportunidade de registrar nosso show com o que há de melhor em termos de áudio e vídeo - afirma o entusiasmado Diogo Soares, vocalista da banda.

Los Porongas quer que o show de lançamento do DVD seja um momento de celebração entre a banda e todos aqueles que a acompanham no Acre.

- Não tem coisa melhor do que tocar em casa, ainda mais depois de tanta coisa boa que tem acontecido - acrescenta Diogo.

O show da banda Los Porongas será no próximo sábado, 27, na Usina de Arte João Donato, a partir das 20 horas.

Por enquanto, assista "Tudo ao contrário", do DVD Itaú Cultural:

PIADA DO SEMY

Do jornalista Antonio Alves:

- Semy Ferraz, diretor da empresa distribuidora de água de Rio Branco, é um sujeito muito bem humorado. Em meio à crise que a empresa atravessa, com greves e manifestações dos funcionários, além de acusações mútuas de sabotagem destes e os diretores, ainda consegue fazer piada - a cidade não tem água, mas Semy anunciou a lista de 21 bairros que ficariam sem água na quinta-feira por causa da limpeza de um reservatório.

"O EXTRATIVISMO ESTÁ FALIDO"

Derci Teles de Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, é alijada da “Semana Chico Mendes” por fazer avaliação crítica dos 20 anos após assassinato do seringueiro


A recondução de Derci Teles de Carvalho à presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri foi o fato mais marcante da organização desde que Chico Mendes foi assassinado com um tiro de espingarda há 20 anos.

Contrariando a hegemonia política do PT e do governo estadual, a ex-militante petista, agora filiada ao PV, conduz há dois anos e seis meses o sindicato que é tão famoso quanto o nome do seringueiro que o presidia quando tombou vítima de uma emboscada em sua própria casa.

Quando presidiu o sindicato pela primeira vez (1981-1982), antes mesmo de Chico Mendes, Derci Teles de Carvalho se tornou a primeira mulher no país a dirigir uma organização de trabalhadores rurais.

Na quarta-feira, dois dias após a abertura da Semana Chico Mendes, organizada no Acre para marcar os 20 anos da morte do seringueiro de Xapuri, a presidente do sindicato surpreendeu ao distribuir uma nota criticando a programação quando está em curso operação do Ibama para expulsar ocupantes ilegais da Reserva Extrativista Chico Mendes.

Contrariando apelos de Anselmo Forneck, gerente do Ibama no Acre, Derci Carvalho distribuiu a nota para lembrar que, após dezoito anos de criação da reserva, não existe política para que os seringueiros possam viver com dignidade exclusivamente da produção extrativista.

- A pecuária só se expandiu dentro da reserva extrativista por falta dessa alternativa de geração de renda. O extratitvismo florestal no Acre está falido - afirma Derci Carvalho com exclusividade ao Blog da Amazônia.

Por causa de manifestações críticas como essa, a ex-companheira de lutas de Chico Mendes foi alijada de todos os eventos organizados no Estado para marcar os 20 anos do assassinato do seringueiro.

Leia a entrevista no Blog da Amazônia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

DIÁLOGO COM O MESTRE ZUENIR

Em resposta à minha resposta no post "Mensagem do Zuenir Ventura", o velho amigo enviou a seguinte mensagem:

Meu Caro Altino:


antes de escrever um ensaio sobre a cegueira, você deveria escrever sobre glaucoma, que é o que tenho. Mas, em vez de ficar tão ressentido, você deveria ter dado uma bronca na hora:

- Não está me reconhecendo não, seu cegueta?

Tínhamos e temos intimidade para isso. De qualquer maneira, lamento não ter reconhecido uma pessoa de quem guardo tão afetuosas recordações, você sabe disso.

Quanto ao público, acho que você está fazendo pouco de minha história de 20 anos com essa bendita terra e esse generoso povo.

Amo e admiro o Laurentino, e acho que ele merecia lotar a sala, mas vamos convir que tenho mais tempo de janela aí.

Acho injusto comigo e com os que lá compareceram atribuir a gande afluência à "livre e espontânea pressão".

Será que foi por pressão que recebi tantas manifestações de afeto e que tive de dar tantos autógrafos?

Adoraria que, em vez de reclamar do que me foi exageradamente dispensado, você tivesse ficado contente pela acolhida ao seu velho amigo, mesmo que ele não mereça tanto.

Com um abraço amazônico, Zu.

P.S: Gostaria que você publicasse também a resposta à resposta, não acha? Até porque ela é igualmente amorosa.


Minha resposta:

Mestre Zu:


Claro que fico feliz pela merecida homenagem da qual você foi alvo. E queira me desculpar se pareci ressentido por não ter sido reconhecido por você em Goiás Velho ou com a enorme audiência acreana que o prestigiou.

Mas jamais ousaria uma bronca contra quem tanto estimo. Mesmo não tendo sido reconhecido quando falei com você naquele evento, fui tratado com o carinho habitual e isso me deixou feliz mais uma vez.

Quanto à Semana Chico Mendes, o que não acho justo é deixarem de fora das homenagens e até privarem de convite pessoas que contribuíram para a história da qual você conhece como poucos.

Nesta manhã, quando recebi e comecei a responder sua mensagem, estava de partida para Xapuri, com meu irmão buzinando o carro dele na frente de minha casa.

Fui fazer aquilo que aprendi com pessoas como você, há 20 anos, quando trabalhamos juntos em Xapuri. Passei três horas hoje na Fazenda Paraná com Darly Alves da Silva. A entrevista exclusiva está boa e será publicada no Blog da Amazônia.


Também entrevistei Derci Teles de Carvalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. Ela foi a primeira mulher a presidir um sindicato rural (1981-1982) no país.

É uma mulher valorosa, que dirigiu o sindicato de Xapuri antes de Chico Mendes, e foi reconduzida ao cargo. Ela me contou hoje com enorme tristeza ter sido ignorada de todos os eventos relacionados à lembrança do seu antigo companheiro de lutas durante a Semana Chico Mendes. Também entrevistei Derci.

- O extrativismo florestal está falido - sentencia ela na entrevista.

Estou um caco ao retornar para casa nesta noite, após a correria durante o dia. Mas acho que ainda tenho forças para tirar e publicar a entrevista dela.

Aceite um abraço afetuoso, velho cegueta.


E mestre Zu encerra o papo:

Altino querido: você não perde essa mania de continuar repórter, né? O bom é que pude abrir correndo minha coluna para introduzir pelo menos uma frase da Derci. E pra dizer, claro, que seu blog é o de maior prestígio do Acre. Pena que não tinha espaço para mais. Deixa eu mandar correndo. Bjs. Zu.

NA TERRA DE CHICO MENDES

Ministério Público Federal denuncia autoridades do "governo da floresta" por crimes ambientais

No ano em que o governo do Acre comete o paradoxo de festejar os 20 anos do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, o ex-secretário de Meio Ambiente do governo do Acre, Carlos Edegard de Deus, volta a ser denunciado por crime ambiental pelo Ministério Público Federal.

De Deus e a atual presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Cleísa Brasil da Cunha Cartaxo, emitiram de maneira irregular, dispensando o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e extrapolando a competência do Imac, seis licenças ambientais para a pavimentação da BR-317, também conhecida como Estrada do Pacíficio, que liga o Brasil ao Peru.

Leia mais:

Ministério Público Federal denuncia ex-secretário de Meio Ambiente do “governo da floresta”

Segundo o MPF, a principal irregularidade foi a dispensa do EIA-RIMA, previsto inclusive na Constituição Federal, negligenciado no intuito de facilitar a conclusão da obra. Edegard de Deus e Cleísa Cartaxo optaram por exigir um Plano de Controle Ambiental, o que contraria até as exigências constitucionais.

O seringueiro Chico Mendes, cujo assassinato completa 20 anos na segunda-feira, ficou famoso internacionalmente por exigir planos de mitigação de impactos ambientais para proteger a floresta, índios e seringueiros, quando começaram a asfaltar a BR-364, que liga Porto Velho (RO) a Rio Branco (AC).

Porém, seus companheiros do “governo da floresta” pouco se importam com esse aspecto da trajetória do seringueiro de Xapuri. Outra irregularidade cometida pelos dois gestores consistia na invasão da competência do Ibama, que seria o órgão competente para emitir licenciamento ambiental em obras públicas federais ou que impactem a natureza de forma significativa.

Leia mais no Blog da Amazônia.

MENSAGEM DO ZUENIR VENTURA

Meu caro Altino:

Estive às pressas em Rio Branco no projeto Sempre Um Papo e não te encontrei, como pretendia. Foi pena.

Queria botar o papo em dia e, quem sabe, ser levado de novo àquela experiência, lembra-se? Dessa vez, não ia fazer fiasco.

Abraço saudoso, Zuenir.


PS: Como sou "analfabite", levei uma surra para encontrar o seu endereço no Blog. Apertei antes todos os botões.


Minha resposta ao Mestre Zu:

Você viu como o "governo da floresta" é forte? Até o primeiro escalão dele estava lá por livre e espontânea pressão. O Acre é terra de muro baixo. Antes do galo cantar três vezes eu já sabia do seu espanto com tanta audiência. Lembra do quanto choveu na segunda-feira? Além disso, os confortáveis ônibus usados para formar platéia não passaram na minha rua. Nosso amigo Laurentino Gomes esteve aqui e, além de mim, havia apenas uns 30 gatos pingados. Quanto àquela experiência, valeria a pena. Dia desses, em Goiás Velho, encontrei com você num festival de cinema e vídeo. Não fui reconhecido, mas tivemos uma boa prosa sobre jornalismo. Foi muito divertido e eu deveria ter escrito um ensaio sobre a cegueira. Mas você, como sempre, esteve bem guiado no Acre por nossos amigos em comum. Volte sempre ao blog, para encontrar um Acre menos oficial. Abração.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

REPÚDIO DO SINDICATO DE XAPURI

Trabalhadores criticam a “Semana Chico Mendes”
do “governo da floresta" e operação do Ibama


O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri divulgou hoje uma nota na qual repudia as comemorações da "Semana Chico Mendes", organizada pelo Comitê Chico Mendes e governo do Acre, no momento em que o Ibama executa a operação "Reserva Legal".


A operação do Ibama é destinada a expulsar os ocupantes ilegais da Reserva Extrativista Chico Mendes, de quase 1 milhão de hecatres, onde mais de 45 mil hectares de florestas já foram transformados em pastagem para alimentar um rebanho bovino de 10 mil cabeças.

Leia mais:

PF e Ibama iniciam hoje operação para expulsar ocupantes ilegais da Resex Chico Mendes

Segundo o sindicato de Xapuri, não existe uma política que garanta renda para que os seringueiros possam viver com dignidade exclusivamente da produção extrativista dentro da reserva criada há 18 anos. Os trabalhadores dizem que a atividade pecuária "é um complemento de renda que tem sido utilizado pela grande maioria dos moradores".

Leia a íntegra da nota no Blog da Amazônia.

