quinta-feira, 30 de abril de 2009

DIVISÃO DE TRABALHO

Do presidente Lula para o ex-governador Jorge Viana, na entrada do avião, quando partiam de Rio Branco para Cruzeiro do Sul, na tarde de terça-feira:

- Jorge, vai lá atrás com o teu pessoal. Vou aqui na frente com o meu pessoal.

E assim foi feito. Ainda bem que eles se entendem.

Naquele dia, o avião presidencial atolou na pista do aeroporto inaugurado por Lula. Teve que ser desatolado com auxílio de um trator.

"EXISTEM TANTAS AMAZÔNIAS"

Yorranna Oliveira

Quando pisou pela primeira vez numa redação, usava botas de couro pretas até o meio da coxa, micro vestido xadrez de lã e a cabeça era quase careca. “Uma mulher dos anos 80”, avalia. Os colegas do jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), fizeram apostas para ver quantos dias aquela mocinha punk duraria por lá.

Eliane acabara de ganhar um concurso universitário de jornalismo. Sua matéria retratava as filas que as pessoas enfrentam do nascimento até a morte. O prêmio: um estágio no jornal. “Os jornalistas disseram que o que eu fazia não era jornalismo. Os publicitários disseram que era, sim. Como havia mais publicitários que jornalistas, eu ganhei”, explica.

Os dias no jornal se transformaram em onze anos e revelaram uma das mais talentosas e premiadas jornalistas do Brasil.

Aos 42 anos de idade, quase 21 de carreira, e com os principais prêmios de jornalismo do país, como “Esso” e “Vladimir Herzog”, Eliane Brum inspira estudantes e profissionais da área pelo modo como encara essa forma de vida chamada reportagem.

Para Eliane, ser repórter é fazer “o exercício constante da dúvida”, onde precisamos questionar nossas certezas e as dos outros. Assim como devemos olhar de verdade para o outro, porque “olhar para ver é um ato de insubordinação” e escutar por completo as histórias que nos são honradas. Afinal, “quando as pessoas param de falar, elas continuam nos contando”, ensina.

A mulher de fala mansa e jeito de moleca, e que acorda todos os dias com a esperança de viver uma grande aventura, compartilha conosco suas experiências na literatura da vida real. Sim, porque Eliane se considera uma escritora de histórias reais.

Clique aqui para ler a entrevista.

RETRATO FUNDIÁRIO DA AMAZÔNIA

Títulos irregulares de terra multiplicam Pará por dois


O Pará conhece pela primeira vez o tamanho real das fraudes em títulos de terras no Estado. Representantes da Comissão Permanente de Monitoramento, Estudo e Assessoramento das Questões Ligadas à Grilagem apresentaram hoje em Belém (PA) um levantamento completo sobre a situação fundiária do Estado.

Existem 6.102 títulos de terra irregulares registrados nos cartórios estaduais. Somados, os papéis representam mais de 110 milhões de hectares, quase um Pará a mais, em áreas possivelmente griladas. O levantamento demorou três anos cruzando informações de várias fontes.

Entre os imóveis com títulos irregulares está a fazenda Espírito Santo, em Xinguara, palco de violência no último dia 18 de abril. Com quase 8 mil hectares, é uma das propriedades vendidas a partir de um título de aforamento, situação muito comum no sudeste do Pará.

Leia mais no Blog da Amazônia.

NA MIRA DO STF

Ernandes Amorim é acusado por desmatar ilegalmente 1,6 mil hectares de floresta no município de Machadinho D`Oeste (RO)


O deputado federal Ernandes Amorim (PTB-RO) está na mira da Procuradoria Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A pedido do procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito abriu inquérito para apurar a acusação de que o deputado desmatou ilegalmente 1,6 mil hectares de floresta da Amazônia no município de Machadinho D`Oeste (RO), a 350 km da capital Porto Velho.

A denúncia chegou ao STF em março e o processo agora aguarda parecer na Procuradoria Geral da República (PGR), onde está desde 14 de abril.

Laudo do Ministério Público Federal (MPF) de Rondônia apurou que os danos causados à floresta são de responsabilidade de Amorim. Ele é apontado como proprietário das fazendas “Carnaval 70″ e “Monte Aurélio”, vizinhas à uma Unidade de Conservação.

Uma das áreas, localizada na margem direita do Rio Machado, foi transformada em pastagem de gado, segundo o MPF, impedindo a regeneração da mata derrubada. A Procuradoria Geral da República vê “fundados indícios dos delitos ambientais”.

Em entrevista por telefone, o polêmico pecuarista e deputado se diz “vítima de perseguição constante e de denúncias infundadas”.

Veja os melhores trechos da entrevista no Blog da Amazônia.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

ROBÉRIO BICHERI

Diretor do Instituto Penitenciário do Acre é ex-motorista que denunciou caixa 2 do PT em Londrina


Mais de 500 agentes penitenciários do Acre paralisaram suas atividades nesta quarta-feira em todo o Estado para pressionarem o governo estadual a afastar os diretores Roberio Bicheri e Cristiano Vendrami Cancian, ambos do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen). Os agentes penitenciários também exigem melhores condições de trabalho, sendo a prioridade equipamentos de segurança, sobretudo colete a prova de bala, algemas e fardamento.

Robério Bicheri, coordenador de segurança do Iapen, é o ex-motorista do PT de Londrina (PR) que reforçou em depoimento à Polícia Federal, em 2005, a denúncia de que o ministro do Planejamento Paulo Bernardo contribuiu com recursos não declarados (caixa 2) para a campanha à reeleição do prefeito petista Nedson Micheleti.

A denúncia foi feita por Soraya Garcia, que trabalhou no comitê financeiro da campanha e acusou Micheleti de ter gasto R$ 6,5 milhões e declarado apenas R$ 1,3 milhões. O ministro negou ter ajudado financeiramente a campanha de Micheleti.

Bicheri disse ter recolhido dinheiro, contido em envelopes, no apartamento utilizado por um assessor de Bernardo, Enzo Minuzzo, e o levado até o comitê financeiro da campanha. O ex-motorista afirmou também que fez várias coletas de dinheiro em outros locais e que, para “esquentar” a declaração de contas da campanha, coletou a assinatura de várias pessoas que, assim, aparecem como doadores. Minuzzo também negou a acusação.

O Ministério Público do Paraná chegou a requerer a inclusão de Bicheri no programa de proteção às testemunhas porque o mesmo dizia estar sofrendo ameaças.

Os agentes penitenciários exigem do governador Binho Marques (PT) a exoneração dos diretores Bicheri e Cancian. Dizem que ambos foram nomeados de maneira irregular. Uma lei federal determina que o sistema prisional dos estados deve ser composto por pessoas capacitadas e com formação superior em áreas específica. O governo estadual não teria respeitado tais critérios para nomear os dois diretores.

Consultada pela reportagem, a jornalista Tainá Pires, porta-voz do governador Binho Marques, desconhecia a origem do diretor do Iapen. Ela prometeu viabilizar contato para que Bicheri se pronunciasse, mas depois avisou que não havia obtido o telefone dele. Aníbal Diniz, assessor especial do governador, também desconhecia o histórico de Bicheri.

Quem quiser saber mais, deve clicar aqui ou aqui.

terça-feira, 28 de abril de 2009

INTEGRAÇÃO BRASIL-PERU

Alan Garcia ignora questão ambiental ao pleitear construção de seis hidrelétricas na Amazônia Peruana


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ter conseguido tranqüilizar ao presidente Alan Garcia, do Peru, que tem se mostrado bastante ansioso em tentar convencer o governo brasileiro a viabilizar a instalação de seis hidrelétricas em território peruano. Lula considera a integração energética “crucial” para o desenvolvimento brasileiro.

As hidrelétricas podem ser construídas pelas estatais Eletrobras e Eletroperu e podem merecer financiamentos do BNDES no valor de US$ 4 bilhões. Os ministros de Minas e Energia dos dois países assinaram em Rio Branco (AC) um memorando de entendimento para o apoio aos estudos de interconexão elétrica na fronteira Brasil-Peru.

A Cordilheira dos Andes oferece rios que correm em direção à região amazônica, mas o Peru reconhece que depende da ajuda do Brasil para gerar energia. As hidrelétricas que estão sendo negociadas pelos governos dos dois países serão instaladas numa região complexa.

Trata-se de uma área considerada pelos cientistas como abrigo da maior biodiversidade do planeta, ainda habitada por tribos de índios isolados e onde nascem os rios que formam o Amazonas, o maior rio do mundo.

Confrontados com essa questão pelo Blog da Amazônia, apenas o presidente Lula se dispôs a tomar uma posição. Alan García pareceu visivelmente constrangido ao ser instado a assumir algum compromisso em defesa do meio ambiente e das etnias indígenas, especialmente as que vivem em isolamento. Madeireiros peruanos com freqüência invadem o território brasileiro para a retirada de mogno de áreas indígenas.

Quando Terra Magazine revelou ao mundo, em maio do ano passado, as fotos dos índios isolados, pintados e nus, atirando flechas contra o avião de um sertanista do governo brasileiro, Alan García chegou a declarar que se tratava de uma encenação montada por ambientalistas interessados em inviabilizar o desenvolvimento da Amazônia Peruana. Desde então, o governo peruano tem sido alvo de campanhas internacionais. Elas exigem sobretudo proteção para os índios isolados que fogem para o território brasileiro fustigados pela ação dos madeireiros peruanos.

O presidente Lula foi mais habilidoso ao expor o que pensa. Leia mais no Blog da Amazônia.

UM BRASILEIRO PARA SER LEMBRADO

Marina Silva

Neste ano o Brasil comemora o centenário do nascimento de Dom Helder Câmara. Comemora? Nem tanto, pois a melhor comemoração seria o conhecimento das novas gerações sobre a obra humana e política deste homem franzino, bem humorado, doce, gentil e firme, que fez enorme diferença na história do país, durante os anos da ditadura. E muitos jovens sequer ouviram falar dele. Esta é minha colaboração para que se interessem e busquem saber mais sobre a vida e o pensamento de um brasileiro que, mesmo não estando mais entre nós, ainda pode nos inspirar.

Dom Hélder lutou pela justiça, pelo retorno das liberdades democráticas e, principalmente, pela solidariedade ativa com os pobres e oprimidos. Foi perseguido e, depois do AI-5, até mesmo seu nome não podia ser citado nos meios de comunicação. Acusavam-no de comunista e lhe deram o apelido de "Arcebispo Vermelho", ao que ele tranquilamente respondeu: "Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista." Ele pregava que a pobreza não resulta da indolência, mas de estruturas injustas. Costumava dizer que não se pode acusar quem tem sede de justiça: "no Nordeste, Jesus Cristo se chama José".

O que ele fez, na verdade, foi assumir radicalmente o que considerava sua missão como cristão. Foi um dos mais importante líderes religiosos brasileiros. Seu lema era a opção preferencial pelos pobres, uma das resoluções do Concílio Vaticano II (1962/1965), que renovou as práticas da Igreja Católica e abriu as portas para a intervenção social de padres e fiéis.

Nomeado arcebispo de Olinda e Recife, em abril de 1964, Dom Helder passou a ser malvisto pelo regime militar, por suas denúncias de violação de direitos humanos e pelo seu trabalho com movimentos populares. Criou as famosas Comunidades Eclesiais de Base, das quais tenho muito orgulho de ter feito parte e de ter iniciado minha participação política dentro delas, ao lado de pessoas como o Bispo Dom Moacyr Grecchi, que é referência para toda a Amazônia, como sinônimo de luta pela democracia, pela liberdade e pelos direitos humanos.

Por sua postura e prestígio internacional, Dom Hélder foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, no início dos anos 70, e o então presidente Médici chegou ao cúmulo de mover campanha de bastidores contra a sua candidatura, mobilizando a diplomacia brasileira para promover um boicote junto ao governo da Noruega.

Mas por que era tão odiado e perseguido? Porque nunca permitiu que o calassem e sempre tomou atitudes desafiadoras e criativas. Em maio de 1969, um de seus principais assessores, Padre Henrique, foi sequestrado, torturado e assassinado. No dia seguinte, Dom Hélder reuniu dez padres e outras dez mil pessoas para acompanhar o cortejo até o cemitério, a quase 15 quilômetros de distância, no outro extremo da cidade de Recife.

Cristóvam Buarque certa vez o chamou de "santo rebelde". Santo porque levava conforto e carinho aos mais miseráveis; e rebelde porque, ao mesmo tempo, gritava contra as injustiças e queria fazer uma revolução que erradicasse os males da pobreza. Diferentemente de outros santos, ele não se conformava apenas em ajudar aos pobres, e diferentemente de outros rebeldes, cuidava dos necessitados enquanto a revolução não vinha.

Dom Hélder foi uma pessoa que sempre me emocionou. Apesar de ter formado meu pensamento social com influências marxista e socialista, o que mais me encantou, e que constitui a base da minha ideologia, é o Cristianismo. Na Bíblia, encontrei respostas para a necessidade de lutar pela justiça, para repreender a ganância dos poderosos. E Dom Hélder, acima de diferenças de credo religioso, foi um exemplo, um estímulo e uma demonstração do caráter revolucionário do cristianismo, quando o entendemos como um guia para agir no mundo. Segundo ele, "o verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus."

Ele viveu a misericórdia e o amor exatamente como Cristo disse: "Quando estava preso, tu me visitaste". E ele visitou muitos presos nas prisões da ditadura. "Quando estava faminto, tu me alimentaste". E ele alimentou muitas crianças famintas do Nordeste e por onde passou. E disse mais ainda: "Quando sentia frio, tu me acolheste; quando faltou a verdade, tu me disseste a verdade." E aí alguém perguntou: "Mas quando, Senhor, nós te fizemos isso?" E Jesus respondeu: "Sempre que fizestes a estes pequeninos, ao mais insignificante deles, a mim o fizestes."

Todas as pessoas que estão além do seu tempo passam a ser maiores do que foram no seu tempo, porque cada um de nós, de certa forma, as traz impressas nos seus sonhos e ideais. Dom Hélder tinha esperança de encontrar enormes surpresas na outra vida: "vamos descobrir, um dia, que Deus é muito mais humano que os homens."

Quando morreu, em 1999, o povo pernambucano acompanhou a pé o seu caixão, por duas horas, até o local do enterro, em Olinda. Foi homenageado no mundo inteiro, por personalidades e líderes políticos, que o chamaram de sábio e de grande humanista. Mas a frase a seu respeito de que mais gostava era uma que lhe disse um menino de Olinda, após assistir o filme ET: "ele é feio e bonzinho, assim como o senhor".

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

MAIS HIDRELÉTRICAS NA AMAZÔNIA


A assinatura de um convênio de integração energética com investimento de pelo menos US$ 4 bilhões na construção de seis centrais hidrelétricas deverá marcar o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente Alan García, do Peru, na tarde de terça-feira, em Rio Branco (AC).

Na semana passada, o chanceler peruano José Antonio García Belaunde participou, no Brasil, de uma reunião com o chanceler Celso Amorim, segundo a imprensa peruana, para “revisar e impulsionar a agenda bilateral, além de preparar o próximo encontro presidencial que acontecerá no Acre”.

O embaixador brasileiro no Peru, Jorge Taunay, chegou a declarar que “o encontro será o maior desde o estabelecimento da parceria estratégica entre ambos os países”. O ato será a continuidade de um evento, a “Expo-Peru Negócio”, realizado no ano passado, em São Paulo, quando centenas de empresários brasileiros e peruanos demonstraram disposição para realizarem investimentos na região.

Após a reunião no Brasil, o chanceler peruano declarou que o convênio “servirá para criar um marco de intenções entre a Eletrobrás e a Electroperú, para a construção deste projeto de geração hidrelétrica que serviria basicamente para atender a demanda brasileira”.

De acordo com as fontes do governo peruano, as duas empresas estatais também assinarão um convênio para a interconexão elétrica da região da fronteira.

“Compromisso de Rio Branco”

É a primeira vez que os presidentes Lula e Alan García se reúnem na capital de um estado fronteiriço. Os temas de cooperação e desenvolvimento da faixa de fronteira deverão figurar entre os tópicos centrais da conversa entre os dois presidentes.

De acordo com a assessoria do governo brasileiro, o documento “Compromisso de Rio Branco” anunciará novas medidas para estimular o intercâmbio econômico-comercial, o desenvolvimento fronteiriço e a integração energética. Lula e García determinarão providências para eliminar obstáculos existentes ao fluxo comercial e econômico entre Estados e Regiões da faixa de fronteira.

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domingo, 26 de abril de 2009

GESTÃO AMBIENTAL

Incra e Inpe se aliam para fazer monitoramento de assentamentos e imóveis rurais no País



O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou que começou a delinear uma parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para aperfeiçoamento da gestão ambiental de 8,2 mil assentamentos e o controle do cumprimento da função social dos imóveis rurais no País, a partir da análise e tratamento de dados obtidos via satélite.

As tecnologias desenvolvidas pelo Inpe poderão ser utilizadas por técnicos do Incra para acompanhar a ocupação e o uso do solo. As parcerias entre instituições fazem parte da política de governo para a promoção do desenvolvimento sustentável. A parceria permitirá mostrar com transparência o modelo de agricultura adotado pelos assentados.

Começa neste domingo, no Centro de Convenções de Natal (RN), o XIV Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR), quando o Inpe apresentará seus sistemas de monitoramento ambiental por satélites. O SBSR é promovido a cada dois anos pelo Inpe e pela Sociedade de Especialistas Latino-americanos em Sensoriamento Remoto.

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

RECLAMAÇÃO CÍVIL

Quem quer privacidade que escreva cartas

Ana Paula Ribeiro recorre à Justiça para que seja retirada deste blog a reprodução das inconfidências que publicou no Twitter dela; o valor da causa foi estabelecido em R$ 9,3 mil


A ex-assessora de imprensa da prefeitura de Rio Branco e garota-propaganda das campanhas publicitárias do PT e do governo do Acre, decidiu mover uma ação cívil contra o blog no
1º Juizado Especial Cível da Comarca de Rio Branco.

O blog reproduziu a foto dela e textos que ela mesma escreveu e publicou no Twitter, a rede de relacionamento social que já possui mais usuários do que o Orkut.

Ana Paula, que anunciou mundialmente a "falência múltipla" dos cartões de crédito e cheque especial, pleiteia uma indenização no valor de R$ 9,3 mil.

O post que
motivou a reclamação foi "Deu no Twitter da Ana Paula", publicado na segunda-feira. Ana Paula apagou a página dela após o post.

Veja a versão da "reclamante" no processo n.º 070.09.008319-9:

"A reclamante alega que o reclamado vem lhe causando sérios prejuízos, pois pela segunda vez ele postou em seu BLOG matéria que envolve a reclamante. Ocorre que a reclamante se sente prejudicada pelo reclamado, pois as afirmações vêm lhe causando danos na esfera pessoal e publica, já que ela encontra-se em um novo emprego e começaram a surgir boatos que envolvem a mesma. Afirma também que o reclamado vem, por reiteradas vezes, reproduzindo em seu BLOG, imagens dela sem sua devida autorização, como também cita fatos e acontecimentos afirmando que se referem à mesma, fato que está lhe causando graves lesões à sua honra e boa fama."

Do pedido:
"Diante o exposto, requer MEDIDA LIMINAR, para que o reclamado retire de seu BLOG todo e qualquer conteúdo que envolva a reclamante, sob pena de multa diária a ser arbitrada por este exmo. Juízo, no caso de seu descumprimento. Requer também que o reclamado seja condenado a pagar o valor abaixo citado a titulo de danos morais pelos sofrimentos e humilhações suportados pela reclamante."

Como estou em Belém desde ontem, não recebi a intimação. Espero que a Ana Paula não deixe de escrever e iluminar meus dias.
Jesus de Nazaré, é cada uma.

Quem quer privacidade que escreva cartas

DOENÇA DE CHAGAS 100 ANOS DEPOIS

Rede observa reativação da doença com o HIV

O Blog da Amazônia conta que, no centenário da descoberta da doença de Chagas, o Brasil registra 2,5 milhões de portadores.

Agora há nova linha de pesquisa na qual técnicos e pesquisadores formam uma rede que busca prestar assistência em casos novos ou de reativação da doença de Chagas, como consequência do vírus da Aids.


Termina hoje em Belém (PA) a Semana da Comemoração do Centenário de Descoberta da Doença de Chagas. Em abril de 1909, Carlos Chagas (1878-1934), pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, comunicou ao mundo científico a descoberta de uma nova doença humana.

Existem aproximadamente 12 milhões de portadores da doença crônica nas Américas, sendo 2,5 milhões no Brasil.

A alteração do quadro epidemiológico da doença de Chagas no Brasil promoveu mudança nas estratégias de vigilância, prevenção e controle. Foi adotado um novo modelo de vigilância epidemiológica, de acordo com os padrões de transmissão da área geográfica.


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quinta-feira, 23 de abril de 2009

JORNALISMO E SUSTENTABILIDADE


Chegou a hora de arrumar a mochila. Daqui a pouco faço uma longa viagem para participar amanhã, em Belém, do I Encontro de Jornalistas da Região Norte, cujo tema é “Jornalismo e Sustentabilidade - Tecnologia Social para o Desenvolvimento”.

Promovido pela Fundação Banco do Brasil (FBB), o evento reunirá profissionais interessados no debate de alternativas sustentáveis para o desenvolvimento regional.


Acontecerá no hotel Hilton, a partir das 8h30, com a participação do presidente da FBB, Jacques Pena, e do presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Rubens Gomes.

A coordenadora de projetos da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas, de Gurupá (PA), Josineide Malheiros, também estará presente na abertura.

O desagradável é partir de Rio Branco às 14h30 e chegar
a Belém às 22h50, de acordo com a previsão sempre otimista da companhia.

Algum recado pra Jesus?

CPT REVELA DADOS DA LUTA NO CAMPO

Aumenta o número de mortes por conflitos agrários no Brasil

O número de conflitos e de violência no campo teve uma queda acentuada no Brasil em 2008. Mas há sinais de persistência do aumento da violência no país porque 28 pessoas foram assassinadas no campo. Em 2007, por exemplo, houve uma morte para cada 54 conflitos, enquanto houve uma morte para cada 42 conflitos no ano passado.

Os dados detalhados sobre conflitos e violências no campo brasileiro no ano passado serão divulgados na próxima terça-feira pela CPT em Itaici (SP), durante a 47ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Os dados mostram, ainda, que 72% dos assassinatos em conflitos no campo aconteceram na Amazônia e que mais da metade dos conflitos atingem diretamente as populações tradicionais. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), esse fato evidencia o interesse do capital sobre os territórios ocupados pelas populações tradicionais.

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

VIVA JOAQUIM BARBOSA

Ele é o cara

O ministro Joaquim Barbosa disse que Gilmar Mendes "está destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro". Ele advertiu o presidente do Supremo Tribunal Federal:


- Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite.

JUSTIÇA ADIA AUDIÊNCIAS DA BR-319


A Justiça Federal decidiu, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), pelo adiamento das audiências públicas marcadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para discutir o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) das obras da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).

Uma recomendação nesse sentido fora apresentada ao Ibama na semana passada pelo subprocurador-geral da República Mário José Gisi, da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão. Diante da manifestação do órgão pelo não acatamento da recomendação, duas procuradoras do MPF no Amazonas recorreram à Justiça Federal e obtiveram a decisão pelo adiamento das audiências públicas.

A convocação para audiência pública foi publicada no Diário Oficial da União em 7 de abril. A primeira audiência estava marcada para ocorrer nesta quarta-feira em Humaitá (AM), às 19 horas. Segundo o MPF, as comunidades interessadas tiveram apenas e exíguo prazo de 15 dias para tomarem ciência da realização da audiência e planejarem sua participação.

O novo prazo, de 90 dias, é para que as instituições governamentais e não-governamentais interessadas e a população atingida possam ter acesso adequado e tempo hábil para analisar o documento.

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PAULO VANZOLINI



Não lembro o nome do homem que aparece à esquerda, mas no centro estou com Paulo Vanzolini e seu cachimbo. A foto já tem mais de 12 anos. Foi tirada em Boa Vista, quando eu fazia uma série de reportagens para a Folha de S. Paulo que despertou a atenção mundial para um megaincêndio em Roraima.

Passei um mês na cidade, sendo uma semana de intenso convívio com o zoólogo e teórico da biodiversidade
Paulo Vanzolini, que fora convocado para ajudar o governo federal a compreender o impacto ambiental decorrente daquela tragédia. Ele conhece a Amazônia, especialmente Roraima, como poucos.

- Sampa é um plágio de Ronda. Caetano Veloso sabe disso - repetia Vanzoline sempre que o assunto mudava de Amazônica para a música.

A edição de hoje da Folha de S. Paulo noticia que Paulo Vanzolini ganha homenagem com filmes, shows e debates em comemoração aos seus 85 anos. Autor de clássicos do samba, Vanzolini não toca nenhum instrumento musical. Sempre se valeu simplesmente de caixas de fósforo.

Leia a entrevista ao repórter Ivan Finotti:

"Compositor, cantor, sambista, músico, poeta. Nada disso descreve o paulistano Paulo Vanzolini como ele gostaria.

Zoólogo? Aí, sim. Cientista? Certo. Teórico da biodiversidade? Agora estamos chegando lá.

"O que você tem que entender, meu amigo, é que sou zoólogo", diz ele no documentário "Um Homem de Moral", de Ricardo Dias, que tem pré-estreia hoje no Espaço Unibanco, com promoção da Folha.

"Nunca fiz música profissionalmente. Nunca quis perder tempo nisso, porque nunca considerei minha profissão", diz Vanzolini, formado em medicina pela USP e com doutorado em biologia em Harvard.

São essas as credenciais que lhe interessam, não o fato de ter composto clássicos do samba paulistano como "Ronda" ("De noite, eu rondo a cidade, a lhe procurar, sem encontrar) e "Praça Clóvis" ou de ter inventado a expressão que dá título a
"Volta por Cima" ("Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima"). Vanzolini trabalhou por mais de 50 anos no Museu de Zoologia da USP e foi diretor da instituição entre 1962 e 1993, quando se aposentou.

Mas, como não o deixam em paz com seus répteis, o teórico da biodiversidade, que faz 85 no sábado, vai enfrentar uma bateria de homenagens nesta semana.

"Não gosto de homenagens", reclama. "Mas de show eu gosto", concede. "Pego uma cerveja e sento na mesinha da frente. Adoro", contou à Folha na entrevista a seguir.



O senhor fazia a ronda em São Paulo quando compôs "Ronda". O senhor era cabo da polícia...
Polícia, não. Da polícia foi o Nelson Cavaquinho. Eu era da cavalaria, que era a polícia do Exército. Mas a patrulha era a pé. A gente patrulhava a pé o baixo meretrício, o Bom Retiro, o centro, a região da São João.

E se inspirou assim?
Cansei de ver mulher chegar na frente do bar, olhar para dentro como se procurasse alguém e ir embora. Não foi uma só que vi. Escrevi sobre isso.

E quanto a "Volta por Cima"? Qual é a história por trás da composição?
Não tem. Fiz porque fiz. Tem até uma história de que fiz porque perdi um filho num acidente. Mas, na verdade, fiz a música antes.

O senhor ainda compõe?
Larguei. Fazia música por prazer. Perdi o gosto. Eu estava em Mato Grosso, na década de 80, e fiz a última, "Quando Eu For, Eu Vou Sem Pena". É muita mão de obra. Ficava seis meses para resolver uma rima...

E o que o senhor está fazendo atualmente?
Difícil explicar. Fiz recentemente um trabalho sobre cascavéis e alguma coisa em cima de relatórios de impactos ambientais.

O senhor ganhou dinheiro com música?
Dinheiro, só ganhei com "Volta por Cima". Foi a única. Não sei por quê, deu uma enxurrada de dinheiro. Foi em 1959, 1960. Comprava livro sem ver o preço. Sempre coloquei tudo o que ganhei na biblioteca que tinha na minha sala do museu. Agora doei tudo para o museu.

Por que quis ser zoólogo?
Pelos répteis. Fui ao Butantan menino e gostei muito dos répteis.

Quais répteis?
Répteis só existem quatro: tartaruga, jacaré, lagarto e cobra.

Nunca trabalhou com sapos e rãs?
Sapo, não, graças a Deus.

Seu maior orgulho é musical ou científico?
Não tenho orgulho. Tenho satisfação. Trabalhei em todos os Estados do Brasil. Tive um barco no Amazonas.

Qual é a maior satisfação?
É a teoria dos refúgios. Sobre ciclos de vegetação no Amazonas. O clima fica mais seco, depois mais úmido, e acaba criando "ilhas" de vegetação sem contato umas com as outras. O lagarto fica ali e vai se diferenciando. Quando o clima permite que as ilhas se juntem de novo, os lagartos já não conseguem procriar. Já são espécies diferentes.

Que lagarto foi esse que o senhor estudou?
O lagarto anolis. Mas fui o segundo. Um alemão, estudando pássaros, publicou três meses antes os mesmos resultados. Estava escrevendo o meu artigo quando chegou a revista "Science" com o dele.

Que tragédia!
Mas o meu é original. Não usei o dele. Tenho enorme satisfação por esse trabalho. Fiz em conjunto com Ernest Williams, cientista americano. E continuei trabalhando até 2004, quando saí do museu.
Tive quatro úlceras hemorrágicas e três infartos na mesma noite. Ouvi os enfermeiros falando: "O velhinho não passa dessa noite". Fiquei com 30% da capacidade do coração.