Recado do jornalista Edilson Martins: "Globonews, TV por assinatura, exibe hoje, dia 17, às 23 horas, hora Brasília -hora ingrata, diga-se- num primeiro momento, um resgate de Chico Mendes e sua luta em defesa da Amazônia. O programa já existe na grade da emissora - Arquivo N - e quase sempre produz interessantes resgastes e revisitações históricas corretas. Pertence ao pequeno nicho de coisas palatáveis e pertinentes da TV brasileira. Não participei da edição, mas cedi praticamente todo o material a ser exibido. Não vi o resultado final, portanto. É possível até que exibam alguns depoimentos meus, o que pode ser desastroso e no mínimo entediante. A Globo, por generosidade, acaba de me informar outros horários dessa exibição: amanhã, quinta-feira, dia 18, às 11h30 e 17h30; sábado, dia 20, às16h05; e domingo, dia 21, às 21h05. Desculpas pelo enfado e invasão de domicílio".

IRREALIDADE ACREANA

O calvário de Chico Mendes não tem fim

Algumas perguntinhas porque estive presente como repórter e escrevi (leia) a respeito do fato:


Qual o resultado da reabertura do caso Chico Mendes, solicitada pelo Comitê Chico Mendes e ordenada pelo então governador Jorge Viana, em abril de 2003?


Por que o Comitê Chico Mendes e o governo do Acre agora silenciam a respeito disso, quando "festejam" os 20 anos do assassinato do seringueiro?

Por que não prenderam até hoje Jardeir Pereira, o "Mineirinho", pronunciado no processo do caso Chico Mendes como co-autor do assassinato?

Por que não deram o apoio necessário quando o delegado Walter Prado, então diretor da Polícia Civil, se dispôs a buscar Mineirinho no Pará?

O secretário de Segurança era Fernando Melo, atual deputado federal pelo PT.

O crime de "Mineirinho" prescreverá no dia 21 de dezembro, pois foi cometido antes da alteração na legislação que passou a suspender o prazo prescricional em caso de fuga do acusado.

Parem a chuva de medalhas e diplomas e contribuam para que prevaleça a justiça e não a impunidade.

Tenho um amigo doutor. Ele não é acreano. Mas está de volta ao Acre para trabalhar. Vem com a mulher e um filho adolescente.

Conversou com mais de 10 amigos em comum, todos do alto escalão do "governo da floresta", para saber a respeito da qualidade do ensino no Estado.

Os amigos foram unânimes em dizer que o Acre viveu um verdadeira revolução na qualidade do ensino desde que assumiram o poder.

Também foram unânimes em responder que o ensino público é maravilhoso, mas que seus filhos estudam todos em escolas particulares.

Por último, o doutor procurou outro amigo nosso que tem sólida formação humanista, pofessor, filósofo e poeta. Este recomendou-lhe que deveria matricular o filho no colégio A, caso quisesse para ele elevada percepção crítica. Ou no colégio B, caso quisesse o filho preparado para competir no mercado.

- Os seus filhos estudam no A ou no B?

- Todos no B, companheiro.

Ah! Encontrei no mercado Elias Mansour uma rodinha formada, entre outros, por Dudé Lima, Zezé Gouveia e Marinho Galo. Ainda fococavam a respeito daquela entrevista na qual o ex-governador Jorge Viana chorou ao ser entrevistado pela Gazeta sobre Chico Mendes.

Um dentista que estava na roda soltou essa:

- Meu pai morreu faz cinco anos e eu não consigo derramar uma lágrima pelo velho. Faz 20 anos que o Chico Mendes morreu e o Jorge se derrama toda vez que fala o nome dele. É impressionante.

Atenção: a caixa de comentários para anônimos está aberta. Comportem-se.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

É ASSIM QUE SE FAZ FORTUNA NO ACRE

Outro modo fácil vem da corrupção na máquina pública

A Polícia Federal apreendeu na quarta-feira 39 quilos de cocaína que estavam escondidos dentro de sacos de farinha numa balsa no município de Eirunepé (AM).

A balsa, que partiu do município de Cruzeiro do Sul (AC) com destino a Manaus (AM), transportava 20 mil sacas de farinha.

As sacas foram revistadas e em algumas delas foi encontrado entorpecente escondido entre a farinha. Nelas havia a inscrição “ExSxA”, indicando que a postagem fora feita pela mesma pessoa.

Após a apreensão da cocaína, foi identificado e preso em flagrante, em Cruzeiro do Sul, o agricultor R.M.S., 37. Segundo a PF, ele é o responsável pela remessa da droga e já foi encaminhado ao presídio.

Será que alguém pode ter plantado a cocaína no meio da carga dele, a pedido do comprador?

PEDRO PAULO

Juiz do caso PC Farias é condenado no Acre como litigante de má-fé

O juiz federal aposentado e advogado Pedro Paulo Castelo Branco Coelho, que ficou famoso no país ao atuar nas apurações das denúncias contra PC Farias e o ex-presidente Fernando Collor de Melo, foi condenado pela juíza Olívia Maria Alves Ribeiro, da 4ª Vara Cível de Rio Branco, como litigante de má-fé em processo movido pelo Sinpcetac (Sindicato dos Policiais Civis do ex-Território do Acre).

O advogado acreano, que chefia escritório em Brasília e leciona na UnB, é acusado de ter se valido de mecanismos ilegais para se apropriar de R$ 1,6 milhão. Ele recebeu esse valor como pagamento de supostos honorários advocatícios decorrentes da liberação de R$ 13,6 milhões de Gratificações de Operações Especiais (GOE) pagos pela Delegacia de Administração do Ministério da Fazenda.

Na sentença publicada na edição do dia 5 de dezembro do Diário da Justiça, a juíza Olívia Ribeiro determina que Pedro Paulo Castelo Branco Coelho devolva os valores sacados irregularmente, pague as custas processuais e os honorários advocatícios. Litigante de má fé é aquele que age de forma maldosa, com dolo ou culpa, causando dano processual à parte contrária.

A juíza constatou que o juiz aposentado, a título de pagamento dos honorários, sacou dinheiro da conta dos aposentados, mediante autorização assinada em branco. Segundo ela, não houve qualquer atuação de Pedro Paulo como advogado para que o dinheiro fosse depositado na conta dos ex-policiais.

- Desta forma, dessume-se que o ato praticado pelo Réu foi ilícito e contrário à moral, visto que os Autores assinaram papéis em branco, em forma de adesão, confiando no nome do Réu e talvez em sua reputação, já que se tratava de um de magistrado federal, com larga experiência na ciência do direito. A presente ação nada mais é que a prova da ilicitude; é a irresignação dos Autores que, já em idade avançada, agiram de boa-fé e levaram um susto ao perceber o débito em favor do Réu em seus contra-cheques.

Leia mais no Blog da Amazônia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

DARLY É O SEU PRÓPRIO EXCREMENTO

Moisés Diniz


Eu hoje vou sujar meu diário na internet. Vou começar postando a foto de um canalha, um criminoso que suja qualquer lugar que abrigue sua imagem, sua voz, seu passado de sangue.

Depois vou dizer uns palavrões contra esse gângster, esse parasita da Amazônia, esse patife que invadiu Xapuri e derrubou suas belas matas.

O canalha foi ao Fantástico e disse que “Chico Mendes ninguém matou, quem se matou foi ele mesmo”. O criminoso Darly Alves, que jamais será considerado acreano, continua vivo. E Chico morto...

Nesse instante o canalha cuida de seus milhares de reses, em prisão domiciliar, alegando um hospital de doenças. Tem mais enfermidades sobre o seu corpo do que sobre o corpo de Lúcifer.

Deve ter também algumas incuráveis enfermidades da alma, tamanha a maldade que ele fez contra o filho mais simples das colocações e dos remansos milenares.

Darly Alves é como uma pústula num corpo sadio, não sara enquanto não se usa o bisturi para arrancá-lo do convívio social. Agora ele convive com bois, vacas, touros, bezerros e reses.

Como uma doença incurável, ele contamina o ambiente e mata os inocentes que não conhecem a podridão de sua alma. Ele é esterco que ninguém quer na sala, no jardim.

Darly Alves insulta a memória de Chico Mendes e insulta o Acre com a sua opinião apodrecida. Darly Alves não deve ter o direito ao contraditório. A democracia não deve proteger os criminosos confessos que, mesmo depois de ter o crime confessado, provado e julgado, ainda zombam da morte e da dor.

O canalha ainda ri, pedindo que alguém escreva a sua história de sangue. Como se estivesse protegido por demônios, diz que Chico Mendes foi o culpado pela sua própria morte.

A justiça acreana deve imediatamente retirar das ruas esse criminoso. Se ele precisa de tratamento de saúde, que seja dado dentro de uma cela, como é feito com Hildebrando.

Darly Alves zombou do sofrimento dos familiares de Chico Mendes, riu de tudo que o Acre construiu nesses últimos vinte anos. O patife jogou fezes no rosto de todos nós. E ninguém diz nada?

Darly Alves é um canalha da podridão em que se transformou a destruição das riquezas na Amazônia. Ele chegou aqui, desposou mulheres acreanas, derrubou as nossas árvores, poluiu nossos igarapés, afugentou nossos pássaros, aniquilou as espécies indefesas, fez fortuna e matou um homem.

E ainda ri e culpa quem está morto. E tudo segue normal. Não há nenhuma indignação? Vai ficar assim mesmo? Que sentido tem tudo que está sendo feito, nos vinte anos da morte de Chico Mendes, com esse criminoso solto?

Como um gângster de um filme de terror usou o próprio filho para consumar o crime. Um monstro que levou sangue às mãos do filho que poderia salvar da desumanidade e da cadeia.

Seu sorriso que provoca dor não vai calar a infâmia que ele cometeu. Não tem perdão. E não perdoar um criminoso que insiste em defender o próprio crime não nos fará menores, menos humanistas.

Perdoaremos quem pede perdão. Darly Alves insiste em que não cometeu crime, matou um homem inocente e diz que o culpado é o morto. “Chico Mendes ninguém matou, quem se matou foi ele mesmo”.

A Darly Alves nenhuma trégua, nenhum falso sentimento religioso, nenhuma inocente argumentação dita humanista. O assassino de Chico Mendes foi ao programa de televisão mais poderoso do Brasil para zombar da morte de quem ele mesmo exterminou e ri, como uma hiena, da dor da família e dos amigos.

Por isso a justiça deve agir. As palavras de Darly Alves, no Fantástico, demonstram que ele é extremamente perigoso, que é um bandido sem remorso, sem nada dentro da sua alma de condenado.

Darly Alves deve imediatamente voltar ao buraco de onde saiu, uma cela no presídio e um psicanalista para estudar a sua alma de monstro. Esse apelo precisa crescer como uma onda na sociedade.

Pois quem assistiu as suas declarações ficou com a impressão de que o Acre não passa de um lugar perdido no meio da floresta, onde o animal mais feroz cultiva o hábito de circular no asfalto.

E não é assim, não podemos permitir que declarações apodrecidas e criminosas como essas fiquem no esquecimento e no córrego do senso comum.

Precisamos dar uma demonstração de que a declaração de Darly Alves é uma afronta à vida, ao povo do Acre, às instituições e, mais precisamente, uma ameaça aos homens e mulheres que respiram aliviados quando vêem monstros assim indo para a cadeia.

Como eu dizia, hoje vou sujar meu diário na internet. É que insisto em afirmar que todas as fezes dos presídios da Amazônia não fedem tanto quanto as declarações de Darly Alves.

Darly Alves é o seu próprio excremento!

O deputado estadual Moisés Dinizs (PC do B) é líder do governo na Assembléia Legislativa do Acre e escreve no blog Ecos Socialistas.

Meu comentário: quero ver a reação de todos aqueles que estão empenhados na campanha "Chico Mendes Vive!". A Assembléia Legislativa e o "governo da floresta" vão silenciar? A OAB e o Sindicato dos Jornalistas do Acre também? Cadê o Comitê Chico Mendes?

POUPEM-ME

Nada a comemorar diante dos resultados dos prêmios Chico Mendes, do Governo do Acre, e Chalub Leite, do Sindicato dos Jornalistas.

O Prêmio Chico Mendes, por exemplo, jamais reconheceu a importância do sertanista Antônio Luís Batista de Macedo, que teve papel destacado na criação da Reserva Extrativista do Alto Juruá.

Convidado por Chico Mendes para organizar os trabalhadores do Juruá, Macedo enfrentou a sanha de patrões e narcotraficantes daquela região no final dos 1980.

Chegou a ser agredido fisicamente pelo ex-governador Orleir Cameli, adversário histórico de índios e seringueiros. Na atualidade, Cameli é quem é alvo freqüente de diversificadas honrarias do "governo da floresta".

Em 1991, o jornalista Antonio Alves presenciou, em Marechal Thaumaturgo, um sujeito conhecido por He-man apertar o gatilho de um revólver três vezes, quase a queima-roupa, contra o peito de Macedo.

A arma falhou. Pertencia a um policial civil que estava bêbado durante o plantão na delegacia da cidade. O pai de He-man fora expulso da reserva porque era dono de uma plantação de epadu e de um laboratório de refino de cocaína.

Durante a confusão, Toinho levou um murro na cara, aplicado pelo policial que cedera a arma a He-man. Tentou revidar, mas foi contido pela turma do deixa disso. Argumentou que era da paz, que não gostava de briga. Tão logo o soltaram, acertou um soco mais potente na cara do tira.

Pois bem, os agraciados pelo Prêmio Chico Mendes são selecionados por uma comissão controlada pelo governo estadual. Jamais premia a quem ousa alguma crítica aos ditames da florestania. É por isso que Osmarino Amâncio, ex-companheiro de Chico Mendes, jamais será premiado.

E o Chalub Leite de Jornalismo? Simplesmente negou premiação a Gleilson Miranda, autor da melhor foto do ano - a dos índios isolados, na fronteira Brasil-Peru, atirando flechas contra o avião da expedição comandanda pelo sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior.

As fotos dos índios isolados causaram perplexidade mundial desde quando foram publicadas pela primeira vez, no final de maio, neste blog e em Terra Magazine. Embora tenha sido uma das imagens mais impactantes de 2008, os jurados preferiram premiar uma foto posada.

Outra surpresa foi o prêmio de jornalismo on-line. A repórter Dulcinéia Azevedo, que expôs pela primeira vez o drama das vítimas do DDT no Acre, foi preterida por uma matéria lubrificada com babosa sobre o festival da etnia yawanawá.

Premiaram até matéria insossa, sem o mínimo ineditismo, sobre fogão que gera energia elétrica. Acontece que o fogão BMG Lux queima lenha da florestania e o governo estadual é o maior cliente da fabricante, uma empresa que pertence ao Grupo BMG, que financiou o valerioduto do mensalão.

Tenho a impressão de que a lista está ficando cada vez mais reduzida e em breve faltará gente para receber o Prêmio Chico Mendes. Com o Prêmio Chalub Leite será diferente, pois os premiados são basicamente os mesmos todos os anos, o que nos dá a ilusão de que temos imprensa no Acre.

Na verdade as duas premiações não têm o menor valor, além daquele de cristalizar o ego de quem gosta disso. Ambas estão circunscritas ao nosso provincianismo, onde a moda é cobrir uns aos outros de medalhas, espadas, insígnias, diplomas etc.

Como no Acre tudo pode acontecer, poupem-me.

Atualização: A Secretaria de Patrimônio da União doou um terreno que mede 15m x 30m, na Travessa da Comara, Via Chico Mendes, onde será construída a sede do Sindicato dos Jornalistas.

E Aníbal Diniz, assessor do governador Binho Marques, telefona para tranquilizar-me em relação ao Antonio Macedo.

- A lista dos que merecem a premiação é longa, mas pode ter certeza que o Macedo será premiado antes que você.

A essa altura já devem tê-lo incluído na premiação deste ano. É esperar pra ver.

domingo, 14 de dezembro de 2008

GERALDO VANDRÉ - ENTREVISTA

Leandro Colon, do Correio Braziliense


Aos 73 anos, Geraldo Vandré afirma que não sabe quem é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, a política brasileira depois do AI-5 não existe mais. “Naquele tempo eu não tinha presidente. Agora você tem, não tem? Eu não tenho. Quero ficar longe dessa realidade que você está”, disse o autor da música Disparada numa conversa de 40 minutos por telefone na terça passada.

Ele também reclama do uso público de suas músicas hoje em dia: “Como tudo mais que as pessoas usam como querem e não pagam nada para ninguém”. E nega que tenha feito música de protesto ao regime militar. “Era uma crônica da realidade, talvez”.

O AI-5 não só encerrou a carreira de Vandré no Brasil, como o transformou num homem solitário, longe dos palcos, recluso num mundo particular, muitas vezes chamado de paranóico pelos amigos. Um mundo com frases desconexas quando fala do presente, mas lúcidas e irônicas ao tratar do passado. Quem foi Vandré? “Foi um artista, uma pessoa que fazia música, arte, canção popular”, diz ele, para logo provocar: “Pergunte ao governo quem foi Vandré”.

O paraibano e advogado Geraldo Pedrosa de Araújo Dias (Vandré era uma homenagem ao pai) vive em São Paulo, num pequeno apartamento no centro da cidade. Mas não é fácil encontrá-lo em casa. Nos últimos dias, disse estar cuidando da saúde num lugar incerto. É aposentado pelo Ministério da Fazenda, por ter trabalhado na extinta Sunab antes de 1968.

O que isso significou o AI-5 na sua carreira?
Eu parei ali. Acabou a carreira. Não tive mais carreira.

Por que optou por essa reclusão e não voltou mais a cantar?
Porque é outro país, não é o meu. Mudou demais. Naquele tempo não tinha presidente. Agora você tem, não tem? Pois, bem. Eu não tenho. Não tinha e continuo não tendo. Eu tenho outras coisas a fazer, eu fui expulso do serviço público por causa dessa canção (Para não dizer que não falei das flores). O que você chama de governo cobra impostos sobre o meu crime. Sou advogado, de outra época, do tempo em que se estudava leis nesse país. Antes havia lei e se estudava leis.

Quem foi Geraldo Vandré?
Um artista que fazia música brasileira, canção popular.

O senhor acha que os jovens de hoje deveriam saber quem foi Geraldo Vandré?
Você deveria perguntar isso para o governo deles. Você não tem governo? Pergunta para o governo quem foi Geraldo Vandré.

Os amigos dizem que o senhor se fechou.
Quem tem mundo particular tem, quem tem não tem.

E o show em Brasília, nunca aconteceu?
Não.

O que o senhor diria para o pessoal que o aguardava para aquele show?
Vou fazer um dia esse show. Isso vai ocorrer no seu tempo.

E hoje, continua compondo?
Estou fora de atividade comercial. Eu estudo música, tenho uma canção que escrevi para a Força Aérea, Fabiana, mas que não foi gravada comercialmente.

No passado, o senhor negou que tivesse sido preso ou torturado. É isso mesmo?
Essa é a realidade. Vocês querem a do sofrimento. Não vende jornal não, né?

O senhor tem músicas guardadas?
Isso é secundário.

O que é fundamental na sua vida?
Ficar longe dessa realidade que você está.

E quando o senhor ouve a sua música, o que sente?
Quando ouço, gosto do que fiz.

Para não dizer que não falei das flores é uma música de protesto?
Não existe isso. Tenho que fazer música, interpretar e fazer crítica de arte? Não é música de protesto, é música brasileira. É uma crônica da realidade, talvez.

A música ajudou a estimular o AI-5?
Não sei, aí tem que perguntar para aqueles que são os responsáveis pelo AI-5.

O que o senhor acha do presidente Lula?
Não conheço.

Por que adota essa postura de dizer que não existe governo?
Porque não sou filho de revolução. Não tenho nada a ver com isso.

O que o senhor ouve hoje em dia?
Eu estudo música, faço escala. Estudar música é uma coisa só. É o exercício de pegar um instrumento e praticar.

E televisão?
Quase nada, só jornal, alguma coisa disso.

Sente saudade dos anos 1960?
Tenho muita coisa para fazer, não dá tempo de sentir saudade.

Em 1968, o senhor criticou as vaias para o Chico por ganhar Sabiá. Mantém essa posição?
O que falei que não tinha cabimento vaiarem o Chico, só isso.

Como o senhor vê sua música até hoje sendo tocada e cantada nos bares, inclusive por jovens?
Como tudo mais que as pessoas usam como querem e não pagam nada para ninguém.

O senhor já foi votou para presidente?
Sim.

Em quem, pode revelar?
Sim, em João Goulart para vice-presidente e no marechal Lott para presidente, em 1960.

Depois disso, nunca mais votou?
Nunca mais votei para presidente.

Qual seu compositor preferido?
Temos compositores excelentes, mas atualmente não conheço nenhum.

E do passado, quem seria excelente?
Tinham muitos, Chico, Vinicius, Tom, Baden.

O Naná diz que o senhor queria fazer guerrilha com o violão?
Meu caminho não é esse, não, nunca foi.



Leia mais no Correio Braziliense.

sábado, 13 de dezembro de 2008

FÁCIL DE LEVAR


Ou sanduíche de carneiro sem capacete. Foto da blogueira Nattércia Damasceno.

ARQUITETURA E SAÚDE




Depois a gente esmaga a casinha de barro, mistura com azeite e passa na papeira de quem está dodói.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

MAIS UMA CEDE AO ACESSO GRATUITO

Do IDG Now!

Revista Veja abre conteúdo na internet

A Veja vai abrir seu conteúdo gratuitamente na internet. A partir de segunda-feira (15/12), os internautas poderão navegar entre 350 mil páginas de conteúdos produzidos em 40 anos de publicação.


O acervo digitalizado oferece aos internautas reportagens de capa, entrevistas e anúncios em ordem cronológica ou usando o sistema de busca da revista, que inclui filtros por temas pela "Busca Sugerida" ou pelos conteúdos mais lidos.

A iniciativa é similar à abertura de conteúdos de publicações como a Life Magazine, que anunciou em meados de novembro a digitalização de 10 milhões de imagens e fotos da revista - muitas delas nunca antes publicadas - em suas páginas do Google Image Search.