E o que senhor acha dessas homenagens nesta semana?
Não gosto de homenagem. Mas gosto de show. Pego minha cervejinha e sento na mesa ali na frente. Adoro.

Cerveja com ou sem álcool?
Com. Isso os médicos ainda não tiraram.

terça-feira, 21 de abril de 2009

MAIS UM TERREMOTO NO ACRE



Um tremor de terra de magnitude 4.5 na escala Richter foi detectado no Acre, às 11h30, pelo sistema de monitoramento da Sociedade Geológica dos Estados Unidos.

O epicentro, a 623,3 quilômetros de profundidade, ocorreu a 81 quilômetros do município de Santa Rosa do Purus, na fronteira Brasil-Peru, entre os rios Envira e Purus, conforme pode ser constatado no Google Earth a partir da coordenada 9.617°S, 71.220°W.

O terremoto não foi sentido pela população do Acre. Em agosto do ano passado (veja), um terremoto de 6.3 na escala Richter foi sentido em vários pontos do Estado.

Meu comentário: apesar da magnitude e freqüência, no Acre os terremotos não causam qualquer tipo de preocupação às autoridades. Mas deveria estar na pauta por causa da construção de edifícios, pontes e passarelas. O Acre comporta uma rede com duas estações sismológicas - uma em Rio Branco e outra em Cruzeiro do Sul. Os administradores petistas falam tanto em planejamento estratégico... Deixa uma ponte deles ser sacudida por um terremoto.

JOSÉ DE ANCHIETA BATISTA

SOU "ACREANO" E NÃO ACEITO SER "ACRIANO"!

Quem quer trocar por “I” o nosso “E”,
Deste Torrão jamais sentiu o cheiro...
Nós somos ACREANOS e, por certo,
Dos Brasis, o Brasil mais brasileiro!
Não nos imponham tão fajuta regra,
Pois nossa regra existiu primeiro!

As marcas desta gente não se muda
Por decreto, por lei, por portaria...
Não se trata da troca de um fonema,
Pois o problema é de cidadania...
Consultemos o povo! Plebiscito!
Façamos uso da democracia!

O "E" faz parte da palavra Acre!
Mas o "I" faz-se intruso na raiz!
- Já que a regra é sem pé e sem cabeça,
O jeito de escrever meu povo diz:
- Não mudem nosso "E", pois é com ele
Que nossa gente é brava e é feliz!

Essa norma importada do além-mar,
Com seu modo de ser tão lusitano,
É desrespeito à alma do meu Povo,
Heróico, destemido e soberano!
- Que me tachem de rude e apedeuta,
Que eu não vou aceitar ser "acriano"!

RETROCESSO ACELERADO

Marina Silva

Aconteceu na Câmara do Deputados, na semana passada: a Medida Provisória 425, que trata do Fundo Soberano, foi aprovada com um inusitado contrabando. Emenda incluída pelo relator, deputado José Guimarães, do PT, dispensa de licença ambiental as obras de duplicação ou ampliação de rodovias. Ou seja, se a estrada existe, ainda que seja uma pequena vicinal, pode ser transformada em BR asfaltada, sem se avaliar a oportunidade do empreendimento do ponto de vista dos custos socioambientais.


Aconteceu em Santa Catarina e foi amplamente divulgado: o Estado aprovou um verdadeiro código antiambiental, em conflito com a legislação federal e a Constituição, que entre outras medidas, diminui de 30 para 5 metros a área marginal de proteção a córregos, riachos, rios, a ser observada em qualquer propriedade rural.

Está acontecendo no Congresso Nacional: 18 projetos de decreto legislativo já foram apresentados para sustar ou anular medidas administrativas de proteção do meio ambiente e de criação de terras indígenas, tomadas pelo MMA e pelo Ministério da Justiça.

Está na iminência de acontecer no Congresso Nacional: modificações no Código Florestal para jogar no lixo décadas de conquistas da legislação ambiental brasileira e sacramentar o absurdo ocorrido em Santa Catarina, abrindo caminho para que aconteça o mesmo em outros estados. Tudo em nome do desenvolvimento.

Se formos conferir o significado da palavra desenvolvimento no dicionário veremos que está definido como "estágio econômico, social e político de uma comunidade, caracterizado por altos índices de rendimento dos fatores de produção, isto é, os recursos naturais, o capital e o trabalho".

Não há desenvolvimento sem o aproveitamento equilibrado dos recursos naturais. E hoje, esse aproveitamento incorpora significados decorrentes do acúmulo de conhecimentos que demonstram cabalmente a imperiosa necessidade de manter em equilíbrio nossa relação com o planeta. Ser ambientalista é exatamente isto: é trabalhar e defender o aproveitamento correto dos recursos naturais porque disso depende a continuidade e a qualidade da vida.

Houve um tempo, recente, em que os ambientalistas eram motivo de piadas, de gozação. Foi uma difícil caminhada até atingirmos um patamar de consciência da população que dá suporte ao uso responsável do ambiente natural. Mas ainda há quem não se convença, mesmo diante de graves desastres ambientais, mesmo diante de uma crise da proporção desta que vivemos agora e que ameaça o futuro da humanidade e do planeta.

Nossa constituição, promulgada em 1988, deu respaldo à atuação dos segmentos da sociedade preocupados com tais questões. Caminhamos de forma positiva, construindo uma legislação cuidadosa, equilibrada no trato das questões ambientais, que demonstrou a viabilidade de conciliar proteção ambiental e exploração econômica.

Neste segundo mandato do presidente Lula, no entanto, diversas autoridades governamentais e do setor empresarial estão buscando inverter a história e cunhar um novo diagnóstico: não mais o meio ambiente como vítima das atividades econômicas mal conduzidas, mas a atividade econômica como vítima da proteção do meio ambiente.

Os últimos ataques de uma série acabam de ser feitos, segundo a imprensa, pelos ministros de Minas e Energia e da Agricultura, no Fórum Empresarial realizado em Comandatuba. Para o primeiro, "é mais fácil subir num pau de sebo do que conseguir permissão ambiental para construir uma hidrelétrica". O ministro deve conhecer o caso da hidrelétrica de Balbina, inaugurada no estado do Amazonas na década de 80, considerada por muitos o maior desastre ambiental já acontecido no país. Hoje em dia, graças à legislação ambiental, é "mais fácil subir num pau de sebo" do que provocar irresponsavelmente outro desastre do porte de Balbina.

O ministro da Agricultura teria dito que a legislação ambiental brasileira "foi quase toda produzida pelo Executivo, por meio de Medidas Provisórias, decretos e outras normas, sem discussão no Parlamento". Não faz justiça ao enorme esforço feito no Parlamento e na sociedade civil brasileira para debater e conseguir a aprovação, primeiro, dos dipositivos ambientais constitucionais e, em seguida, leis e normas que deram ao Brasil respeito internacional e agora podem virar pó, sob toneladas de argumentos que não se sustentam num confronto honesto com a realidade.

Quem ataca? Quem defende? Nem consciente nem inconscientemente é crível apontar o meio ambiente como obstáculo ao desenvolvimento. Ele só é visto como impedimento por uma concepção atrasada, na qual vale tudo para atingir objetivos que nem de longe podem ser considerados os da sociedade em geral.

Investir contra a proteção devida ao meio ambiente, isto sim trabalha contra o desenvolvimento capaz de dar melhores condições de vida a todos, seja nas grandes cidades, seja no meio da floresta, para populações ribeirinhas ou urbanas.

É lastimável constatarmos a movimentação que se faz para promover um enorme retrocesso em nossa legislação ambiental. E ela é alimentada pelos sinais contraditórios que partem do governo, com medidas que desconstituem tanto seus próprios avanços quanto conquistas históricas a duras penas alcançadas. Parece que está mais do que na hora de a sociedade tomar satisfações.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

EXALTAÇÃO A TIRADENTES



Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a 21 de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais

Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado pela nossa liberdade
Este grande herói
Pra sempre há de ser lembrado

De Estanislau Silva, Penteado e Mano Décio da Viola na voz de Elis Regina

segunda-feira, 20 de abril de 2009

DEU NO TWITTER DA ANA PAULA

Acho que o Twitter, a rede social para microblogs que permite aos usuários o envio de mensagens de texto com até 140 caracteres, ainda poderá se tornar mais útil para a humanidade. Por enquanto, tem cada bobagem.

Passei rapidinho na página de Ana Paula Ribeiro, a ex-assessora de imprensa do prefeito de Rio Branco Raimundo Angelim (PT).

Ela trabalha atualmente na CIA de Selva, a agência que detém as contas do governo, da prefeitura de Rio Branco e da coligação Frente Popular do Acre.

O que se deduz (isso não é bobagem) é que a garota propaganda do PT está mergulhada em profunda crise existencial e financeira.
Veja algumas mensagens publicadas por Ana Paula:

"Estou começando uma nova semana, tentando me sentir menos excluída no novo ambiente de trabalho."

"Chorando por dentro, sorrindo por fora".

"Não se aproxime! Risco de vida! TPM potencializada....
"

"Sacudindo a cabeleira pra ver se o cérebro pega no tranco."

"A garganta dói, a cabeça dói, o bolso então, nem se fala!"

"Nesse momento rezo para que chegue logo meu primeiro salário depois de vários meses de desemprego e dureza absoluta."

"Falência múltipla dos meus cartões de crédito e cheque especial."

BALBÚRDIA NO PARÁ


O chefe da Casa Civil do governo do Pará , Carlos Puty, está na região de Xinguara e Eldorado dos Carajás, no sul do Estado, onde um confronto armado entre posseiros e seguranças da Fazenda Castanhais, da Agropecuária Santa Bárbara, de Daniel Dantas, no sábado à tarde deixou oito feridos.

Na recente ação do juiz Fausto De Sanctis sobre os mandados de busca e apreensão no Rio, a Agropecuária Santa Bárbara é citada logo nas primeiras páginas da decisão. Ela integra a investigação da Polícia Federal na Operação Satiagraha.

O economista Carlos Puty não concorda que apenas a presença de grupos empresariais que adquiriram extensas áreas no Pará contribua para o acirramento do conflito fundiário no Estado.

- O problema da concentração fundiária é uma verdadeira balbúrdia no Pará. O que contribui para o acirramento é a concentração fundiária - disse Puty em entrevista por telefone ao Blog da Amazônia.

Segundo o chefe da Casa Civil, existe um movimento recente de compra de áreas gingantescas no Pará por grupos empresariais cuja origem dos títulos está sendo questionada pela Justiça, o que gera insatisfação dentro do empresariado local e tensão social.

O Pará possui um território de 124,85 milhões de hectares e 7 milhões de habitantes, sendo que sua área está afetada por unidades de conservação (61,7%) e terras indígenas (24,6%) sob competência da União. 21% está sob a competência do estado do Pará.

De acordo com Puty, o ordenamento territorial é um instrumento fundamental para assegurar paz, sustentabilidade ambiental e econômica.

Veja os melhores trechos da entrevista no Blog da Amazônia.

VANDALISMO VIRTUAL


Um lammer (zé ruela, mané, morde fronha, tanga frouxa) metido a hacker invadiu o site da prefeitura de Rio Branco.

Deixou a mensagem "m4V3RiCk has here ! BRASIL SIL SIL ..."
. Em tradução livre: "Marerick esteve aqui! Brasil sil sil".

Era pra ser "was here", mas o "zé ruela" nunca deve ter assistido aos desenhos do Pernalonga. Ele confundiu teve com esteve.

Esse tipo de maldade chega a causar alguns transtornos no atendimento à população.

domingo, 19 de abril de 2009

DIA DO ÍNDIO



sábado, 18 de abril de 2009

ISOLAMENTO E INCLUSÃO DIGITAL


Esta é visão panorâmica do distante município de Santa Rosa do Purus. Do outro lado do rio é território peruano.



Após uma hora e meia de vôo, a partir de Rio Branco, o bimotor pousa na pista de barro.


A fuselagam do avião fica coberta de lama após pousos e decolagens que exigem muita perícia dos pilotos em metade da pista. Felizmente, nas imediações da pista já existe um monte de brita e a promessa de que será pavimentada a partir de maio.


O deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), presidente da Assembléia Legislativa, o superintendente da Polícia Federal, Luiz Cravo Dórea, e o prefeito Zé Brasil (PT) inauguraram um centro de inclusão digital no escritório da PF no município.


Não é fácil imaginar o impacto de uma iniciativa dessa numa das regiões mais remotas do planeta. Essa criança jamais havia ficado diante de um computador com internet.



Em fevereiro, o superintendente Luiz Dórea inaugurou no município de Marechal Thaumatrugo outro centro de inclusão digital. Em ambos estão sendo usados computadores cujo destino seria o lixo. Com a participação das prefeituras, jovens chegam a formar filas para ter acesso à internet. Por tabela, se desfaz a imagem de antipatia da polícia e a população se aproxima para colaborar com a vigilância da fronteira.

Na quarta-feira, Dórea deixa a
superintendência da Polícia Federal o Acre. Vai integrar a cúpula da PF em Brasília. Assumirá a Coordenação-Geral de Polícia de Repressão, que é subordinada à Diretoria de Combate ao Crime Organizado.

Deixará saudades no Acre.

Leia mais no Blog do Edvaldo.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

CONTINUA VAZANTE DO RIO ACRE


O nível do Rio Acre baixou 24 centímetros de ontem para hoje em Rio Branco (AC). Segundo a última medição feita pela Defesa Civil, às 8 horas, o rio amanheceu com 14,98 metros.

Os números mostram uma significativa queda em relação à terça-feira, quando foi registrado o nível de 15,51 metros. Ontem à tarde, o nível do rio Acre estava em 15,22 metros.

De acordo com as medições realizadas desde 1971, a maior cheia já registrada foi em 1997, quando o nível do rio Acre atingiu 17,66 metros.

Existem cerca de 672 famílias desabrigadas por causa da cheia do rio Acre e a Defesa Civil espera concluir hoje o levantamento das perdas e prejuízos causados pelas inundações dos últimos dias.

Um ginásio esportivo, uma escola municipal e um parque de exposições estão sendo utilizados como abrigos públicos para atender mais de 1,5 mil pessoas.

Leia mais no Blog da Amazônia.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"NÃO EXISTE DIREITO PARA QUEIMAR"

"O sistema que impera é para gerar mesmo descontrole e impunidade geral. Quando isso acontece, o direito deixa de ser respeitado e o estado perde a sua autoridade. Nós precisamos é resgatar essa autoridade do estado."


O procurador da República Anselmo Cordeiro Lopes, 27, deixou em xeque o “governo da floresta”, do Acre, ao coordenar uma ação civil pública na Justiça Federal para que seja negada totalmente, a partir de 2011, a expedição de autorizações para queima de florestas e pastagens em todo o território do Estado.

O “governo da floresta”, que usa o seringueiro Chico Mendes como ícone e conquistou respeito dentro e fora do país como defensor de causas socioambientais, preferiu silenciar quando os Ministérios Públicos Federal e Estadual se uniram para defender o “fogo zero” no Estado. A medida pode significar um passo importante para conter a devastação da floresta amazônica caso seja ampliada para os demais Estados da região.

- Não existe e nunca existiu um direito para queimar. Na verdade isso era uma liberalidade do poder público. Existe um direito a usar a propriedade, o que inclui, de acordo com o licenciamento, nos limites da lei, o direito de retirar a madeira e até a desmatar. Mas isso não quer dizer que o proprietário possa queimar. Hoje já existem métodos eficazes de limpeza para uso da área sem o instrumento do fogo - afirma o procurador.

A ação propõe restrições crescentes. Elas iniciariam ainda neste ano, com a limitação das autorizações de queima a um hectare por propriedade, apenas para agricultura de subsistência. Progressivamente, a regra deve se tornar mais severa, até a proibição total, daqui a dois anos. O que os Ministérios Públicos querem é eliminar a cumplicidade do Estado com a prática criminosa do fogo.

No entendimento do procurador, o Código Florestal prevê, desde 1965, a proibição do uso do fogo, e uma possibilidade de autorização excepcional do mesmo. A exceção deveria ser interpretada cada vez mais como uma exceção não como a regra, sobretudo quando se consolidou a função social da propriedade e de diversas formas ao direito fundamental ao meio ambiente sadio e equilibrado.

- A autorização para queima deveria ser excepcional e não virar uma licença ordinária. O poder público fez uma má interpretação e uma má aplicação da lei, de forma a danificar o meio ambiente em benefício de interesses privados e egoísticos. O que estamos fazendo é reparando todo o histórico de ilegalidade.

Anselmo Cordeiro Lopes nasceu em Ribeirão Preto (SP). É formado em direito pela Universidade de São Paulo. Ingressou no MPF há pouco mais de um ano. Ao prestar concurso público, escolheu o Acre para trabalhar. Antes, exerceu cargo de procurador da Fazenda Nacional, em Brasília.

Os principais trechos da entrevista estão no Blog da Amazônia.

SEM ESSA DE ROUBA MAS FAZ

Do procurador da República Anselmo Cordeiro Lopes, durante entrevista à TV Acre nesta manhã, quando foi questionado sobre as insinuações de que o Ministério Público Federal estaria movido politicamente nas denúncias de desvio de R$ 22,8 milhões da BR-364 por empreiteiros e assessores do ex-governador Jorge Viana (PT):

- O que tenho a dizer é que ninguém engole mais essa de que quem trabalha pode roubar. Acabou o tempo do rouba mas faz. A sociedade não aceita mais isso. O MPF tem um trabalho de anos nesse caso, juntamente com a Polícia Federal, e existem irregularidades primárias que são comprovadas por laudos de peritos especializados.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

SUSAN BOYLE

Luciano Martins Costa



No dia 11 de abril passado, a inglesa Susan Boyle, 47 anos, virgem, feia e gordinha, apresentou-se no programa Britains Got Talent.

Foi ridicularizada quando disse que queria ser uma cantora profissional, vaiada quando disse sua idade, e quando anunciou a música que iria cantar: "I Dreamed a Dream", do musical "Les Miserables".

Então, soltou a voz. O público delirou. Era uma voz de anjo. As pessoas choraram, tentaram cantar junto. Os jurados se remexeram nas cadeiras, o terrível apresentador, que tentara ridicularizá-la, se encolheu e arregalou os olhos.


No fim, foi aplaudida de pé. As pessoas choravam desbragadamente. Uma das juradas pediu desculpas pelo cinismo com que ela foi recebida.

Susan Boyle é pura magia: feia, gorda, virgem aos 47, mas arrebentou com os conceitos de beleza e arte vigentes na mídia.

Começou a sonhar em ser cantora e a estudar aos 12. Quando se apresentou, estava desempregada.
Recebeu a maior nota entre todas as pessoas que se apresentaram nos três anos de existência do programa.

Impossível não se emocionar. Veja no Youtube. Espalhe.

A arte não tem cara feia nem bonita, não tem idade. É apenas arte. Talento.

Susan estuda canto há simplesmente 35 anos. Sozinha.

Os empresários disputam um contrato com Susan Boyle desde que ela veio a público dizer que queria ser uma cantora profissional.

Luciano Martins Costa é jornalista

A CARTEIRADA DOS MAGISTRADOS


Por essa e outras, o governo do Acre evita na web a transparência de dar acesso à sociedade ao conteúdo do Diário Oficial do Estado.


Mas quem acessa hoje o Diário da Justiça toma conhecimento do extrato do contrato nº 10/2009, relativo ao processo nº 2009.000259-9.

Como manda a tradição, o Tribunal de Justiça do Estado do Acre está contratando a empresa American Banknote S.A para fornecimento de 20 carteiras de identidade funcional para magistrados.

Valor global da carteirada: R$ 7,8 mil - R$ 390,00 cada carteira. É a sociedade que paga o luxo. Tá caro demais, doutores.

Com o excelente salário que recebem, cada magistrado deveria comprar a própria carteira. Faço isso quando necessito de minha carteira profissional de jornalista.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça esclarece: as carteiras dos magistrados foram adquiridas de uma empresa especializada, que garante a autenticidade do produto, confecionado em couro e papel especiais. O procedimento de compra foi licitação por menor preço. A compra é destinada a atender aos novos juízes que tomarão posse na sexta-feira.

NOTÍCIA DA AMAZÔNIA

Do jornalista Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa:

"A notícia saiu em primeiro lugar no Blog da Amazônia, do jornalista Altino Machado, ao meio dia de ontem, e foi ignorada pelos sites dos jornais até o final do dia, apesar do ineditismo da decisão: os Ministérios Públicos Estadual e Federal do Acre entraram com Ação Civil Pública na Justiça para que seja negada, a partir de 2011, qualquer autorização para queimada de florestas e pastagens em todo o Estado.

Trata-se de uma medida que, se ampliada para os demais Estados da Amazônia, pode representar um passo importante para conter a devastação da floresta.

A ação propõe restrições crescentes, que se iniciariam ainda neste ano, com a limitação das autorizações de queima a um hectare por propriedade, e apenas para agricultura de subsistência.

Depois, progressivamente, a regra deve se tornar mais severa, até a proibição total, daqui a dois anos.

Se a medida não garante o fim das queimadas, pelo menos elimina a cumplicidade do Estado com a prática criminosa.

Os jornais não apreenderam a importância da medida, embora tenham publicado outras notícias sobre a questão ambiental, como a o fim da necessidade de licença ambiental prévia para obras de melhoria e ampliação de rodovias.

Aliás, os jornais dos chamados grandes centros têm muita dificuldade para lidar com o tema Amazônia.

Por exemplo: depois de haver saturado o noticiário sobre a questão da demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, tendendo claramente a apoiar os produtores de arroz contra os interesses dos índios, a imprensa abandonou quase completamente o tema da gestão territorial da região amazônica.

Seria o caso de explicar ao leitor o que acontece após a decisão do Supremo Tribunal Federal, por 10 votos a 1, de aprovar a demarcação da reserva em terras contínuas, consumando a ilegalidade da presença de produtores de arroz naquela área.

Essa decisão cria a norma geral sobre a questão das terras indígenas.

Mas há muito mais informação naquilo que não foi dito pelos jornais do que no que foi publicado."

Festival de bobagens

A imprensa reconhecida como tal precisa caprichar mais no esclarecimento da questão do uso das áreas ricas em biodiversidade, principalmente porque em outros meios, como certos blogs mantidos com dinheiro de fazendeiros e madeireiros ilegais, a decisão do STF é apresentada como ato de traição à Pátria.

Enquanto a chamada grande imprensa se omite, os agentes da desinformação reforçam os mitos urbanos sobre a Amazônia, e muito brasileiro inteligente acaba acreditando que a floresta está dominada por ONGs estrangeiras e pesquisadores piratas.

Um bom ponto de partida seria lembrar que os direitos originais dos índios às terras ocupadas tradicionalmente por seus ancestrais foi estabelecido pela Constituição de 1988, e que esse direito é considerado imprescritível.

Difícil aceitar a tese de que os constituintes de 88 teriam forjado um ato de traição à Pátria, sob os olhares atentos da imprensa.

Talvez os jornais devessem também observar que os produtores de arroz de Roraima são invasores, ocupam terras demarcadas anteriormente como território indígena, que seus títulos são nulos e que não possuem direitos legais a ressarcimento por eventuais benfeitorias.

Também seria bom esclarecer que a reserva consolidada pelo STF representa 7,5% do território de Roraima, e não um terço ou metade, como tem sido divulgado. Junto com outras reservas, Roraima tem 46% de sua área demarcada. Nos outros 54% cabem os territórios do Rio de Janeiro, Alagoas e Espírito Santo, onde vivem 22 milhões de brasileiros. Roraima tem apenas 400 mil habitantes.

Da mesma forma, a imprensa falhou em não esclarecer que as terras indígenas não ameaçam a soberania nacional. São patrimônio da União, que tem plenos poderes sobre as áreas demarcadas, inclusive para a atuação das Forças Armadas e de instituições de assistência à saúde.

A soberania nacional é ameaçada constantemente na Amazônia por cidadãos não índios, que ocupam ilegalmente vastas áreas de terras públicas, desmatam, queimam, transformam a floresta em pasto e deixam como rastro cidades miseráveis e problemas sociais de todos os tipos, que os verdadeiros contribuintes têm que financiar.

terça-feira, 14 de abril de 2009

UMA AÇÃO HISTÓRICA NA AMAZÔNIA

MP quer “fogo zero” no Acre a partir de 2011


Os Ministérios Públicos Federal e Estadual moveram na Justiça Federal uma ação civil pública para que seja negada totalmente, a partir de 2011, a expedição de autorizações para queima de florestas e pastagens em todo o território do Estado do Acre.

A ação judicial, que envolve todos os órgãos encarregados de elaborar políticas públicas e de fazer fiscalização ambiental no Estado, ocorreu após o Ministério Público não ter atingido seus objetivos ao sugerir a adoção de medidas que minimizassem o flagelo do uso do fogo, considerado “um mal necessário” na Amazônia.

Como trata-se de uma ação com pedido de antecipação de tutela, os procuradores almejam eliminar, imediatamente, a prática de queimadas no Estado, por considerarem ser uma atividade que tem causado danos ao meio ambiente e à sociedade acreana. Eles requerem o deferimento da antecipação da tutela jurisdicional, com a cominação de multa diária e a responsabilização pessoal dos agentes públicos.

A ação ajuizada no Acre é inédita na história jurídica brasileira. Foi coordenada por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, Patrícia de Amorim Rêgo e Meri Cristina Amaral Gonçalves. Eles assinalaram que a ação poderá servir de precedente para a proibição definitiva das queimadas na Amazônia.

Veja no Blog da Amazônia o que pedem os Ministérios Públicos a cada ente público.

HORÁRIO DE ORAÇÃO

Evite telefonar para repartições públicas do Acre entre 8 e 9 horas da matina. Você corre o risco de se irritar logo cedo ao ouvir do outro lado da linha o seguinte apelo de alguma voz sussurrante:

- Volte a ligar depois, pois agora estamos em horário de oração.

Durante uma hora ou mais o atendimento ao público é interrompido. As pessoas dão as mãos, se abraçam, cantam, dançam, lêem e oram. Em certos ambientes públicos, o comportamento de alguns grupos beira o fanatismo.

Existe uma seita evangélica, por exemplo, que incentiva os "fiéis" a estabelecerem o momento de oração e estudo da palavra de Deus nos ambientes de trabalho. Até incentiva fortemente que sejam convidados justamente quem não comunga na mesma denominação. A ofensiva de intolerância é clara.


As pessoas poderiam orar em suas casas, o que evitaria tornar ainda mais precário o atendimento no serviço público. Alguém poderia avaliar se o acesso irrestrito à web a partir de repartições públicas seria tão danoso quanto esse tal horário de oração.

Um gaiato conta que uma empresa foi processada fora do Acre por algo semelhante. O cliente telefonava e uma voz dizia:

- Para falar, aperte um.

E alguns adolescentes telefonavam apenas para ouvir a mensagem e apertar mais um baseado. O pai de um deles decidiu processar a empresa.

- Nas repartições públicas do Acre, poderiam combinar: "Aperte 1, estamos em nosso momento de oração" - sugere o gaiato.

Um amiga, evangélica, costuma orar com seus colegas na repartição. Ela considera que o momento de oração não é justo, mas é comum.

- Oração é algo bom em qualquer lugar, desde que seja breve e deixe alguém para atendimento. O estado só poderá ser laico no dia em que as pessoas forem laicas. É o mesmo assunto daquela invocação do nome de Deus na Constituição - disse.

No meu ponto de vista, argumentei, para Deus tanto faz se o nome dele consta ou não em alguma constituição, que bobos somos nós que inventamos de incluir ou suprimir.

- Acho que Deus tem que estar em tudo. Até no sexo, na política, em casa. Ele é tudo em todos, porém deve haver limites quando se trata de serviço público, horários, atendimentos etc - acrescentou ela.

Contou que já viu o impacto de oração na sala de trabalho, quando um ateu que a condenava por causa das orações, anos depois reapareceu para dizer que deixara o ateísmo. Falei que não existe ninguém ateu.

- Mas ele se dizia ateu e não aceitava meu convite para cinco minutos de oração no ambiente de trabalho. Pedi a Deus por ele. Agora vou pedir a Deus por você, Altino. Ele vai te encontrar lá dentro.

Bem, tem gente que ora ou faz milhares de preces de modo contrito e silente, sem necessidade de comprometimento do atendimento na esfera pública.

Mas existem também aqueles que necessitam de exposição e se valem da coerção para obrigar os outros a participarem de suas orações. E que dão até coices no público após a oração.

Em tempo: o Acre é recordista no país em feriados estaduais. Um deles é o Dia do Evangélico.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

FAZ LEMBRAR O ACRE

Em Porto Velho, não diga que o rei está nu!

Trecho do artigo da jornalista Eliane Brum, da revista Época, em resposta aos que reagiram contra a reportagem dela sobre o "progresso" em Porto Velho (RO):


"No início, fiquei chocada e sem entender. Afinal, sou jornalista há mais de 20 anos e já fiz centenas de matérias denunciando problemas de saúde, educação e saneamento básico, sem que jamais alguém estranhasse o fato de estar fazendo meu trabalho. Respirei fundo e passei a desconstruir as críticas, com a convicção de que deveria aproveitar a oportunidade para aprender mais sobre Rondônia.