PARA ELA




VIVA!


Estou de volta ao conforto da rede, após ter apreciado a chuvinha fina da manhã inteira. Continuarei a leitura de "La Estrella Solitaria", de Alfonso Domingo (veja), que fez a gentileza de enviar de Espanha um exemplar com a seguinte dedicatória: "Para Altino Machado, com um fuerte abraso amazonico y solidario. Viva Acre!".

Além disso, a noite desta sexta-feira proporcionará um espetáculo raro às pessoas (leia) que gostam de admirar a Lua. O satélite poderá ser visto em um tamanho maior e muito mais brilhante devido à máxima aproximação com a Terra, algo que não acontecia há 15 anos.

Em tempo: ponto para o senador Tião Viana que manifestou ao escritor espanhol a sua disposição de possibilitar que
"La Estrella Solitaria" seja traduzido para o português e impresso na Gráfica do Senado.

RUY DUARTE ENTREGA AS ARMAS


O advogado Ruy Alberto Duarte compareceu hoje à sede da Superintendência da Polícia Federal no Acre para fazer a entrega de suas armas para a campanha de desarmamento.

Gaúcho e ex-oficial do Exército, Duarte ficou famoso nacionalmente quando foi citado no livro "Brasil: Tortura Nunca Mais" e, mais recentemente, pela declaração que fez ao Jornal Nacional, da Globo, quando advogou nos tribunais eleitorais pela impugnação da candidatura à reeleição do então governador Jorge Viana.

- É melhor defender o crime organizado do que o crime desorganizado - alegou na ocasião.

A assessoria de imprensa da PF informa que Duarte é colecionador de armas. Ao entregar as armas ao superintendente, Luiz Cravo Dórea, e ao delegado Flávio Avelar, Duarte revelou que algumas eram herança de seu pai, mas que entendia a importância da campanha de desarmamento.

A campanha segue até o dia 31 de dezembro e, segundo a lei, todos devem regularizar sua situação, efetivando o registro ou entregando as armas. Após essa data, quem for flagrado portando armas de fogo sem porte ou registro poderá ser preso.

A PF torce para que outros colecionadores e contrabandistas de armas do Acre sigam o exemplo do advogado, que há vários meses está com a saúde abalada.

OAB DO ACRE FAZ ESCOLA

O Acre está indiretamente ligado ao escândalo do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, cujos desembargadores presos anteontem na Operação Naufrágio são acusados pelo Ministério Público Federal transformarem a instituição num "balcão de negócios".

Entre os presos está o advogado Paulo Guerra Duque, filho do desembargador Elpídio José Duque, que obteve registro na OAB do Acre no dia 22 de setembro de 2006, quando a seccional era presidida por Adherbal Maximiniano Corrêa.

Escutas telefônicas e investigações feitas pela Polícia Federal revelaram a venda da concessão de uma liminar para reconduzir ao poder o prefeito de Pedro Canário (ES), Francisco José Prates de Matos (PMDB), afastado em 2007 sob acusação de ter fraudado licitações.

Paulo Guerra Duque teria sido o intermediário da venda da decisão pelo desembargador Josenider Varejão Tavares no valor de R$ 43 mil. Tavares já teria recebido R$ 20 mil do valor total do suborno. Ambos estão presos sob a acusação de participar da quadrilha.

O registro de Paulo Guerra Duque na OAB do Acre tem o número 2955. Florindo Poersch, presidente da OAB-AC, está sendo procurado pela imprensa capixaba para dar explicações.

Leia mais na Folha de Vitória.

DUAS ACREANAS


Esta semana Gloria Perez deu uma passadinha no estúdio para conferir como andam as gravações e ficou encantada com a caracterização e o figurino de Brendha Haddad, a Rani de Caminho das Índias.

- Ela está linda! - elogiou a autora, que não resistiu e tirou uma foto ao lado da atriz.

Leia mais no blog Caminho das Índias.

GRANDE HELENO

Assembléia Legislativa concede hoje o título de cidadão acreano a algumas pessoas. Lembrado pelo deputado Delorgem Campos, mas avesso a honrarias e solenidades, o baiano Heleno Araújo, quem mais conhece sobre tecnologia da informação no Estado, justifica-se:

- Preferí me desculpar e dizer que há 33 anos já sou acreano de fato, de direito e de coração. Além do mais, o Acre me proporcionou muito mais do que mereci nestas três décadas. Para mim, o reconhecimento dos amigos é muito mais gratificante do que um diploma. Até hoje me lembro de seu artigo (carinhoso para comigo), escrito a long time ago, quando, com o entusiasmo, ajuda e incentivo de amigos como você, integramos o Acre na aldeia global, a um custo e sacrifício quase insuportáveis para a época. Lembra-se? Você me comparou a Luiz Galvez, que sofreu e fez muito mais que pobres mortais como nós.

Eis a carta enviada por Heleno Araújo ao parlamentar:

"Caro Amigo Deputado Delorgem Campos,

Agradeço de coração seu interesse em prestar esta homenagem a minha pessoa. No entanto, há exatos 33 anos já sou acreano!!!. Diferente de Jesus, que viveu um calvário para nos salvar em sua existência aqui na terra há cerca de 2 mil anos atrás, estes 33 anos de Acre foram todos, sem exceção, de felicidade junto à minha família que trouxe da Bahia para cá, junto aos inúmeros amigos que conquistei aqui. Felizmente nenhum inimigo !!!.

Aqui, juntei-me numa espécie de simbiose à família do velho Barão, o Professor de História e Ex-Governador Geraldo Mesquita. Sempre que penso no Barão, me vem à mente o seu caráter, honestidade e outras virtudes tão escassas hoje no mundo. Meu pai Enedino, um artesão baiano, infelizmente já falecido, também com muitas virtudes, me deu 2 livros durante sua vida, não contando obviamente os escolares. Um foi a Bíblia Sagrada que dispensa comentários. O outro, foi um livro chamado Colunas do Caráter, publicado em 1957, pelo Dr. Siegfried Julio Schwantes, um PhD pela Johns Hopkins University e que era para mim, uma espécie de livro de cabeceira. Até hoje me pergunto onde o meu saudoso pai, morando no interior da Bahia, na década de 1950, teria encontrado este livro. Sem ter feito o primário completo, hoje, (antes tarde do que nunca !!!), reconheço que meu pai, além de um exímio artesão, era um sábio!.

As qualidades, como o caráter que herdei do meu saudoso pai, as virtudes de D.Loura, minha mãe, ao carinho, respeito e amor dos meus 2 irmãos Carlos Alberto e Genivaldo e minhas 5 irmãs Ana, Virgínia, Norma, Heliana e Heloísa, somadas às virtudes que absorví na convivência com a família do Prof. Geraldo Mesquita , moldaram minha vida aqui no Acre. Minha contribuição para esta terra e para o seu povo foi modesta. Foi mais uma consequência de um trabalho apaixonado, exercido com honradez e desprovido de ambições financeiras, que desenvolví ao longo de minha vida acreana. Por outro lado, o nosso Querido Acre me proporcionou muito mais do que fiz por esta terra e pelos nossos irmão acreanos e muito mais do que mereço.

Tenha a certeza Caro Delorgem, que só pelo fato de você ter se lembrado de minha pessoa e do pouco que fiz por esta terra, já me considero HOMENAGEADO!

Já sou Acreano assim como minha esposa Maria Adízia, filha do Prof. Geraldo Mesquita e irmã do Senador da República Geraldo Gurgel de Mesquita Jr, e meu filho Gabriel de 17 anos, nascido na Maternidade Bárbara Eliodora.

Avesso à solenidades e honrarias, prefiro o reconhecimento dos amigos como você , do que um diploma compartilhado com outros homenageados com esta honraria. Não se sinta desprestigiado com esta minha recusa em participar desta solenidade, pelo contrário, tenha a certeza que o reconhecimento de amigos e pessoas honradas como você, me dignifica muito mais do que um título que vem sendo concedido(não por você) quase que de forma banal a alguns merecedores e outros nem tanto!!! Seu reconhecimento portanto, reforça meu amor, minha alegria e minha felicidade em ser um ACREANO, de fato, de direito e de coração!!!.

Um grande abraço,

Heleno Araújo"

REFORMA TRIBUTÁRIA AMBIENTAL

Anselmo Henrique Cordeiro Lopes

Os sistemas tributários das mais diversas nações surgiram com o escopo maior de captar riqueza e financiar gastos do soberano ou do Estado. Posteriormente, com o aumento da ingerência do Estado na economia, o tributo ganhou um novo objetivo: incentivar ou desincentivar atividades econômicas. Assim, a tributação passou a ser instrumento de intervenção estatal no domínio econômico. No meio jurídico, diz-se ter surgido a extrafiscalidade na tributação, que corresponde à superação da fiscalidade (do mero intuito arrecadatório, financeiro) em direção à busca doutros objetivos econômicos.

Recentemente, porém, percebeu-se que a tributação extrafiscal estava sendo subutilizada, porquanto diversos fins não-econômicos poderiam ser alcançados por meio do instrumento tributário; entre eles, a proteção do meio ambiente. Foi o momento em que surgiram os tributos verdes em diversas legislações européias e um novo ramo jurídico: o Direito Tributário Ambiental.

No Brasil, a tributação ambiental, assim entendida como aquela guiada pela “extrafiscalidade ambiental” (tributar para influenciar a adoção de atividades econômicas ambientalmente adequadas), ainda é bastante tímida. Sequer havia, até pouco tempo, a consciência da necessidade de utilizar a tributação como meio de efetivação do direito difuso ao meio ambiente. A PEC 233/2008, que consubstancia a proposta de Reforma Tributária do Governo Federal, sequer cogitou do tema. Essa omissão precisa ser corrigida, pois não há momento mais adequado para a reformulação do sistema tributário com o fim ambiental do que o da discussão e aprovação da Reforma Tributária do país.

Atentos a essa realidade, Procuradores da República e Promotores de Justiça que batalham pela preservação ambiental na Amazônia lançaram, em setembro deste ano, o “Manifesto em Defesa da Reforma Tributária Ambiental”. No Manifesto, não se sugeriu a criação de novos “tributos verdes”. Em vez disso, defendeu-se a introdução da finalidade ambiental nas entranhas dos tributos existentes hoje no sistema tributário brasileiro. A idéia central é a de que produtos e atividades ambientalmente adequados devem ter carga tributária minorada, enquanto que as atividades e os produtos inadequados sob o ponto de vista ambiental devem ser desestimulados por meio de tributação majorada. O grau de aumento ou diminuição do peso tributário deve ser proporcional aos benefícios ou prejuízos ambientais por eles gerados. No final das contas, porém, a carga tributária global deve permanecer a mesma.

Entre as propostas do Manifesto, estão: a instituição da seletividade ambiental no IPI, no novo ICMS, no IVA-F, no II e no IE; a criação de imunidades tributárias para produtos anti-poluentes; a tributação diferenciada de atividades econômicas na Amazônia Legal; a dedução de áreas verdes da base de cálculo do ITR e do IPTU; o tratamento diferenciado, no campo do IPVA, dos veículos movidos a combustíveis não-poluentes ou menos poluentes; a constitucionalização do “ICMS Ecológico”; a repartição do Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios (FPE e FPM) de acordo com critérios ambientais.