Denunciar problemas é uma das mais importantes obrigações da imprensa em qualquer país do mundo. Apenas governos de países totalitários se notabilizam por atacar jornalistas que mostram os fatos como os fatos são. Em nenhuma das reações à matéria – de parte dos políticos, empresários e população –, alguém afirmava que os problemas mencionados na matéria não existiam. As informações estavam corretas. O suposto crime ao qual me condenavam era o fato de divulgá-las no site de uma revista nacional.

Cheguei então a uma curiosa conclusão: fui caluniada publicamente por ter ousado dizer que em Porto Velho há problemas. Ou seja: para parte da população e dos dirigentes, o que revolta não são os problemas, mas dizer que eles existem. Ou seja: basta apedrejar quem denuncia os problemas que os médicos vão se multiplicar, as vagas na escola vão aparecer e os buracos desaparecer.

A próxima pergunta era óbvia: por que as pessoas que se unem para me difamar não se unem para reivindicar a melhoria das condições de vida em Porto Velho? Por que não usam essa indignação para exigir cidadania e cumprimento das promessas de campanha? Não sei. Bom para os responsáveis que os eleitores se enfureçam não com os problemas, mas com quem diz que os problemas existem."

Leia o artigo completo no site da Época.

PELO CAMINHO

Luiz Cravo Dórea



Era um imenso espaço dentro de um edifício de pedra dos tempos medievais. Acordei de madrugada com o barulho de pelo menos umas 30 pessoas dentre outras 150, desconhecidas entre si e das mais variadas partes do mundo, que roncavam em beliches colocados lado a lado. Aquela estranha sinfonia durante a primavera espanhola marcou uma das mais enriquecedoras experiências que eu já tive: o Caminho de Santiago de Compostela.

É um caminho de autoconhecimento, milenar, cenário da busca espiritual de Paulo Coelho no livro O diário de um mago (1986). Muitas pessoas desejam um tempo sozinhas para repensar os seus ideais e o sentido de suas vidas. Há quem o faça por motivos religiosos ou ainda por simples aventura

De qualquer forma, independentemente do que se passa nos subúrbios da alma do andarilho, há certas percepções inevitáveis. Por exemplo, se você é capaz de compartilhar dormitórios e banheiros com pessoas que sequer falam a sua língua e até achar engraçado uma guerrilha de roncadores dentro do seu albergue, por que não podemos viver em harmonia em família, no trabalho, com o outro?

Muitos se sentem infelizes ou como cidadãos de segunda classe por não terem um carro luxuoso ou certos objetos de consumo. No entanto, em poucos dias de caminhada sentem que são capazes de dormir, comer o necessário e sentirem-se felizes sem cartões de crédito. Apenas uma mochila contendo uma muda de roupa e pouquíssimos objetos pessoais.


É verdade que não é necessário viajar para a Espanha ou outro local do planeta para tais experiências existenciais. Poderia ser por aqui mesmo, no Acre, na bela estrada de Rio Branco a Cruzeiro do Sul, ou no culto do Santo Daime, para alguns. Mas a minha experiência foi o Caminho. É dele que eu me lembro quando as coisas não vão muito bem na polícia, como ocorre em qualquer lugar. Nessas ocasiões, recordo-me que diante de todas as adversidades há que se manter a calma e tomar atitudes ponderadas e justas. E, principalmente, prosseguir sempre.

Além das percepções pessoais, destaca-se a paisagem por onde passa o peregrino. São vilarejos e construções seculares, com vinhedos, cerejeiras e oliveiras. A hospitalidade das pessoas é tanta que muitas vezes desperta a vontade de ficar por ali mesmo. Mas ele segue. Acorda, arruma a mochila, verifica o mapa e ruma para a próxima cidade porque sabe que tem um objetivo, um caminho a percorrer, uma meta a cumprir.

O Acre é como um desses lugares em minha jornada de vida. Não é necessário ter uma trajetória magnífica como Plácido de Castro ou Chico Mendes. Eles são heróis, são únicos. Para pessoas comuns como eu basta dar o melhor de si dentro do que cada um faz, não chegar de costas e não deixar que o preconceito e o orgulho lhe impeçam de ver que neste Estado sobram pessoas aptas a mudar a nossa sociedade para melhor.

Esses atores sociais estão por aí, nas escolas, nos hospitais, na Justiça, na imprensa, nas delegacias, no empresariado, com um poder de transformação que às vezes nem se dão conta. De nada, absolutamente nada, adianta o conhecimento sem ações práticas, muitas vezes baratas e simples, que dependem de alguns telefonemas ou de pequenos acertos. Enfim, o que vale é a atitude.


Dizem que o Acre é longe. Longe de onde? O tempo de vôo entre Rio Branco e Brasília é quase o mesmo entre esta e Porto Alegre. Também, tomando-se a capital federal como referência, o tempo que a separa de Rio Branco é a metade das seis horas de avião entre Nova York e San Francisco, nos Estados Unidos.

Compreendo porque tantos passaram e ficaram no Acre. Eles encontraram o sentido de suas vidas aqui. A sua visão de cultura não é shopping center ou lojas de marca. Fizeram da crença na floresta o seu projeto pessoal e criaram um jeito singular de experimentar a essência da vida. A esses e às professoras da Escola Dom Bosco, que cuidaram com tanto carinho do meu filho autista, eu me despeço com respeito e admiração.

Ter vivido no Acre é o que de melhor trago em mim agora. É a jóia do meu currículo. Levo para o próximo destino, além da minha mochila de policial nômade e novos amigos, a lembrança da Ópera Aquiry, da elegância dos Ashaninka, da dignidade dos povos da floresta, do Parque Nacional da Serra do Divisor, da Transoceânica, símbolos de uma terra de passado glorioso, presente definido e futuro esperançoso.

Luiz Cravo Dórea, 41, é superintendente da Polícia Federal e representante regional da Interpol no Acre. Conforme este blog havia antecipado, perde o Acre. Dórea foi promovido e deixa o cargo de superintendente da PF no Acre. Assumirá a Coordenação-Geral de Polícia de Repressão, que é subordinada à Diretoria de Combate ao Crime Organizado. O novo superintendente no Acre será José Carlos Chalmers Calazane, chefe da delegacia da PF em Foz do Iguaçu (PR). Leia no Blog da Amazônia uma entrevista com Luiz Cravo Dorea.

AEROPORTO PLÁCIDO DE CASTRO

Lula dá nome de líder da Revolução Acreana ao Aeroporto de Rio Branco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Nelson Jobim, da Defesa, assinaram um decreto que denomina de Plácido de Castro o Aeroporto Internacional de Rio Branco (AC).

O nome do coronel José Plácido de Castro, que liderou a Revolução Acreana contra o domínio da Bolívia na região, subtitui o do general ditador Emílio Garrastazu Médici, que foi presidente do Brasil entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974.

No dia 20 de março, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) excluiu o aeroporto de Rio Branco da lista de aeroportos internacionais do Brasil.


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ISRAEL



Caro Altino,


O garoto da foto é o Israel. Ele pode ser chamado de "povo da floresta". Vive numa região em Cruzeiro do Sul (AC) denominada Badejo de Cima, mais precisamente às margens do Igarapé das Piabas.

Esse garotinho de 9 anos e cinco malárias, sofreu um acidente com sua velha bicicleta - a parte interna da perna foi rasgada e perfurada profundamente pelo guidão. O acidente ocorreu às 11 horas da manhã.

Em busca de ajuda, o irmão de Israel caminhou 5 horas até encontrar um grupo de motoqueiros que se divertia numa trilha de lama. Os motoqueiros foram até a casa de Israel e resolveram trazê-lo até o hospital.

Como você sabe, as motos de fazer trilhas são bem altas e desconfortáveis. Mesmo assim, os motoqueiros fizeram do garoto uma mochila. Com lençóis, amarraram Israel ao piloto e seguiram. Outra moto trazia a mãe dele com muita dificuldade, pois ela é bem gorda.

Demoraram 3 horas até chegar próximo ao igarapé Canela Fina. Um primo meu foi quem trouxe o Israel. Telefonou para mim pedindo um carro urgente porque o garoto estava praticamente sem sangue devido a viagem em cima da moto com aquele ferimento aberto.

Quando cheguei com o carro, após meia hora, Israel ainda estava em cima da moto, amarrado ao corpo de meu primo. Retiramos ele da moto e o embarcamos no carro. Enrolamos a perna dele nos lençóis molhados de sangue e seguimos para o hospital, o que demorou mais 20 minutos, pois chovia e a estrada não é toda asfaltada.

Mesmo com todo aquele sofrimento, Israel permanecia sorridente, como se o sofrimento já fizesse parte do seu dia a dia. Tentei puxar um pouco de conversa, mas ele falava pouco. E quem gostaria de conversar num momento daqueles? Israel tinha que ficar calado mesmo.

Anotei num pedaço de papel o telefone do Ibama e do Instituto de Meio Ambiente do Acre para que a mãe de Israel, em caso de acidente semelhante no Badejo de Cima, mandasse alguém até à cidade procurar socorro junto a esses dois órgãos públicos.

O Ibama e o Imac possuem os melhores carros com tração e até helicóptero. Orientei ainda que quando tivesse necessidade de telefonar para esses órgãos, não dissesse que estava em busca de socorro a uma pessoa doente ou acidentada ou que estava morrendo de malária. Sugeri dizer que viu alguém matando um jabuti para comer ou alguém queimando um roçado.

Abraços,

Jonas Amado Araújo

DESTRUIÇÃO DA AMAZÔNIA

Google Earth mostra o avanço da devastação ocorrida em Ariquemes (RO) nos últimos 30 anos






Localizada no centro-norte de Rondônia, a 198 quilômetros de Porto Velho, Ariquemes possui atualmente 85,5 mil habitantes em 4,4 mil km². A tribo indígena que deu origem ao nome da cidade foi extinta. Falava o txapakura, pertencente ao tronco lingüístico tupi.

Ariquemes abriga o Bom Futuro, considerado o maior garimpo de cassiterita a céu aberto do mundo. Na década dos 1980, no auge de sua produção, eram retiradas toneladas diárias do metal.

O declínio do garimpo deixou graves problemas sociais, sobretudo um elevado índice de violência. Bom Futuro reunia mais de 20 mil garimpeiros de todas as regiões do país em busca de melhores condições de vida.

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Blog da Amazônia

domingo, 12 de abril de 2009

COMO ESCREVER PARA A WEB



Após cinco anos escrevendo para a web, comecei a ler pela primeira vez algo sobre o tema - a edição eletrônica em português do livro Como escrever para a Web, do jornalista colombiano Guillermo Franco, traduzido pelo jornalista brasileiro Marcelo Soares.

É uma iniciativa do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin. Encontrei o livro por acaso, a partir de uma citação que um blog do Centro Knigth fez deste modesto blog.

Clique aqui, para baixar em formato PDF as edições em português e espanhol, na íntegra e gratuitamente.
Como escrever para a Web é o segundo guia de habilidades para jornalistas que o Centro Knight publica.

Em dezembro de 2007, o Centro Knight lançou edições eletrônicas em espanhol e português do livro Jornalismo 2.0: Como sobreviver e prosperar, Um guia de cultura digital na era da informação, escrito pelo jornalista americano Mark Briggs.

Para assimilar as boas lições dessas duas obras não é necessário ser estudante de jornalismo ou jornalista profissional.

sábado, 11 de abril de 2009

BOLA PRA FRENTE

Sepetiba, o campeão do mundo da minha infância

Armando Nogueira




Sepetiba era o terror dos bolivianos, prêto de raça que nunca fugia do jôgo, fôsse em Rio Branco ou em Cobija, em cujos campos costumava sangrar uma terrível rivalidade de fronteira.

Estávamos sempre juntos e eu sentia de perto a bravura de Sepetiba, entregando as pernas às chuteiras de couro cru, amarelas, que os bolivianos costumavam desembainhar naqueles amistosos vulcânicos de Cobija, Brasiléia (naquele tempo, era Brasília, a doce cidadezinha nos limites do Brasil com a Bolívia). Era o terror dos bolivianos o prêto Sepetiba, meu bom amigo Euclides da Costa.

Embora se diga que no interior não se joga futebol, embora tudo o que se inventa por aqui sobre a qualidade de jôgo nos campinhos longe do Rio, posso dizer que foi por lá, no Acre, vendo o Sepetiba, o Chico Banha, o Dudu, o Marajó, o Severo - foi vendo essa gente tôda que descobri o gôsto do futebol. Espremendo razões, chegarei à conclusão de que a êles, ao Sepetiba, devo eu a sorte de ter chegado até a Suécia para assistir à "Copa do Mundo".

Sepetiba não jogava bonito, soltava o pé, era valente; clássico era o Severo, espécie de Danilo dos pobres, visão de craque que trago da infância. Mas, o que me empolgava mesmo, era o coração do Euclides, o Sepetiba.

Correu o tempo, transferi-me para o Sul, não tive mais contato com os amigos, meus ídolos do campo do Rio Branco, que era a coqueluche do major Isidoro e do Geraldo Mesquita. Do Mesquita, tenho tido notícias, ele aparece, às vezes, por aqui, é botafoguense. Dos outros, ficaram-se, apenas, umas pontas de saudade que vêm à tona quando à tona me vêm a infância e um pedaço da adolescência, vividas entre o barro vermelho de Penápolis e aterra fina de Rio Branco, onde aprendi a fazer "embaixadas" de canhota com bola de borracha importada de Santarém.

Ontem, um amigo me trouxe de Rio Branco um pacote e uma carta. Presente do Sepetiba: a miniatura de uma péla de borracha com os nomes dos campeões do mundo gravados a fogo e uma dedicatória singela: Ao amigo Armando, um lembrança da "Copa do Mundo".

Revi, no presente, meu bom amigo Euclides, esguio, comprido e simples; reencontrei, na péla de borracha, minha terra e nela o menino que fui eu.

A "Copa do Mundo", que vi tão de perto, nos campos de Gotemburgo, Estocolmo, Udevala - aquela conquista de Solna me deu grandes e belas emoções. Nenhuma, porém, é tão minha quanto essa que me veio de Rio Branco.

Sepetiba devolveu-me a minha infância: o campo do Rio Branco, as meninas do ginásio de uniforme azul-e-branco na arquibancada, e a cidadezinha carregando em triunfos o "center-half" Sepetiba, o campeão do mundo dos meus 10 anos.