Diversos deputados e senadores já aderiram às propostas resumidas no Manifesto. Se vier a se tornar realidade, a Reforma Tributária Ambiental será um marco histórico na luta pela preservação ambiental na Amazônia e no Brasil.

Anselmo Henrique Cordeiro Lopes é chefe da Procuradoria da República no Acre. Clique aqui para assinar o manifestar apoio ao manifesto em defesa da Reforma Tributária Ambiental.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"REDE LIVRE"

Governo do Acre oferece acesso gratuito à internet nos moldes de Cuba e China


Por causa do excesso de carros, é crescente minha aversão ao centro de Rio Branco. Mas compromisso é compromisso. Peguei celular e notebook e fui cedinho ao centro. Lá, quando tentei acessar a internet, me dei conta de que havia esquecido em casa o modem ADSL USB 3G.

Havia um sinal wireless da Biblioteca Pública e quando tentei acessá-lo abriu um spot que orientava a fazer um cadastro, a partir do qual obteria, gratuitamente, login e senha. Atravessei uma rua e logo fui muito bem atendido.

Mas fiquei decepcionado ao acessar a "rede livre" do governo estadual. Tive a sensação de estar em Cuba ou na China. Constatei que na tal "rede livre" estão bloqueados acessos ao Gmail, Bol, Yahoo, Hotmail...

É mais uma vitória da burocracia contra o bom senso. E eu queria apenas acessar minha conta no Gmail e moderar alguns comentários enviados ao blog. Necas de pitibiriba.

Da próxima vez que esquecer meu modem, espero que já esteja funcionando a rede livre da Assembléia Legislativa do Acre. Os equipamentos estão sendo instalados e o sinal estará disponível num raio de mil metros no entorno do prédio.

- Pode anunciar que a nossa rede será realmente livre: não exigirá cadastro e nem haverá bloqueio a qualquer conteúdo da web - promete João Roberto Braña, assessor de imprensa da Casa.

Foto: Davi Sopchaki

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ANSELMO "BABACA" FORNECK


O gerente do Ibama no Acre, Anselmo Forneck, tem sido criticado na Assembléia Legislativa pelos opositores do "governo da floresta" por causa da operação destinada a expulsar ocupantes ilegais da Reserva Extrativista Chico Mendes.

Na segunda-feira, durante a solenidade de diplomação do prefeito e dos vereadores de Rio Branco, no Teatro Plácido de Castro, Forneck avistou o presidente da Assembléia, deputado Edvaldo Magalhães (PC do B).

- Edvaldo, por que vocês não me convocam para que possamos fazer o debate correto?

- Porque nós, aliados do governo, vamos ter vergonha do que você vai falar. Você é um babaca, Anselmo.

Desconcertado, Forneck ainda foi acusado de ter contribuído para a ocupação ilegal da Resex Chico Mendes ao deixar de fiscalizá-la.

- Alguém precisa assumir e ser responsabilizado pelo erro, sobretudo agora, quando existem ocupantes sendo injustiçados pela incompetência do Ibama - acrescentou o parlamentar.

FAMÍLIA CHICO MENDES


A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou o pedido de anistia política de Chico Mendes. A viúva do ambientalista, Ilzamar Mendes, receberá uma indenização retroativa de R$ 337 mil, além de R$ 3 mil mensais. Na foto, a viúva Ilzamar, os filhos Elenira e Sandino, e a neta Ana Luisa.

ANISTIA POLÍTICA PARA CHICO MENDES


A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovará hoje, em Rio Branco (AC), a condição de anistiado político post-mortem do líder sindical e ecologista Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, cujo assassinato completará 20 anos no próximo dia 22. A viúva Ilzamar Mendes protocolou o pedido de anistia há três anos e, a partir de agora, a família do seringueiro terá direito a receber indenização pelo fato de ele ter sido perseguido pela ditadura militar.

Outros cinco processos de perseguidos políticos da região serão julgados durante reunião no Teatro Plácido de Castro, com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do governador do Acre, Binho Marques (PT), que ajudou Chico Mendes na organização dos seringueiros de Xapuri.

O julgamento do processo do seringueiro faz parte da extensa programação, no Acre e em outras regiões do país, para marcar os 20 anos do assassinato de Chico Mendes, que começou a atuar no movimento sindical nos anos 70 e ajudou a fundar o PT no Estado.

Chico Mendes foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional (LSN), em 1980, juntamente com os sindicalistas Lula, Jacó Bittar, João Maia e José Francisco, por incitação à desordem e ao crime. Foram acusados de envolvimento na morte do capataz Nilo Sérgio. “Nilão”, como era conhecido, foi emboscado por trabalhadores e assassinado a tiros de espingarda, após o assassinato de Wilson Pinheiro, então presidente do Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, dentro da sede da entidade.

Chico Mendes e seus companheiros participaram, em Brasiléia, de um ato de protesto contra o assassinato de Wilson Pinheiro. Na ocasião, diante de centenas de trabalhadores rurais, Lula usou durante o discurso a expressão “está na hora da onça beber água”, o que teria, na avaliação da ditadura, sido o sinal para que os seringueiros assassinassem “Nilão” como vingança.

EDILSON MARTINS - entrevista


Outro processo que será avaliado nesta manhã envolve o jornalista e escritor acreano Edilson Martins, que reivindica a condição de anistiado político. Membro do Movimento de Libertação Nacional (MOLINA) e do PCBR, Martins foi preso no dia 18 de dezembro de 1969, um ano após o AI-5.

Onde ocorreu a sua prisão?
Minha prisão ocorreu no dia seguinte ao assalto do Banco Sotto Mayor, no bairro de Brás de Pina, no Rio de Janeiro. Preso, fui imediatamente conduzido para Pelotão de Investigações Criminais, que logo depois, meses depois, ainda durante minha permanência no quartel da Barão de Mesquita, transformou-se no hediondo Doi-Coi, de triste memória.

Como foram seus dias na prisão?
Desnecessário lembrar que fui submetido, a partir daquela prisão, a inimagináveis sessões de tortura, o que não era novidade para nenhum preso político de ações armadas. O jornalista Walter Diogo conta que na época, procurou por mim e foi informado que eu não podia receber visitas porque estava muito machucado, após vários dias de tortura.

Meu último encontro com Chico Mendes aconteceu num domingo, 18 de dezembro de 1988, numa banca de revista, quatro dias antes do assassinato. Ele procurava a entrevista que concedera a você (leia) e que Marcos Sá Corrêa, então editor do Jornal do Brasil, engavetara por desconhecer Chico Mendes.
Treze dias antes do assassinato, o Chico Mendes me concedeu aquela que foi sua última entrevista, que em verdade só foi publicada, pelo JB, dois dias após o assassinato.

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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

CARTA DO GOVERNADOR

O governador do Acre, Binho Marques (PT), enviou ao jornal Correio Braziliense, em defesa do senador Tião Viana (PT), carta a seguir:

Rio Branco, 9 de dezembro de 2008.


Senhor editor,

Em respeito aos leitores do Correio Braziliense, gostaria de esclarecer que nenhum parlamentar fez uso político de programas oficiais do Governo do Acre, como afirmam matérias publicadas neste jornal, edições dos dias 7 [leia] e 8 [leia] deste mês. É protocolar o convite a parlamentares para inaugurações e eventos, especialmente a deputados e senadores que tenham contribuição direta para a realização em pauta. Com transparência, o Estado reconhece a atitude dos parlamentares que fazem bom uso de suas prerrogativas e destinam emendas orçamentárias para execução de obras ou programas de interesse público.

No caso destacado pelo Correio, uma emenda ao Orçamento Geral da União do ano de 2005, proposta pelo senador Tião Viana, viabilizou a execução de um programa de atenção a portadores de necessidades especiais, incluindo a concessão de próteses e equipamentos para pessoas que, além da necessidade, são de famílias pobres. A execução deste programa tem regras técnicas, administrativas e financeiras bem definidas e em conformidade com a lei.

O senador, portanto, não programou a "distribuição de 1,8 mil cadeiras de rodas, muletas e bengalas" em período pré-eleitoral, como sugere a matéria. Tião Viana é querido no Acre como um médico humanista. Seu esforço para levar atenção aos mais necessitados antecede sua atividade política, que segue marcada por um exemplar exercício de ética, tanto no seu Estado quanto no Senado, o que lhe vale merecido reconhecimento nacional e honra a todos os acreanos.

A história recente do Acre exigiu coragem e dedicação de pessoas como o ex-governador Jorge Viana, a quem a matéria do Correio, lamentavelmente, também se revela ofensiva.

Confiante que a verdade é o compromisso maior do Correio Braziliense, espero que a publicação desta carta possa contribuir para o restabelecimento da integridade dos fatos e da honra do senador Tião Viana e do ex-governador Jorge Viana.

Cordialmente,

Binho Marques
Governador do Estado do Acre

JUÍZA ADVERTE DARLY



O fazendeiro Darly Alves da Silva, 74, condenado a 19 anos de prisão como mandante do assassinato do líder sindical e ecologista Chico Mendes, compareceu nesta tarde perante a juíza Maha Kouzi Manasfi e Manasfi, da Vara de Execuções Penais, em Rio Branco.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

JORGE VIANA

Maria Lima - O Globo - 07/12/2008

Lembrado para ocupar os mais variados postos em Brasília desde que concluiu os dois mandatos como governador do Acre, o engenheiro florestal Jorge Viana (PT) optou por uma experiência inédita no setor privado. Há dois anos, preside o conselho de administração da Helibrás, maior fabricante de helicópteros da América Latina. Continua morando em Rio Branco com a família, mas vive no eixo Itajubá-São Paulo, passando sempre por Brasília, onde, em conversas com o presidente Lula, descreve as maravilhas de executar projetos sem as amarras da gestão pública. O hoje alto executivo do setor privado diz que o objetivo é acumular experiência como um empreendedor para voltar ao setor público e implementar novo modelo de gestão. Diz que este é seu destino, mas admite que está adorando estar do outro lado.

O que o levou a buscar eficiência no setor público?
JORGE VIANA: Na minha primeira eleição, o presidente Lula falou: "Você tem que fazer curso de gestão, porque vai ser prefeito". Ele conseguiu para mim bolsa de estudos para um curso em Caracas. O curso mostrou que ser bom gestor é parecido com ser empreendedor de sucesso. Tem que trabalhar com metas e uma equipe competente para criar ambiente de governabilidade, conduzir coisas e ter bons resultados. Meu único período de férias em oito anos de governo foi para ficar 12 dias fazendo curso sobre gestão. Era o único governador, os outros da turma eram grandes empresários. Confirmo uma quase certeza de que devemos gerir governos, prefeituras, mandatos, inspirados no mundo fora dos mandatos, no mundo real, que busca eficiência e resultados todo dia. Vou voltar melhor, porque conheci o mundo real. Do ponto de vista da satisfação, do ideal de um mundo melhor, as chances no setor público são maiores.

Quando conversa com o presidente Lula e conta que no setor privado, quando o executivo dá uma ordem ela é cumprida, ele fica com inveja?
VIANA: (Risos) Todo mundo que conhece o presidente Lula, ou quem como ele está no governo e já passou pelo setor privado, tem inveja e quer trazer a experiência para o setor público. O tempo do setor público é diferente. Faz diferença para eficiência de gestão! Tempo pode ser tradução de burocracia, oportunidade, ganância, ou metas e compromisso. São tempos diferentes, que se traduzem em interesses diferentes.

A conseqüência de uma falha é diferente nos dois setores?
VIANA: Se alguém no setor privado comete falhas, afeta pessoas e empregados. Mas a falha e o responsável podem ser corrigidos e substituídos imediatamente. No setor público, a situação é mais grave e, às vezes, afeta gerações inteiras. Nem sempre é punido. Quem atua no setor público deveria ser mais bem preparado. Pretendo voltar à vida pública. Vou voltar melhor com esse aprendizado.

Que experiências são mais ágeis na empresa?
VIANA: No setor público, você tem amarras. No setor privado, pode ser mais agressivo, objetivo. Isso dá vantagem ao setor privado. No Acre, a gente entendeu que a prefeitura e o governo eram nossa empresa. Nosso negócio. Fiz questão de que a educação pública fosse viável economicamente. Quando assumi, era mais barato matricular os alunos da rede pública na melhor escola particular do que manter no ensino público. Obviamente não transferi alunos. Trabalhei para dar eficiência ao ensino público. Ele tem que ter competitividade do ponto de vista da qualidade, mas ser eficiente do ponto de vista dos gastos. O mesmo na saúde e em outras áreas. O governo tem que ser um bom negócio. Na Helibrás, estou convencido de que temos que fazer gestão focada em metas e objetivos. O setor privado se alimenta por uma concorrência de inovação, de superação. Às vezes há inércia, acomodação na vida pública. Ganhou a eleição, fez promessas, assumiu compromissos, se cumpriu parte ou nada, tudo bem. No mundo privado, a competição agressiva e a cobrança são diárias. O setor público cria mecanismos para dar transparência e segurança para que os atos sejam lícitos. Mas acaba engessando, afeta o tempo do projeto. Nos processos de licitação, o tempo gasto da elaboração até a execução de um projeto praticamente já o torna inviável. Ele vai sair mais caro, gastar mais tempo e sempre fica com falhas. É preciso uma reforma. Resolver o problema de impunidade, honestidade e ética no setor público. Mas dentro de um tempo, porque senão danifica de morte a ação pública. Todo governante sofre essa doença: quer fazer mas não consegue, fica amarrado. A burocracia é grande e acaba virando incompetência. Leva à descrença da sociedade com o setor público.

É melhor estar de qual lado?
VIANA: Do ponto de vista do prazer, quem faz bem feito no mundo público atinge número maior de pessoas. Tenho ideais, me realizo mais no mundo público. Estou feliz de viver a experiência privada, pagando minhas contas, tendo remuneração melhor. O importante é acumular experiência. Vai ajudar (na volta à vida pública). Vou buscar aproximar o mundo público da coisa mais objetiva e competitiva que o mundo privado ensinou.

LUGAR BONITO


Que lugar bonito este meu refúgio.


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OS NOVOS CORONÉIS DO ACRE

Lúcio Vaz, do Correio Braziliense

A distribuição de benefícios sociais à população em atos políticos, feita pelo senador Tião Viana (PT-AC) e revelada pelo Correio na edição de ontem, é uma prática antiga no Acre. Em março de 1998, o então governador Orleir Cameli (PFL) entregava cestas básicas, máquinas de costura e motores de popa em praça pública durante a pré-campanha pela reeleição. Pressionado por representação do Ministério Público, Cameli desistiu da reeleição. O adversário Jorge Viana (PT) foi eleito governador. Hoje, os Viana dominam a política do Acre, com a adesão dos antigos adversários, que são elogiados nos palanques. Entre eles, Cameli.

Na pré-campanha para o governo, em 1998, Jorge Viana temia pela própria vida, mas fazia duros ataques ao então governador. “Nós não temos um governo, temos um desmonte. É o fantasma do descaso, da humilhação, do cartel. São grupelhos de pessoas que se organizaram e atuam como bandos. Tudo isso coordenado por um governador que não tem um currículo, mas uma folha corrida. Só não vou ser candidato se me matarem”, afirmou Jorge, em abril daquele ano.

No ano passado, no lançamento da pavimentação da estrada entre Feijó e Sena Madureira, na BR-364, ao lado de Cameli, Jorge Viana saudou o novo aliado: “Durante décadas, muitos políticos usaram a estrada como palanque, mas o Orleir foi o primeiro a sair dele e a dar início à pavimentação da BR-364”. Tião Viana completou: “Quero dizer da minha alegria de estar ao lado do ex-governador Orleir Cameli e do seu irmão Eládio, nesse momento de desafio. Um desafio que é do tamanho da nossa história”.

Leia mais no Correio Braziliense.

domingo, 7 de dezembro de 2008

CADEIRAS E MULETAS DO SENADOR

Lúcio Vaz, do Correio Braziliense

Candidato a presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC) mostrou este ano no Acre um estilo próprio de fazer política. Uma emenda individual de sua autoria financiou a distribuição de 1,8 mil cadeiras de rodas, muletas e bengalas para portadores de deficiência física. A entrega começou no período pré-eleitoral, em março, e estendeu-se até o início da campanha para as eleições municipais, em julho. Tião participou da distribuição em 20 dos 22 municípios do estado. No último 13 de junho, em Epitaciolândia, a solenidade foi suspensa pela Polícia Federal, a pedido da Justiça Eleitoral. Após quatro horas, o juiz Leandro Gross determinou o prosseguimento do evento.

Tião afirma que participava da entrega dos equipamentos a convite do secretário estadual de Saúde, Osvaldo Leal. “O secretário de Saúde me chamava. Aí, eu ia junto fazer a entrega”. A distribuição teve sempre larga divulgação dos veículos de comunicação do estado, com declarações dos beneficiados, do senador e de autoridades locais e estaduais.

A emenda individual, no valor de R$ 3 milhões, foi apresentada em 2005 para o Orçamento da União de 2006. Os recursos foram reservados no Orçamento naquele ano, mas o dinheiro não foi liberado. Ficou “empenhado” para ser executado nos anos seguintes. Os pagamentos ocorreram de março a julho de 2007, mas a entrega dos equipamentos começou somente no fim de março deste ano, cerca de nove meses mais tarde. A distribuição foi concluída em 27 de julho, nos municípios de Tarauacá, Jordão e Feijó. Nessas cidades, os prefeitos candidatos não participaram da solenidade.

Leia mais no Correio Braziliense.

FRANÇOISE HARDY

Dica do Zeca Louro


Françoise Hardy, cantora e compositora francesa, interpreta "Mon amie la rose"

sábado, 6 de dezembro de 2008

XAPURI DE CHICO MENDES




Estas são imagens de um esgoto a céu aberto na confluência das ruas Dr. Batista de Moraes e Pio Nazário, em Xapuri (AC), a menos de 20 metros da casa onde o líder sindical e ecologista Chico Mendes foi assassinado há 20 anos.

A cidade já foi administrada durante oito anos pelo prefeito petista Júlio Barbosa, ex-companheiro de Chico Mendes, e a casa do seringueiro tombada como patrimônio histórico nacional. Mas permanece o cenário dessa cratera fétida, publicada originalmente, em junho, no blog Xapuri Agora, de Raimari Cardoso.

- Em plena epóca de eleição. Aos políticos. Respeite a comunidade. Veja a cituação desta bueira ao lado da Fundação Chico Mendes. Vocês querem votos - escreveu Luiz Targino, destacado ex-companheiro de Chico Mendes no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri.


No mês passado, o jornalista Robert-Jan Friele (foto), correspondente na América Latina da agência holandesa GPD, contatou-me para obter informação e indicação de fontes para uma reportagem sobre a exploração sustentável da Amazônia.

Antes de regressar nesta noite para Buenos Aires, a partir de onde escreverá três longos artigos sobre a luta de Chico Mendes para 15 jornais europeus, Friele veio até minha casa agradecer o modesto apoio deste blogueiro.

E então relatou que presenciara Luiz Targino com uma enxada tentando abrir uma vala para escoar a água fétida do esgoto nas proximidades da casa e da Fundação Chico Mendes. Lembrei imediatamente das fotos que foram publicadas no Xapuri Agora.

Bem, o mito Chico Mendes permanece, mas nos distanciamos cada vez mais de seu ideário. Ou melhor: cada um interpreta-o como lhe convém - a pintura que fazem dele varia de referência da luta armada a passivo apoiador das obras do PAC na Amazônia.

Em Xapuri existem realidades mais fétidas que esgoto a céu aberto.

O PREÇO DE UMA ELEIÇÃO

Governo decidiu negociar a presidência do Congresso. O PMDB já apresentou a conta

Otávio Cabral, de Veja


O presidente Lula sempre procurou manter uma estratégica e prudente distância das disputas intestinas que envolvem os partidos políticos da base aliada do governo. Só interfere diretamente quando a situação está mesmo se degenerando. Diante da ameaça do PMDB de lançar um candidato próprio à presidência do Congresso, o que poderia inviabilizar a eleição do senador Tião Viana, do PT do Acre, Lula convocou as principais lideranças peemedebistas e selou um acordo de paz – nos moldes peemedebistas, evidentemente. Em troca do apoio ao PT, o PMDB apresentou sua lista de desejos para 2009. O partido reivindicou apenas a manutenção do que já está sob seu comando. Em vista da voracidade notória do PMDB, o pedido pareceu até comedido. Acordo fechado, então? Não. Seguindo sua tradição, o PMDB fez a proposta, mas, à sombra, se arma para dobrar o pedido.

Para isso, o partido conta com a atuação de sua "ala de rebeldes", liderada pelo senador Renan Calheiros. Desde que renunciou à presidência do Congresso para salvar o mandato, no ano passado, Renan tenta recuperar poder. Em sua investida para assegurar a eleição de Tião Viana, o presidente negociou diretamente com três caciques do PMDB. Ao senador José Sarney prometeu a manutenção de seus afilhados no comando do setor elétrico. Ao senador Valdir Raupp, atual líder do PMDB no Senado, garantiu a vice-presidência do Congresso na chapa de Tião Viana. Com o senador Romero Jucá comprometeu-se a apoiá-lo para a presidência do partido. Faltou falar com Renan Calheiros, que disse a amigos que o governo lhe deve muitos favores e ele merece ser tratado com mais deferência. Para mostrar que não é líder apenas dele mesmo, Renan convocou uma reunião da qual participaram os senadores que haviam acabado de acertar o acordo com Lula. Ao final, Renan anunciou que o partido vai lançar um candidato próprio para enfrentar Tião Viana.