"Caro Altino, fazendo uma varredura em alguns documentos, encontrei uma crônica escrita por Armando Nogueira, que àquela época, em agosto de 1958, usava o pseudônimo "Arno" na coluna "Bola Pra Frente", do Jornal do Brasil. Ele homenageia meu pai, o famoso Pedro Sepetiba. Digitalizei o pequeno texto, mas o título saiu apagado, mas aqui eu te esclareço: "O campeão do mundo da minha infância". O nome do meu pai era Euclydes Barbosa da Costa, nascido no Seringal Catuaba com o nome de Pedro, dado por minha avó, dona Lídia Barbosa da Costa, nascida numa senzala da Ilha de Marajó (PA), após a assinatura da Lei Áurea. Bem, mas por essas razões do coração ou do destino, quando veio para Rio Branco ser batizado, a madrinha de apresentar achou o nome Pedro impróprio. Ao que parece, baseada nas andanças de Euclydes da Cunha por aqui, mudou o nome de meu pai para Euclydes (com y), mas o nome Pedro lhe acompanhou por toda sua vida vida, e pelos idos de 1940, numa partida de futebol, na cidade de Xapuri, lhe pespegaram o apodo "Sipitiba", daí o nome Pedro Sepetiba, conhecidíssimo em Rio Branco, e até na Bolívia, jogando futebol pelo Rio Branco. Enfim, meu pai se foi em 1994, mas sei que seu nome até hoje é lembrado com carinho por todos os que o conheceram.

Abraços

Edson Carneiro da Costa"

sexta-feira, 10 de abril de 2009

GEOGLIFOS DO ACRE

Eles podem ser reconhecidos pela Unesco como Patrimônio da Humanidade no Brasil


Os geoglifos do Acre foram incluídos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) numa lista indicativa de bens passíveis de ser declarados pela Unesco como Patrimônio da Humanidade no Brasil.

Os geoglifos do Acre são sítios arqueológicos com estrutura de terra - valas de 1 a 3 metros de profundidade em formas geométricas. Existem em grande quantidade no Acre, onde já foram identificados mais de 100 até o momento. Estão dispersos, ainda, no Peru e Bolívia, países vizinhos do Acre.

Os geoglifos, que foram construídos pela ação humana há cerca de 1.000 anos, ainda estão em processo de pesquisa. Podem ter sido estruturas defensivas, centros cerimoniais, locais de encontro e peregrinação.

Segundo a argumentação do Iphan, estes bens colocam questões sobre estes povos que os construíram e sobre a sustentabilidade dos ecossistemas da floresta tropical e sua expansão e retração nos dois últimos milênios.

Os sítios arqueológicos se revelaram após os pecuaristas derrubarem e tocarem fogo nas florestas para a formação de pastagens em suas propriedades.

Coordenadas geográficas

Usuários do Google Earth ou Maps Google podem apreciar alguns dos 120 geoglifos do Acre, a partir das seguintes coordenadas: (10°12′13.32″S 67°10′18.09″W), (10°22′1.61″S 67°43′24.89″W), (10°18′24.51″S 67°13′12.50″W), (10°13′49.01″S 67° 7′26.71″W), (10°17′14.08″S 67° 4′32.97″W), (10°13′5.25″S 67° 9′28.94″W), (10°18′ 06.64″S 67° 41′41.55″W), (10°11′27.65″S 67°43′20.11″W).

No ano passado, o paleontólogo Alceu Ranzi e a arqueóloga Denise Schaan percorreram algumas regiões do Acre durante 15 dias e localizaram novos geoglifos.

Geoglifo Bimbarra, a apenas 1000 metros da sede da prefeitura de Capixaba - um círculo com meia lua interna, nas coordenadas 10°34′08″ S 67° 40′ 00″ W , que apresenta grande potencial turístico pela proximidade da cidade.

Geoglifo Hortigranjeira, considerado complexo, com dois circulos, linhas paralelas e outras estruturas, nos fundos da Cidade Hortigranjeira, a 5 Km do asfalto da BR-317, no Ramal Sementeira, nas coordenadas 10° 27′ 58″ S 67° 44′ 25″ W , também em Capixaba.

Geoglifo Gavião, de estruturas complexas, circulos, quadrados e linhas, nas coordenadas 10° 31′ 34″ S 67° 37′ 59″ W, em Capixaba.

Geoglifo Fazenda Crixá, também de estruturas complexas, circulos, linhas, quadrados e polígonos, coordenadas: 10° 35′ 43″ S 67° 41′ 09″ W (Capixaba).

Outro, um pouco mais antigo, mas pouco divulgado, é o Geoglifo Tequinho, de estruturas complexas, tendendo para os retângulos. Está nas coordenadas: 09° 53′ 50″ S 67° 25′ 20″ W , no ramal do Pelé, Perto da Vila Pia, na BR-317.

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A LUTA CONTRA UMA PALAVRA

Moisés Diniz

A deputada Perpétua Almeida convidou a intelectualidade acreana para discutir a mudança do Acordo Ortográfico, entre os países de língua portuguesa, que determina o gentílico acriano para quem nasce no Acre. À primeira vista pareceu uma luta inglória. Depois se agigantou. Descobrimos que lutar contra a adulteração de nossa memória lingüística, mesmo que seja através da legalidade científica, é uma tarefa de todos os acreanos, independente de cátedra, opção política ou credo.

Acho que a luta contra uma palavra é uma guerra mais árdua do que um combate contra um país. Pois, muitas vezes, um país não luta como nação, luta como soldado, como mercenário e sem nenhuma paixão. A luta contra uma palavra não é uma luta qualquer. É como juntar os anjos na terra e os demônios no céu, pois uma palavra pode destruir uma fortaleza, aniquilar uma nação.

Corno! Pedófilo! Ladrão! Dito a muitas vozes já destruiu famílias, cargos públicos, propriedades e biografias. Acriano! Uma palavra é uma serpente de fogo, um vulcão indomável, uma tempestade, um deus do mal. Uma palavra pode mexer com tudo que um homem cultivou, sua história, seus valores, seus afetos. Não brinquem com as palavras. Elas podem ferir muito mais do que uma palmatória de fogo, uma lâmina de sal.

Por isso, não vamos brigar com nós mesmos. Nós escrevemos acreanos há quatro gerações e não temos culpa se o Acordo Ortográfico demorou um século para se efetivar. Não vamos brincar com a palavra que foi escrita por nossos pais. Eles não estão mais aqui para dela cuidar, ficar valente com quem queira adulterá-la, brigar por ela. Eles estão, todavia, pensando e escrevendo por nós.

Nesses dias descobri que o Acre é, de fato, um lugar especial. Surpreendente como o nosso povo discute os assuntos que lhe dizem respeito, mesmo que problemas mais básicos não tenham ainda sido superados. O jovem desempregado, o homem sem casa própria, a mulher na fila do hospital ou o ancião na ponta da rua aonde o asfalto ainda não chegou. Eles estão discutindo a beleza do acreano e o incômodo do acriano, mesmo sabendo que este último é o filho verdadeiro da língua.

Aqueles que andam sempre na rua de baixo, mesmo que assinem um dr antes do nome, vão questionar porque nós não estamos tratando dos problemas básicos do povo, como educação, saúde, emprego, moradia, transporte e saneamento. Vão, talvez, perguntar porque não estamos questionando os parlamentares semi-analfabetos que se elegem ou aqueles que resvalam para a corrupção.

Não perderemos tempo com esse assunto. O Acre é pequeno e todos se conhecem. O que vamos fazer é defender um ponto de vista: a nossa história como povo é mais importante do que a história da língua e esta não pode suprimir a história da palavra, que tem um mundo ao redor, um ritual, com dores humanas e alegrias, sentimentos coletivos e até revoluções.

Eu escrevo puraquê, nos tratados e nos concursos, e falo puraqué na rua. Eu escrevo bacuri e alimento o bacurim, sou picado pela tucandeira e escrevo tocandira, caço uma nambu e escrevo inambu, exconjuro a côa e escrevo acauã, há cem anos, às margens dos igarapés, nas casas de palha e de alvenaria. Eu falo acriano e escrevo acreano. Nós nunca brigamos, nesses cem anos, para que o Brasil ortográfico mudasse essas palavras criadas pela voz rouca de nossos pais.

Acreano é muito mais do que um adjetivo gentílico. Acreano é um personagem indígena, nordestino e revolucionário. Sua idade é de um século, sua pele é queimada pelo sol amazônico, marcada pelos insetos da floresta e suas mãos ainda têm a marca e o odor da pólvora de nossa revolução. Nossa história exige que, mesmo que insistam alguns doutores da ortografia, o mapinguari e a caipora nunca se tornem acrianos. Se o coração humano bate a cada segundo, o personagem acreano tem três bilhões de pulsos, mais cento e dez milhões e quatrocentas mil batidas de um coração.

Por que o Acordo Ortográfico está nos impondo o acriano como adjetivo gentílico? Em linguagem simples dá para compreender o fenômeno morfológico que ocorre com a palavra ‘Acre’. A sílaba tônica é ‘A-cre’ e, dessa forma, por ser átono o -e- de ‘Acre’, ele não permanece no radical da palavra derivada, havendo a vogal de ligação -i- para acomodar o radical ‘Acr-‘ ao sufixo ‘-ano: ‘acriano’. O fenômeno morfológico que determina o gentílico acriano não levou em conta que o uso consagra a forma, apesar do saber erudito, suas regras morfológicas e a história da língua.

Continuaremos a ter a mais indiscutível deferência a eruditos gramáticos como Antônio Houaiss, Aurélio e Celso Luft que consagraram o uso acriano, junto com a forma acreana. Mas, continuaremos lutando pela manutenção de nossa tradição secular de sermos grafados como acreanos. Imagine quem nasce na Coréia ser chamado de coriano, por causa de uma lei morfológica, que se sustenta numa intrincada engrenagem erudita de sílabas tônicas ou átonas e vogais de ligação.

O filólogo Evanildo Bechara, titular da Academia Brasileira de Letras, diz que, apesar de respeitar nossa resistência cultural, acreano com ‘e’ é um erro de história da língua, uma espécie de mentira morfológica. Se acreano é uma mentira morfológica, permaneceremos nela, porque é uma mentira contada por todo o povo, durante cem anos. E mentira que é contada por todo um povo, durante um século, deixa de ser mentira e passa a ser verdade histórica. E a história se torna palavra, como o Verbo que se fez carne ou a palavra que se fez luz.

E não foi acriano que da história e da revolução nasceu. Não foi acriano que surgiu das mãos valentes de Plácido de Castro e nem do seu sangue inocente. O general Pando não sofreu o vexame da derrota para os acrianos e nem o Tratado de Petrópolis deles se ocupou. E acrianos não são os filhos de Chico Mendes. Por que queimar milhares de cartas que chegavam do árido sertão, onde as mulheres amadas de nossos avós suspiravam e diziam: chegará o dia em que partirei e, às margens de um lago na bela terra acreana, eu te amarei.

A evolução lingüística não se faz por decreto, como se pudesse um pai fazer um acordo com outro pai sobre o amor e a paixão dos seus filhos. Ela está sujeita a leis históricas inexoráveis. O tupi foi proibido através da lei e as línguas indígenas foram abandonadas pelas próprias aldeias, a partir da vontade imposta pelo homem branco. Mas, nem a lei e nem a vontade branca mataram a história e a vida das línguas indígenas, sua sonoridade, seus significados milenares e sua afetividade.

O gentílico acreano originou-se do Aquiri (forma pela qual os exploradores da região transcreveram a palavra uwakuru, do dialeto dos índios Apurinãs). E nunca é demais lembrar que, antes dessa terra ser conhecida e explorada pelo homem branco, as coisas do mundo amazônico já possuíam nomes para designar o lugar, como os rios, as planícies, os lagos, os animais, as plantas. O acreano já existia antes do Acre, como uma profecia no imaginário indígena.

A chegada do homem branco deu início a um processo de aniquilamento físico e esfacelamento do universo cultural, de seu mundo lingüístico, e da organização econômica. Por isso, como uma nova esquadra de navios mercantes, a chegada desse novo acordo ortográfico assusta os acreanos e sua secular teimosia morfológica. É que nós temos passado. A árvore genealógica do Acre está viva. Nossos antepassados mais distantes ainda têm os seus nomes gravados em seus túmulos. Nosso passado é tão forte que se mistura ao presente, como o abraço de uma avó e a travessura de um bisneto.

E vamos continuar assim, apaixonados pela água da chuva, o barulho do vento, a dança indígena, a paz das aldeias, o amor ritual, a paixão acreana. É que vai ficar muito ruim a gente escrever uma poesia sobre a revolução acriana e não vai dar para mudar o verso do hino que fala do sol amazônico que ‘enche’ o peito de cada acreano.

Moisés Diniz é deputado estadual do PC do B

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PROJETO EXCELÊNCIAS


Quer conferir se a caderneta de poupança da filha do senador Tião Viana daria para pagar aquela conta de telefone? Saber quanto a senadora Marina Silva gastou com divulgação? Quem contribuiu com a campanha de ambos, quanto gastaram de aluguel e transporte? Os bens que declararam à Justiça Eleitoral ou a variação patrimonial deles?

O Projeto Excelências é da Transparência Brasil, uma organização brasileira, independente e autônoma. Traz informações sobre todos os parlamentares em exercício nas Casas legislativas das esferas federal e estadual, e mais os membros das Câmaras Municipais das capitais brasileiras, num total de 2368 políticos.

Vale a pena conferir o relatório sobre doações eleitorais e patrimônio. Os candidatos mentem à Justiça Eleitoral.

Pelo menos no caso dos candidatos que doaram mais recursos do que declararam possuir, é certo que mentiram – ou têm patrimônio maior do que declararam ou o dinheiro que disseram ter doado não era realmente deles, assinala o relatório.


Clique aqui.

RIO ACRE NÃO ASSUSTA


O nível do Rio Acre amanheceu em Rio Branco com 14,73 metros. Há três dias, quando ultrapassou a cota de transbordamento, a situação voltou a preocupar as equipes da Defesa Civil, que têm atuado nas áreas da cidade sujeitas a alagamento.

As áreas de maior risco são os bairros Seis de Agosto, Taquari, Baixa da Habitasa e Ayrton Senna. Já existem 71 famílias desabrigadas e 62 desalojadas. A maioria das famílias foi transferida de suas casas para o Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, no Segundo Distrito.

Mais de 100 pessoas da Defesa Civil participam das operações de salvamento e assistência. Na manhã de ontem o rio estava com o nível em 14,68 m.

- A intensidade das chuvas diminuiu nas cabeceiras do Rio Acre. A tendência é começar a vazar de hoje para amanhã. Isso já aconteceu em Assis Brasil e Xapuri. A água que elevou de ontem para hoje o nível do rio é basicamente oriunda do Riozinho do Rola - disse Carlos Cordeiro, técnico da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

OUTROS ALOPRADOS DO ACRE


Um deles é o deputado Flaviano Melo (PMDB-AC), que aparece na foto. Torrou R$ 4.315,60 em combustíveis nos primeiros dias de abril. Apresentou à Camara nota fiscal de um posto da Comdepe Comércio de Derivados de Petróleo.

Desde o dia 1º de abril vigora a resolução da Câmara que obriga os deputados a detalhar na internet os gastos com a chamada verba indenizatória.