Quem entende de PMDB conhece bem a manobra. Ela é vendida como uma insurreição de rebeldes do partido, mas ao mesmo tempo o governo é alertado de que "o movimento pode crescer". Nessas horas sempre surge um nomão para emprestar seriedade ao jogo. Desta vez não deu e saiu da cartola o nome do senador gaúcho Pedro Simon. Pelo jeito, contra a vontade dele. "Eu me recuso a fazer papel de espantalho para assustar o governo. Desautorizo o uso de meu nome", reagiu Simon na reunião. Deu-se então mais uma das "surpresas" típicas do PMDB e quem se apresentou como voluntário para a missão? José Sarney. Mas não foi Sarney que, dias antes, teria fechado um acordo com Lula? Sim. Porém a política é volátil como as nuvens. A eleição para a presidência do Congresso será no início de fevereiro e, até lá, as nuvens peemedebistas vão continuar se mexendo até que chova tudo o que eles querem na horta do partido. Tião Viana deverá ser o novo presidente do Senado, mas a conta vai ser mais alta.

FAUSTO NILO

Meninas do Brasil


O poeta, letrista e arquiteto Fausto Nilo interpreta a sua "Meninas do Brasil". Clique aqui para baixar dois "cederes" dele.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

PAÇOCA


Do Cartunista Braga citando Leon Eliachar: "Se um gênio nasce a cada cem anos, de quantos em quantos minutos nascerá um colunista social?"

PARQUE AMBIENTAL CHICO MENDES

Mais visitado pelos acreanos que o Arena da Floresta


Após enfrentar há quatro anos uma grave crise de gerenciamento, quando chegou a ser fechado e sofreu perdas de fauna e flora, o Parque Ambiental Chico Mendes conseguiu, a partir da gestão do prefeito Raimundo Angelim (PT), se transformar num dos pontos mais visitados de Rio Branco, a capital do Acre.

Localizado na rodovia AC-40, a 10 km do centro da cidade, o Parque foi criado em 1996 em homenagem ao seringueiro Chico Mendes, cujo assassinato completa 20 anos no dia 22 de dezembro, sendo seu nome reconhecido internacionalmente pela defesa que fez dos povos da floresta e do uso racional dos recursos naturais da Amazônia.

- Recebemos em média, de terça a sexta-feira, 12 mil estudantes. Nos finais de semana, o público varia de três a quatro mil visitantes. Recebemos ao todo 190 mil visitantes no ano passado, o que supera o número de torcedores que compareceu ao estádio Arena da Floresta - afirma o secretário de Meio Ambiente de Rio Branco, Arthur Leite.

Leia mais no Blog da Amazônia.


BREGA PERDE


O Acre não é mesmo um lugar sério. Agora tem até uma Associação Acreana de Colunistas Sociais, mas ninguém explica o interesse ou o que faz a entidade.

Lendo é possível observar o que faz, por exemplo, a colunista social Ivete Martinello (veja), mulher do jornalista Sílvio Martinello, sócio da família do ex-governador Flaviano Melo em A Gazeta.

Como sempre, das cinco notas da coluna dela, quatro enaltecem a si e à própria família.

O Orçamento do Estado do Acre para 2009 prevê R$ 15 milhões para gastos com a "divulgação de atos oficiais". Indiretamente, é o din-din que alimenta nosso breguérrimo colunismo social

Em tempo: no Blog do Venícios, relato segundo o qual a apresentadora e colunista social Beth Passos foi vitima do humorístico Pânico na TV na semana passada, em São Paulo.



- A morena passou por uma saia justa com os repórteres humoristas Vesgo (Rodrigo Scarpa) e Sílvio Santos (Welligton Muniz). Ela tentou entrevistar os dois na premiação, mas recebeu as repostas, no mínimo, grosseiras. No começo da conversa, Silvio a chamou de mulher berinjela e o repórter Vesgo perguntou se ela era do sexo masculino ou feminino - conta o estudante de jornalismo.

Assista ao vídeo no Blog do Venícios.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

GRANDE GOVERNO LULA

O projeto apresentado pelo ministro da Agricultura, Reynhold Stephanes, que prevê, entre outras medidas, anistia aos desmatadores e redução da reserva legal na Amazônia para 30%, forçou as principais organizações ambientalistas que atuam na Amazônia a anunciarem em nota que se retiram das negociações sobre o Código Florestal.

As organizações consideram a proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária "uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis".

- Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional - afirmam as entidades.

A nota é assinada por Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Conservação Internacional, Greenpeace, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), TNC Brasil e WWF - Brasil.

Além de se retirar das negociações sobre o Código Florestal, as entidades ambientalistas pedem ao presidente Lula seriedade por parte do governo. Leia a nota na íntegra no Blog da Amazônia.

MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMAZÔNIA

20 anos sem Chico Mendes


Resumo do artigo "Movimentos sociais na Amazônia Brasileira: Vinte anos sem Chico Mendes", de autoria dos professores Elder Andrade de Paula e Sílvio Simione da Silva, da Universidade Federal do Acre:

"Governo do Estado do Acre, instituições do governo federal, Comitê Chico Mendes, representantes do sindicalismo rural e Rede Globo tomaram a iniciativa em 2008, de marcar através de uma série de eventos, os “vinte anos sem Chico Mendes”. As diversas encenações anunciadas procuram coroar em “alto estilo” uma monumental transmutação do legado revolucionário de uma das principais lideranças do sindicalismo rural na Amazônia brasileira, convertido em pacato “ambientalista”. O objetivo desta Comunicação é mostrar que essa transmutação foi habilmente articulada pelo Estado (no sentido ampliado) na tentativa de re-significar a natureza e a cultura para fins de legitimação da ideologia do “desenvolvimento sustentável” e assim, facilitar o processo de espoliação em curso na Amazônia. Nas conclusões, procura-se mostrar que apesar de bem sucedida no decorrer dessas duas décadas, essa estratégia começa a mostrar sinais de esgotamento, existem evidências de retomada da “voz” por parte de alguns movimentos sociais na região, como é o caso da Via Campesina. A abordagem está referenciada no método histórico comparativo e na análise de processos e fenômenos sociais vinculados ao ambientalismo internacional".

Clique aqui para leitura do artigo. As imagens que ilustram o artigo foram suprimidas pelo blog com autorização.

ATENÇÃO: hoje, a partir das 20 horas, no Teatro Hélio Melo, o jornalista e escritor Laurentino Gomes participa de evento organizado pelo projeto Sempre Um Papo.

CHICO MENDES: VIVO LÁTEX


A antropóloga Mary Allegretti, ex-colaboradora de Chico Mendes, conta ao repórter Adriano Belisário, da Revista História da Biblioteca Nacional, detalhes de seu trabalho ao lado do líder seringueiro e comenta os avanços na preservação da Amazônia.

Veja o que Mary Allegretti diz a respeito do legado de Chico Mendes:

"O legado de Chico Mendes não é só de conquistas. É também de impasses. A reserva extrativista é uma espécie de contrato entre os moradores e gestores da área e o Estado. Cabe aos primeiros proteger os territórios e usar os recursos de forma sustentável; cabe ao segundo, viabilizar recursos e políticas de educação, saúde, desenvolvimento econômico; cabe também ao governo fiscalizar, evitar invasões e assegurar a parceria na gestão destes territórios. O poder público se concentrou mais em criar novas unidades do que em implementá-las.

A criação de novas reservas é sempre importante porque elimina os conflitos a que estas pessoas estão sujeitas em diferentes partes da Amazônia. Mas não é suficiente. Sem projetos e recursos voltados para o desenvolvimento sustentável, como vem ocorrendo em toda a Amazônia, as pessoas voltam-se à exploração do que está mais próximo e mais viável, a pecuária e a agricultura. O preço dos produtos florestais, como borracha e castanha, ficou muito abaixo do rentável e os projetos de agregação de valor são pontuais e sem escala.

A política de bolsa família tem aplacado as demandas urgentes por benefícios sociais em várias comunidades. Mas todos são unânimes em afirmar que não querem viver de esmola do governo quando o que fazem – a proteção da Amazônia – tem um valor infinitamente maior e mais nobre".

Clique aqui para ler a entrevista.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

GAVIÃO-REAL








Mais tarde, uma breve nota sobre o zelo do prefeito Raimundo Angelim (PT), do secretário de Meio Ambiente Arthur Leite e da gerente do Zoológico do Parque Chico Mendes Joseline Guimarães em benefício de nossa fauna e flora. Não deu para segurar as imagens do jovem gavião-real (Harpia harpyja).

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

IARA JACCOUD MACHADO


Ela é bela, protegida pelos espíritos das águas e infinitamente mais inteligente que o pai. Minha felicidade é compartilhada por Kátia, Jael, Dan, Samuel e avós. Que a luz de seus de olhos (veja) ajude a iluminar o mundo. Parabéns!

A DOR QUE NUNCA PASSA

Marina Silva

Nos anos 1970, quando abriam a BR-364 no Acre, ela cortou ao meio o Seringal Bagaço, onde eu morava com minha família. À derrubada da mata seguiu-se uma epidemia violenta e incontrolável de sarampo e malária. Era gente doente ou morrendo em quase todas as casas. Perdi um primo e meu tio Pedro Ney, que foi uma das pessoas mais importantes da minha infância. Morreu minha irmã de quase dois anos e, quinze dias depois, outra irmã, de seis meses. Seis meses depois, morreu minha mãe. Tudo era avassalador, assustador. Uma dor enorme, extrema, que nunca passou. Para sair disso, tivemos que reconstruir, praticamente, o sentido inteiro do mundo. Aceitar o inaceitável, mas carregá-lo para sempre dentro de si. Ir em frente, enfrentar a dureza do cotidiano, sobreviver, cuidar dos outros. Viver, enfim, e dar muito valor à vida e às pessoas.

Em 1985, numa das maiores enchentes do rio Acre em Rio Branco, eu morava no bairro Cidade Nova, na periferia da cidade, numa pequena casa de onde tivemos que sair às pressas, levando o que foi possível numa canoa. O resto foi levado pelas águas, inclusive o único retrato que tínhamos de minha mãe.

Penso agora nisso tudo e acho que consigo entender o que sentem os catarinenses, mas ainda estou longe de alcançar o significado estarrecedor de uma perda tão total e instantânea como a que sofreram. Na escuridão, o morro descendo, destruindo tudo, a busca desesperada pelos filhos, a impotência. E, depois, descobrir-se só em meio ao caos: acabou a casa, foram-se as pessoas amadas, o lugar no mundo. Não há mais nada, só a vida física e a força do espírito.

Meus filhos andam pela casa com todo vigor, com toda a beleza da juventude, e sequer consigo imaginar o que seria, de uma hora para outra, vê-los engolidos pela terra, debaixo de toneladas de escombros ou mutilados para o resto da vida. É algo terrível demais até no plano da imaginação. Fere a própria alma tão fundo que chega a ser impossível entender plenamente a profunda tristeza de quem enfrenta essa realidade.

Na Londres de 1624, os sinos da catedral de São Paulo, onde o poeta John Donne era o Deão, tocavam quase ininterruptamente anunciando as milhares de mortes causadas pela peste. Atingido por grave enfermidade (que chegou a ser confundida com a peste) Donne escreveu então um de seus textos mais conhecidos, a Meditação XVII: "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de teus amigos ou mesmo tua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."

Hoje, no mundo, os sinos dobram por todos nós e para nos acordar. Grandes desastres podem virar acontecimentos corriqueiros. Não se pode afirmar peremptoriamente que a tragédia de Santa Catarina deriva, em linha direta, das mudanças climáticas identificadas no relatório do IPCC, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU. Mas em tudo se assemelha às previsões de possíveis impactos da mudança no clima do sul do Brasil, até o final do século 21.

A natureza, numa pedagogia sinistra, parece exemplificar o que significam esses fenômenos extremos que, em várias regiões do planeta, tenderão a provocar períodos de seca muito mais severos e outros com precipitações intensas.

As ações de mitigação necessárias e as adaptações para enfrentar esses efeitos e reduzir nossa vulnerabilidade diante deles, ainda são precárias e estão atrasadas. Os países ricos, detentores de recursos, conhecimento e tecnologia, já avançam em medidas para se proteger. As piores conseqüências deverão recair sobre os países pobres e os em desenvolvimento. A urgência é auto-explicável. Não é um cientista quem o diz e nem um livro. É a natureza, cujos avisos e alertas têm sido insanamente ignorados.

O Brasil, que ontem lançou o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, não tem como deixar de fazer a sua parte, mesmo sem os meios disponíveis nos países ricos. O acontecido em Santa Catarina é um sintoma e deve ser seguido de um esforço de grandes proporções, de início imediato, para tentar evitar que se repita.

É preciso que cada um de nós, autoridades públicas, empresas e cidadãos, pensemos nos mortos, nas famílias inteiras soterradas, nas vidas destroçadas debaixo do barro, antes de sermos tolerantes com ocupação em encostas, com destruição de matas ciliares, com o adensamento de áreas de risco, com mudanças de conveniência nas legislações. Não há mais espaço para empurrar os problemas ambientais com a barriga, como tentam fazer alguns, e deixar para "o próximo" o ônus de medidas ditas antipáticas. A omissão que ceifa vidas humanas tem que acabar, mesmo à custa de incompreensões.

Nos tempos atuais, há mais um componente na agenda ética: não se deixar corromper diante das pressões para ignorar a proteção ambiental e as medidas de precaução exigidas pela intensificação dos fenômenos naturais. Quem detém algum tipo de representação pública deve se convencer de que é preciso mudar profunda, rápida e estruturalmente os usos e costumes, de modo a preparar o País para um futuro de sérios desafios ambientais. Cada vez mais, não é só uma questão de errar, corrigir o erro e aprender com ele. Agora a palavra de ordem é prevenir o erro, para que não se repitam os olhares perdidos, os rostos esvaziados, o choro inconsolável, a desesperança e as mortes que vimos nesses últimos dias em Santa Catarina.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

AJUDE SANTA CATARINA


Campanha da Federação das Indústrias do Estado Acre de ajuda às vítimas das chuvas em Santa Catarina. As doações podem ser feitas até a sexta-feira, no Ginásio do Sesi. Fone para contato: 68 3212-4202.

REFUGIADOS INVISÍVEIS

Vera Reis e Enock Pessoa


No dia 11 de setembro de 2008, no Departamento de Pando, na Bolívia, aconteceu um episódio inédito: mais de 20 mortes provocadas por violência política. Os responsáveis têm que ser identificados, a fim de que ocorra a justiça imediatamente.

Logo depois, militares bolivanos ocuparam Cobija, prenderam o governador Leopoldo Fernandez, invadiram casas e criaram um ambiente de medo. Centenas de residentes de Pando fugiram para o Brasil e se mantém nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia como refugiados.

Leia mais no Blog da Amazônia.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ACRE SOLIDÁRIO COM SANTA CATARINA

Quem disse que blog é coisa inútil? Após o post "Cade a solidariedade acreana?", de domingo, recebo do secretário de Segurança Pública Antonio Monteiro Neto um telefonema de agradecimento e uma cartinha com as imagens que ilustram este post:

"Caro Amigo Altino Machado,

Encaminho a você material do lançamento da campanha "Acre Solidário: doe roupas e alimentos não perecíveis”, que estará sendo lançada no dia 3 de dezembro (quarta feira), às 10 horas, no pátio da Secretaria de Estado de Segurança Pública, com duração de 90 (noventa) dias, com o objetivo de arrecadar 20 toneladas de alimentos, medicamentos, roupas, produtos de limpeza e higiene pessoal.

Abraços,

Antonio Monteiro Neto"

VAMOS LÁ, COMPANHEIROS


O que não fazemos pelo Brasil? Tem passagem aérea, hotel e comida? Repasso o convite aos leitores do blog:

O Núcleo de Paris do Partido dos Trabalhadores (PT) tem o prazer de convidar para encontro com João Felício, ex-Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), atualmente acumulando os cargos de Secretário Sindical Nacional do PT e Secretário de Relações Internacionais da CUT, que falará sobre "o impacto da crise financeira sobre os trabalhadores e as estratégia da CUT e do PT".

11 dezembro de 2008 (quinta –feira)
das 19 às 21 horas
7 bis, rue de Trétaigne - 75018 – Paris
(metrô Jules Joffrin – linha 12)

O núcleo do PT em Paris se reúne todas as primeiras quartas-feiras do mês. As reuniões são abertas a todos (as) interessados. Para contatar o núcleo do PT em Paris, escreva para paris@pt.org.br

DEU NO CORREIO BRAZILIENSE

Suspeita de fraude eleitoral no Acre

Lúcio Vaz


O cruzamento das informações dos livros de assinaturas das eleições de 2006 e 2008, em Sena Madureira (AC), aponta indícios de fraude nas eleições de outubro. Foram encontrados casos de eleitores que assinaram a lista em 2006 e colocaram a digital neste ano, como se fossem analfabetos. Em algumas seções, há excesso de analfabetos (19,15% do total). Em outra situação, os eleitores "votaram", mas não assinaram o livro. Na maioria dos casos, as assinaturas simplesmente não conferem. As possíveis fraudes estão sendo investigadas pela Polícia Federal.

As suspeitas surgiram no dia das eleições, quando foi constatado que Ilzo Nascimento da Silva foi votar na seção 69, mas outra pessoa já havia votado por ele. O caso foi registrado no cartório eleitoral. No mesmo dia e também após a eleição, surgiram outras evidências de irregularidades, o que levou a coligação de Toinha Vieira (PSDB) a desconfiar da possibilidade de fraude eleitoral. A coligação solicitou ao cartório eleitoral os livros de assinaturas das eleições de 2006 e 2008 para fazer uma comparação.

Foram conferidas oito das 63 seções eleitorais do município, o que corresponde a 12,7% do total. Indícios de irregularidades foram encontradas nas assinaturas de 77 eleitores. Na seção 38, 54 dos 282 eleitores seriam analfabetos, um índice muito elevado para o município. Na seção 56, foram confirmados seis votos que estão sem as devidas assinaturas no livro. Um indício de que esses eleitores não compareceram, mas alguém votou por eles. Pode ter acontecido o mesmo nos 39 casos em que as assinaturas não conferem. Em alguns casos, são absolutamente diferentes. Como o voto é secreto, somente uma investigação policial, com o depoimento dos envolvidos, poderá apurar quem seria o responsável pelas supostas irregularidades.

Pleito acirrado
A coligação "Por uma Sena Melhor", liderada por Toinha, atribui as supostas fraudes à coligação "Frente Popular por Sena", liderada pelo prefeito reeleito Nilson Areal (PR), com apoio do PT, do PMDB e mais seis partidos. Areal venceu a eleição com 9.555 votos (53,7% dos votos válidos), contra 8.229 de Toinha, num colégio eleitoral de 22,6 mil votos. O Correio telefonou para a prefeitura de Sena Madureira na terça-feira à tarde e solicitou uma entrevista com o prefeito. Não houve resposta.

O juiz eleitoral que responde por Sena Madureira, Pedro Longo, disse que a denúncia foi apresentada à Polícia Federal e "está sendo investigada". "O pleito foi muito acirrado, com representações recíprocas. Todas as denúncias estão sendo apuradas e nada vai ficar sem resposta judicial", acrescentou Longo. Depois de consultar a PF, ele informou que estão sendo feitas as apurações preliminares. Se a denúncia for consistente, a polícia vai solicitar ao Ministério Público Eleitoral autorização para abrir um inquérito. No caso de serem encontradas provas de fraude, o promotor eleitoral apresentará denúncia à Justiça Eleitoral.

Longo disse que recebeu da coligação "Por uma Sena Melhor", liderada por Toinha, o pedido de acesso aos livros de assinaturas de 2006 e 2008. "Em homenagem à transparência do processo eleitoral, autorizamos o acesso aos livros. Eles passaram dias analisando os documentos", lembra. O juiz eleitoral acrescentou que foram apresentadas dezenas de representações pelas duas coligações.

CAIÇUMA DE GOIANO


Enquanto Jordão (AC), onde 40% da população é indígena, está sendo conduzido pelo senador Tião Viana e o deputado Fernando Melo ao ciclo do etanol de macaxeira, goianos de Luziânia (GO) se lançam no mercado oferecendo a caiçuma. Bebida fermentada de macaxeira, de origem indígena, a caiçuma foi rebatizada pelo goianos como kaxyry. Clique aqui e confira.

PROJETO GENIAL PARA JORDÃO

Tião Viana e Fernando Melo prometem usina de etanol de macaxeira para um dos municípios mais pobres e isolados do país

No Índice de Desenvolvimento Familiar criado pelo governo federal, Jordão, no Acre, e Uiramutã, em Roraima, aparecem (leia) como os dois municípios onde os pobres são os mais pobres do Brasil. A situação de Jordão é agravada pelo fato de ser um dos municípios mais isolados do país, na remota fronteira com o Peru.

Sensibilizados com a realidade, o senador Tião Viana e o deputado federal Fernando Melo, ambos do PT, resolveram unir inteligência e força política para montar em Jordão uma usina de produção de etanol extraído de macaxeira. Idealizado por Dione Sallas, o projeto de R$ 1,3 milhão será apresentado à Eletronorte.

Sallas afirma que o etanol extraído da macaxeira é melhor e mais abundante do que o extraído da cana-de-açúcar - cada tonelada de cana resulta em 84 litros de etnol, contra 180 litros de etanol da tonelada de macaxeira.

Jordão é tão isolado que dura ao menos cinco dias uma viagem de barco para Tarauacá, uma das cidades mais próximas. Lá, o preço de um litro de gasolina custa R$ 4,30 e o botijão de gás R$ 65.

Leia o relato da assessoria de imprensa do senador no jornal Página 20. Em tom jocoso, Luiz Calixto, deputado estadual da oposição, sugere no blog dele (leia) que a futura usina de etanol de macaxeira seja batizada com o nome do senador Tião Viana.

Meu comentario: Jordão necessita mesmo é de uma usina capaz de melhorar a escolaridade, o acesso ao trabalho, a renda, o desenvolvimento infantil e as condições de habitação. A foto é de J. Diaz, tirada durante colheita de macaxeira no Seringal Sai Cinzas, na Reserva Extrativista Chico Mendes.