O deputado Fernando Melo (PT) anda trocando pouco o óleo. Portanto, não tem nada de aloprado. Gastou apenas R$ 305,02 com combustíveis lubrificantes. O evangélico Henrique Afonso (PT) é ainda mais econômico na troca de óleo. Gastou apenas R$ 50 no Posto da Torre, em Brasília.

Mas o jovem Gladson Cameli (PP), sobrinho do ex-governador Orleir Cameli, é o mais fominha. Gastou R$ 4,5 mil com combustíveis lubrificantes. Apresentou notas das empresas Líder Autoposto Ltda e Aerobran Distribuidora Imp. e Exp. Ltda.

Clique aqui para acompanhar o uso da verba indenizatória.

Em tempo: o Judiciário do Acre publicou hoje a última edição impressa do Diário da Justiça. Ele continuará existindo com acesso gratuito na versão online (aqui) com certificação digital. Porém, até hoje o Executivo se recusa a dar a mesma transparência de seus atos no Diário Oficial do Estado do Acre, cuja edição impressa é restrita a poucos privilegiados. Acorda, Binho!

Ainda em tempo: Após sua filha receber uma conta de celular de US$ 4.756,25 (cerca de R$ 10,5 mil), o norte-americano Gregg Christoffersen, que mora em Cheyenne, não pensou duas vezes: ele pegou um martelo e destruiu o aparelho da filha Dena, de 13 anos. Leia mais no G1.

ESTADÃO REVELA


Rui Nogueira e João Bosco Rabello

A conta do telefone celular do Senado que o senador Tião Viana (PT-AC) emprestou à filha em viagem de férias ao México foi de R$ 14.758,07. O valor, ocultado por Viana, corresponde a 20 dias de uso - de 2 a 22 de janeiro - e foi pago por ele após a denúncia de adversários na guerra em que se transformou o Senado com a eleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência. O próprio senador, que se negara a fornecer o valor da conta, se viu obrigado, ontem, a confirmá-lo quando confrontado com levantamento feito pelo Estado.


Viana insistiu na justificativa de ter agido como pai preocupado com a ausência da filha do País. "Eu cometi um erro, paguei caro por esse erro e juro que foi a única vez em que emprestei o celular. Minha decisão foi tomada por puro instinto paternal, querendo manter contato com minha filha pelo fato de que ela e uma amiga atravessaram o México em uma viagem de ônibus", disse.

No dia 18 março, abalado pela denúncia de uso indevido de prerrogativa exclusiva do senador, que possui telefone celular sem limite de gastos e pago com dinheiro público, Viana depositou o valor na conta da administração do Senado.

O diretor-geral da Casa, Alexandre Gazineo, acha o caso de Viana menos grave que outros em exame pela administração da Casa - pelo valor e por ter sido a única vez em que Viana cometeu o desvio. Significa que há outros casos semelhantes e contas muito mais expressivas. "O senador Tião Viana está sendo crucificado, mas a conta do telefone celular que ele emprestou à filha está longe de ser das maiores", disse.

Leia mais no Estadão.

DESENVOLVIMENTO DA FLORESTANIA

Madeireiros estão de bem com o "governo da floresta"


O "governo da floresta", do Acre, se tornou o primeiro da Amazônia a criar um Grupo de Trabalho (GT) para construção de um programa estadual de aquisição de madeira legal na administração pública. De acordo com decretos assinados pelo governador Binho Marques (PT) e pelo prefeito de Rio Branco (AC), Raimundo Angelim (PT), em no máximo seis meses, o GT deverá realizar estudos e definir normas e procedimentos licitatórios para compra de materiais e produtos madeireiros de modo a garantir a sustentabilidade socioambiental.

O Ministério do Meio Ambiente estima que 80% da atividade madeireira na Amazônia ocorrem na ilegalidade. A madeira é extraída de áreas não autorizadas ou de forma predatória, o que gera prejuízos sócio-ambientais como evasão fiscal e infrações às leis trabalhistas com uso de mão-de-obra irregular, escrava ou infantil.

Os próprios estados da Amazônia participam da exploração descontrolada e predatória que acontece na região. No Acre, por exemplo, os empreiteiros que executam obras públicas preferem adquirir madeira ilegal em Rondônia a pagar um pouco mais pela madeira legalizada oriunda das florestas do Estado.

Sob moderada pressão de organizações não-governamentais, o governo do Acre e a prefeitura de Rio Branco assinaram um "termo de compromisso pelo futuro da floresta". O governador e o prefeito estão dispostos a evitar o consumo de madeira amazônica de origem clandestina, a promover o manejo florestal sustentável e o uso de madeira legal.

Para que sejam considerados estado e cidade amigos da Amazônia, ambos se comprometeram com várias ONGs a promover a diversificação da produção florestal, restringindo o uso de espécies protegidas como o mogno (Swietenia macrophylla) na administração pública. A exceção são os produtos com certificação florestal de origem.

Governo e prefeitura terão que exigir das empresas que participarem de processos de licitação a apresentação de provas da legalidade da cadeia produtiva da madeira. Os produtos madeireiros terão que ter origem legal aprovada pelo Ibama ou Instituto de Meio Ambiente do Acre. Os fornecedores terão que estar de acordo com o licenciamento ambiental.

Outro compromisso é dar preferência à madeira proveniente de manejo florestal sustentável e aos fornecedores que já estejam certificados e vinculados ao Programa Estadual de Qualidade na Construção Civil e Programa Estadual de Qualidade do Setor Florestal.

ADELAIDE FÁTIMA - entrevista


Ela preside a Associação das Indústrias Manejadoras e o Sindicato dos Madeireiros do Acre, além de fazer parte da diretoria da Federação das Indústrias do Estado. A ex-dona de serraria optou pelo manejo de madeira e está cada dia mais convencida de que essa é a saída para preservação das florestas da Amazônia.

- Para mim, está cada dia mais distante o tempo em que ser madeireira era papel de vilã. Minha filha Maiara chegava a mentir sobre o meu trabalho. Esse tempo passou - afirma Adelaide Fátima, que já trabalhou no Paraná, Paraguai, Rondônia e está no Acre há 22 anos.

Veja os melhores trechos da entrevista no Blog da Amazônia.

terça-feira, 7 de abril de 2009

O FIM DO MARTINI


Do brincalhão Elson Dantas, diretor do Página 20, sobre o pistoleiro Martiniano Oliveira, 49, que tramou o assasinado do médico e agiota Abib Cury e que foi encontrado morto no presídio de segurança máxima de Rio Branco:

- Martini era talvez o único homem de palavra no Acre. Ele avisou: "se os mandantes do crime ficarem impunes, vou dar um jeito de me matar dentro do presídio e a culpa vai ser da justiça".

Tendo cometido suicídio ou não, Martini era filho da dona Mirisa e do seu Moisés. Ele, seus irmãos e eu estudamos no mesmo seminário e disputamos peladas nos campos de várzea do bairro da Gia, em Cruzeiro do Sul.

Definitivamente, esta tem sido uma semana nada santa.

Saiba mais no AC 24 Horas.

NÃO HÁ MOTIVOS?

Meu estômago não suporta mesmo a leitura diária dos editoriais do jornal A Gazeta. Não pelo bom texto do diretor Sílvio Martinello, mas pela inflexão sempre tão servil que assume em relação a qualquer governo do Acre.

Teria a máquina pública atrasado o pagamento mensal do jornal para que Martinello decidisse bater hoje no governador Binho Marques (PT) e sua equipe com a quina da ripa? Ou seria uma reação ao carão que levou outro dia do governador por ter sugerido o afastamento do índio Francisco Pianko da assessoria de Marques?

Leia o editorial intitulado "Não há motivos":

"Algumas denúncias sobre desvios de recursos públicos na construção de rodovias, em anos passados, e comportamentos impróprios de um secretário ocuparam grande parte do tempo da plenária do PT, realizada no último sábado.


Dirigentes e militantes do partido se manifestaram, alguns com veemência. O governador Binho Marques também se pronunciou. Contudo, não há motivos para rompantes nem faniquitos, presumindo, como querem fazer crer alguns, que existiria por trás dessas denúncias uma grande e satânica conspiração.

Não é nada disso. As denúncias vieram a público, na justa medida. No caso das rodovias, foram feitas pelo Ministério Público Federal. O que os denunciados e o governo, de sua parte, têm a fazer é dar as devidas explicações e defender-se, claro, junto às instâncias apropriadas.

O governador já saiu em defesa do seu secretário para Assuntos Indígenas, mantendo-o no cargo. É um direito que lhe assiste. Mesmo que as investigações estejam sendo feitas. No caso das estradas, idem. Ao invés de superfaturamento, ele argumentou que os acusados podem ter praticado o inverso: o subfaturamento.

Contudo, isso precisa ser devidamente provado, com fatos, números diante dos órgãos de fiscalização. É assim que funciona no Estado Democrático de Direito. A rigor, não há nada de errado nisso. Nem coisa de outro mundo. Nem conspirações. Nem motivos para atrapalhar, engessar o atual governo."

BATE-PAPO COM NARCISO MENDES

Empreiteiro agora defende o governo do Acre das denúncias de desvio de verbas na BR-364



Acompanhe a conversa com o empreiteiro Narciso Mendes, dono da TV e jornal O Rio Branco. Telefonou ao blog para dar explicações sobre a inclinação da "Torre de Piza" em Acrelândia e sobre a quantidade de banheiros na escola rural de Bujari, construídas pela CIC, empresa do filho Narcisinho. A conversa avançou sobre as denúncias que fazia sobre corrupção nas obras da BR-364, política e imprensa.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

ACRELÂNDIA


Caixa-dágua mais inclinada que a famosa Torre de Piza. Foi erguida com dinheiro do contribuinte para o Departamento Estadual de Águas e Esgoto no município de Acrelândia. Sem água, ameaça esmagar as crianças da escola próxima. Obra do mesmo grupo de engenheiros que construiu no final do ano passado uma escola rural com 32 banheiros em Bujari, quando o município era administrado por Michel Marques (PT).

É assim que os empreiteiros ganham dinheiro honestamente no Acre?

Um velho amigo, sempre espirituoso, pergunta: Por que não demolem logo essa coisa, antes que caia em cima das crianças? Respondi que talvez esteja sendo mantida em pé para atrair turistas. Ele completou: Se juntar alguns políticos e empreiteiros, bem embaixo da parte inclinada, talvez dê pra amortecer a queda e reaproveitar a caixa. Pode ser.

MPF DENUNCIA ORLEIR CAMELI

Além do ex-governador, o atual vice-governador César Messias (PP), primo de Cameli, também é acusado pelo desvio de R$ 1,8 milhão em Cruzeiro do Sul

O Ministério Público Federal (MPF) no Acre denunciou à Justiça Federal o ex-governador Orleir Messias Cameli e Orleilson Gonçalves Cameli, da construtora Colorado Ltda., e o engenheiro civil Juan Carlos Tamwing Isihuchi, representante do município de Cruzeiro do Sul na fiscalização e coordenação de obras de pavimentação e drenagem em logradouros naquela cidade, a 710 quilômetros de Cruzeiro do Sul (AC).

De acordo com a denúncia do MPF, de um convênio que teria liberado pouco mais de R$ 4 milhões, teriam sido desviados R$ 1,8 milhão. As verbas federais eram provenientes de convênio entre o Ministério da Integração Nacional e o Município de Cruzeiro do Sul, cujo prefeito, à época, era o atual vice-governador do Acre, Carlos César Correia de Messias (PP).

Também chamou a atenção da investigação o fato de ter havido apenas uma empresa concorrendo na licitação, a Construtora Colorado, e esta ser de propriedade de um primo do ex-prefeito, no caso, o ex-governador Cameli.

A perícia realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal detectou irregularidades nas obras, realizadas entre os anos de 2002 e 2003. Segundo os laudos da PF, ocorreram alterações na qualidade e na quantidade dos serviços prestados.

As principais irregularidades apontadas foram a substituição do material usado no asfaltamento, tendo sido aplicada uma qualidade inferior ao que foi contratado e pago. Nesse item, inclusive, a PF detectou que, além de substituir o asfalto, o município superfaturou o preço do material em mais de 30,5%, ou seja, além de utilizar revestimento mais barato do que o orçado no contrato, a municipalidade pagou à construtora Colorado o valor referente ao insumo mais caro, com sobrepreço de 30,5% em relação ao preço real.

A capa asfáltica aplicada em várias ruas constantes do contrato deveria ser de 5 cm de espessura, mas a perícia identificou aplicação abaixo do previsto, tendo as medições apontado capa asfáltica de 2 cm de espessura. Isso comprometeu a qualidade e a durabilidade do serviço, gerando manutenção precoce nas vias e consequente prejuízo aos cofre públicos, afirma o MPF. Com relação ao volume de material, também foi detectada a diferença de mais de 1,3 mil metros cúbicos de asfalto entre a quantidade usada e a que fora paga.

O ex-prefeito César Messias, que autorizou os pagamentos e emitiu termo de aceitação final da obra, poderá ser acionado na esfera penal via Procuradoria Regional da 1a Região, por deter a prerrogativa de foro especial, tendo em vista ocupar atualmente o cargo de vice-governador do Estado.

Improbidade Administrativa

O MPF também ingressou com ação civil de improbidade administrativa contra os mesmos denunciados, inclusive o vice-governador César Messias, cujo foro especial não se estende à esfera cível.

O MPF explicou em nota que a lei da improbidade administrativa atinge tanto exercentes de funções públicas quanto particulares que se beneficiem ou possibilitem que outros se beneficiem de eventuais práticas delituosas, como as que foram comprovadas pela perícia da PF e que demonstram a prática de atos que causaram prejuízo ao erário, bem como enriquecimento ilícito e desrespeito a princípios basilares da Administração Pública, como a legalidade e a eficiência.

Caso a Justiça condene os empresários e gestores públicos, estes deverão ressarcir ao erário os mais de R$ 1,8 milhão desviados. Também estão sujeitos a multa de R$ 5,4 milhões, além de sofrerem as demais penalidades previstas em lei, como a suspensão dos direitos políticos, perda das funções públicas e a indisponibilidade de bens, impossibilidade de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais ou creditícios. Empresas das quais os acusados sejam, ou venham a ser sócios, também podem receber sanções idênticas.

EM DEFESA DE QUEM TRABALHA

Binho Marques


A denúncia, fartamente noticiada pela imprensa, do Ministério Público Federal contra ex-diretores do Deracre por causa de supostas irregularidades na execução de obras na BR 364, induz o público a pensar que houve desvio de recursos públicos com a participação de assessores do ex-governador Jorge Viana e alguns empresários.

Os assessores arrolados no inquérito são o professor Tácio de Brito, que voltou a dar aulas de História na rede pública municipal de ensino e a trabalhar com sua esposa na Drogaria que possuem há mais de 20 anos no bairro Floresta; o engenheiro Sérgio Nakamura, que atua no concorrido mercado da construção civil do Estado; e o engenheiro Joselito Nóbrega, que continua prestando serviços no Deracre.

O primeiro ponto que quero ressaltar é que uma estrada pavimentada no Acre, com toda fragilidade do nosso solo e a intensidade das chuvas do inverno amazônico, tem uma durabilidade inferior a qualquer estrada pavimentada em outras regiões do país.

Que o trecho pavimentado em questão tenha apresentado problemas, e que as empresas tenham sido acionadas para proceder a manutenção é fato. Mas não é justo expor pessoas de bem com insinuações de desvio de recursos em proveito próprio, quando o problema em análise seja de tamanha complexidade.

Só para se ter uma idéia, estamos há dez anos e três meses à frente do Governo, somando os dois mandatos do governador Jorge Viana e os dois anos e três meses do meu mandato, e temos que admitir que ainda estamos aprendendo a lidar com obras de pavimentação, devido à particularidade das condições climáticas, geológicas, tecnológicas e dificuldade de logística para a mobilização de pessoas, máquinas e insumos, que chegam aos canteiros de obras a preços infinitamente mais altos.

Os preços praticados nessa obra já foram aprovados pelo Tribunal de Contas da União e todos os projetos contaram com pareceres favoráveis do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens – DNER.

Ao analisar as informações que foram disponibilizadas, a equipe do Governo constatou uma série de imperfeições no laudo técnico que gerou a denúncia do MPF.

A Justiça Federal ainda não julgou o mérito do pedido de denúncia para saber se vai acatá-la ou não.

O fato é que conhecemos a honradez e a dedicação pública das pessoas mencionadas, e sabemos o quanto elas contribuíram e continuam contribuindo com o desenvolvimento do Acre através de seus respectivos trabalhos.

Vamos aguardar o posicionamento da Justiça. Como em outras ocasiões, onde dúvidas foram levantadas e tecnicamente esclarecidas, tenho certeza de que agora não será diferente.

O que não podemos aceitar é que uma denúncia feita há tanto tempo, por pessoas com o interesse político de impedir a continuidade das obras que fizeram de Jorge Viana o melhor governador da história do Acre, coloque sob suspeita uma administração que vem realizando tanto pela melhoria da qualidade de vida do povo e pelo desenvolvimento do Estado do Acre.

Binho Marques (PT) é governador do Acre

GOVERNO CONTESTA DENÚNCIA DO MPF

O governador Binho Marques (PT), do Acre, promete se pronunciar hoje, por meio de uma nota, a respeito de três assessores do ex-governador Jorge Viana (PT) e quatro empreiteiros que foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por desvio de R$ 22,8 milhões em obras de pavimentação e restauração de trechos da rodovia BR-364, que liga Rio Branco (AC) a Cruzeiro do Sul, na região do extremo-oeste do país.

No sábado, durante um encontro promovido pela direção regional do PT para avaliar os dois primeiros anos de sua gestão, Marques chegou a lamentar uma série de denúncias que têm surgido contra os petistas acreanos. Ele fez referências ao uso indevido do celular do Senado pela filha do senador Tião Viana (PT-AC) em viagem ao México e ao caso de seu assessor de Assuntos Indígenas, Francisco Pianko, acusado no MPF de ter estuprado duas adolescentes indígenas.

Marques contestou a denúncia do MPF de desvio de verbas públicas destinadas à BR-364.

- Esse desvio não existe. Isso é um absurdo. Se eles realmente erraram [dois ex-diretores e um diretor atual do Deracre], foi porque pensaram que poderiam construir mais com os recursos que tinham no governo. O erro foi acreditar que os recursos seriam suficientes.

O jornalista Aníbal Diniz, suplente do senador Tião Viana e assessor especial do governador, disse ao Blog da Amazônia que foi negado aos diretores do Departamento de Estradas e Rodagens (Dearcre), durante a fase de investigação, acesso aos laudos do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal.

Os laudos da PF constataram que os empreiteiros se beneficiaram do recebimento indevido de verbas, sobretudo do pagamento por serviços não realizados e insumos não utilizados nas supostas benfeitorias.

Leia mais no Blog da Amazônia.

domingo, 5 de abril de 2009

AS MAÇÃS PODRES DA FPA

Trecho do artigo de Leo Rosas, na coluna Poronga, do Página 20, sobre a denúncia do Ministério Público Federal de desvio de R$ 22,8 milhões na BR-364 por empreiteiros e diretores do Deracre durante a gestão do ex-governador Jorge Viana (PT):

"Mas o poder desgasta. É inevitável. Torna-se difícil a manutenção constante da mesma pegada. Por mais que haja um esforço para se renovar permanente, o cheiro do velho permanece. Pessoas se aboletam nos cargos e passam a se considerar donos e senhores absolutos da verdade. É nesses momentos que os equívocos começam a acontecer.

A finalidade aqui não é condenar os acusados previamente, principalmente uma pessoa como Tácio de Brito, homem de vida simples, cuja honestidade tem sido prática constante na sua trajetória. Ocorre que era sangue-novo no Deracre. Pode ter sido induzido a cometer erros.

A preocupação é outra. O temor é de que um projeto que nasceu a partir do sonho de fazer um Estado digno da sua história se desvirtue e passe a ser tratado como os outros que o antecederam.

A denúncia do MPF é grave em todos os sentidos. Mas o preocupante é que ameaça jogar na vala comum todos aqueles que durante anos carregaram as bandeiras da ética e da honestidade.

Essas são as bandeiras que ainda sustentam a FPA no poder. Os resultados das urnas têm indicado que o cidadão tem medo de retroceder. O temor do passado nada glorioso mantém acesa a lamparina política do grupo que governa o Acre. Deixar apagar a chama por um sopro de suspeita é falha imperdoável.

A prática, já dizia Lênin, é o critério da verdade.

Infelizmente, a FPA sofreu um pouco de desvio na sua condução e na sua prática. Os mais antigos ensinam: quem com porcos se mistura, farelo come.

Nessa mistura, antigos adversários antes satanizados passaram a ser santificados em nome da manutenção do poder. Os ex-opositores não chegaram para comer farelos. Sentaram-se em locais privilegiados, saborearam um cardápio bem mais sofisticado no banquete do poder e estão ganhando dinheiro. Muito dinheiro.

Um desses novos santos é Orleir Cameli, um homem considerado “campeão de falcatruas”. Com um caminhão de processos nas costas acumulados nos quatro anos em que governou o Acre, o ex-governador é um dos maiores ganhadores de obras na atual gestão.

A proximidade com os antigos adversários não é bem digerida pela sociedade. A população, por mais que se esforce, não consegue mais diferenciar o joio do trigo. O erro da FPA foi trazer algumas maçãs podres da política acreana para dentro do cesto dos frutos bons. Nessa mistura, os bons sempre saem perdendo

A denúncia está feita. Caberá aos acusados apresentar a defesa. O que não vale é querer desqualificar os denunciantes. O importante é comprovar que não houve irregularidade. É isso que o povo quer. É isso que a história exige. Ficar calado e na retranca não é o mais aconselhado.

Esse tipo de denúncia deve servir para os homens e mulheres da FPA mostrarem à sociedade que foram e permanecem diferentes. Omitir-se ou tentar qualificar quem denuncia é perigoso, pois pode dar margem para que as pessoas pensem que todos são iguais.

E neste caso, tal qual no Império Romano, não basta à mulher de César ser apenas honesta. Ela tem que parecer honesta."

Leia mais sobre o escândalo:
Blog da Amazônia
AC 24 Horas
Folha de S. Paulo
O Globo
Folha Online

"ISSO É UM ABSURDO"

Três assessores do ex-governador Jorge Viana (PT) e quatro empreiteiros foram denunciados pelo Ministério Público Federal por surrupiarem R$ 22,8 milhões do erário nas obras de pavimentação e restauração de trechos da rodovia BR-364.

Laudos do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, sustentam que os empreiteiros se beneficiaram do recebimento indevido de verbas, sobretudo do pagamento por serviços não realizados e insumos não utilizados nas supostas benfeitorias.

Veja a reação do governador Binho Marques (PT) durante o encontro com militantes do partido, segundo reportagem (leia) do jornal A Tribuna:

- Esse desvio não existe. Isso é um absurdo. Se eles realmente erraram, foi porque pensaram que poderiam construir mais com os recursos que tinham no governo. O erro foi acreditar que os recursos seriam suficientes.

O jornal cita o uso indevido do celular do Senado pela filha do senador Tião Viana (PT-AC) em viagem ao México e o caso do assessor de assuntos indígenas do governador, Francisco Pianko, acusado de ter estuprado duas adolescentes indígenas.

- Pelo sim ou pelo não, tumultos vergonhosos para o povo acriano que acredita em seus representantes - conclui A Tribuna.

Meu comentário: até agora, nenhum dos acusados pelo Ministério Público Federal se pronunciou publicamente sobre o caso, apesar das insistentes tentativas da imprensa. Apenas o governador, que não tem muito a ver com o bacalhau da Semana Santa.

A AMAZÔNIA VISTA POR EUCLIDES

Daniel Piza (texto) e Tiago Queiroz (foto)



Amazônia que ocupa as margens do Alto Purus, no Acre, quase não foi tocada pelo homem. De suas matas e espécies nativas, muitas ainda nem sequer foram batizadas. A distância, ali, é medida pelo tempo: um lugar está a tantas horas de barco do outro, ou a tantos dias. O rio desce tão sinuosamente que um ponto que se avista a cem metros adiante só será atingido mais de meia hora depois, assim que se percorrer toda a volta. Pela corrente vêm galhos e até troncos de árvores, não porque derrubadas pelo homem, mas porque tiradas pelas águas caudalosas e barrentas de suas cheias. Paisagens parecem se repetir, como uma curva à direita com imbaúbas e uma pequena praia de barro, dando a impressão de que nada mudou. Índios e caboclos surgem a intervalos, em pequenos povoados onde levam sua vida de subsistência: plantar, caçar, pescar. Ou em canoas com motorzinhos de rabeira e carregadas de macaxeiras e jabutis. Mesmo a flora e a fauna, com exceção das mais triviais garças e andorinhas, se exibem eventualmente, em meio ao silêncio e à aparente monotonia da subida. O que é outono e inverno em outros lugares, ali se chama verão; o inverno, de novembro a abril, é a época do calor e das chuvas, de tal umidade que as noites esfriam e produzem uma cerração que, ao baixar, deixa um orvalho sobre a grama que mais parece resultado de chuva. É como um deserto pluvial.

Foi essa Amazônia que o escritor Euclides da Cunha (1866-1909) viu em 1905: como a natureza flagrada logo depois do Gênesis. Nesse labirinto a vapor, sem pedras nem estradas, sem nomes nem cidades, ele viu o que chamou de "um paraíso perdido", ecoando a expressão do poeta cristão John Milton (Paradise Lost). Planejou escrever sobre ele um grande livro sob esse título - livro que dizia que seria superior ao clássico Os Sertões (1902), o livro de sua juventude, de estilo "bárbaro", produto das reportagens feitas para O Estado de S.Paulo durante a Guerra de Canudos. Oito anos depois de sua incursão no semiárido baiano, onde testemunhou as crueldades e os equívocos do Exército republicano contra a seita monarquista de Antonio Conselheiro, Euclides, ansioso pelos vazios do território, decidiu partir para o Acre.

Primorosa a edição do jornal O Estado de S. Paulo. Clique aqui.

sábado, 4 de abril de 2009

A UNIÃO FAZ A FORÇA


Saiba tudo sobre o encontro do governador Binho Marques (PT) com a militância do partido no site do governo do Acre. Clique aqui.

O EXEMPLO QUE VEM DO INCRA


O Incra foi o primeiro órgão federal a assinar termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal no Acre para alterar o nome de um assentamento batizado com o nome de uma servidora do órgão que ainda está viva.

- Esta é uma prática cultural ultrapassada, enraizada nos costumes brasileiros, que por vezes passa até despercebida, cuja intenção é uma demonstração de poder, e que não cabe mais nos dias de hoje - disse o superintendente regional do Incra, Carlos Augusto Lima Paz, ao assinar o termo junto com o procurador Ricardo Massia.

Que o ex-governador Jorge Viana não tome conhecimento da declaração de Carlos Paz. Viana atribuiu o nome de pessoas vivas a vários bens públicos: Colégio Glória Perez, Biblioteca da Floresta Ministra Marina Silva, Usina de Arte João Donato, Colégio Estadual Armando Nogueira...

Em tempo: Carlos Augusto Lima Paz anda de bem com a legalidade. Ele era Raimundo Cardoso. Recentemente, trocou o nome de militante clandestino de esquerda pelo original, de batismo cearense.

Leia mais no site da Procuradoria da República no Acre.

AO LADO DO GOVERNO

E a denúncia de corrupção (aqui) feita pelo Ministério Público Federal contra empreiteiros e assessores do governo do Acre? É pura diversão a leitura dos quatro diários nesta manhã.

A Gazeta reproduziu integralmente a nota do MPF e acrescentou ao final que a sua reportagem "tentou contato com Sérgio Nakamura, mas o telefone estava fora da área de serviço".

Respeitosamente, Sílvio Martinello, diretor do jornal, nem fez piadinha sobre o escândalo em sua coluneta. Ponto pra Gazeta, que ao menos teve a "coragem" de reproduzir uma informação oficial de outra fonte que não é governamental.


Tadinha da Tribuna. Só faltou dizer que o MPF está errado. De acordo com a nota a seguir, dá pra deduziz que não publicou a denúncia porque não ouviu o "outro lado":

"O Ministério Público Federal denunciou diversos dirigentes do Deracre e distribuiu releases para todas as redações de jornais e TVs locais, além de fazer publicar matéria completa em seu site. A editoria do jornal A TRIBUNA procurou ouvir a versão do governo estadual, mas, até o fechamento desta edição, não recebeu nenhuma resposta."

O jornal O Rio Branco, do empreiteiro Narciso Mendes, limitou-se a dizer que o MPF está querendo ferrar Sérgio Nakamura. Lembram que Narciso foi quem mais denunciou corrupção envolvendo verbas para asfaltamento e recuperação da BR-364? Narciso se tornou aliado do PT, sua família tem sido premiada com várias obras e agora...


No Página 20, apenas Leo Rosas, da coluna Poronga, tratou do assunto. Ele adiantou:

"Fonte da coluna afirma que o trabalho do MPF será intensificado. É que as investigações iniciadas há quatro ou cinco anos estão sendo fechadas agora. Vem confusão questionando procedimentos na área ambiental, responsabilidade penal e improbidade. Até o fechamento da edição, os envolvidos na denúncia não tinham se manifestado sobre a ação do MPF."

O blog continua aberto aos empreiteiros e assessores do ex-governador Jorge Viana, para que possam se pronunciar a respeito das denúncias de falcatruas envolvendo R$ 22,8 milhões.

RANKING DO DESENVOLVIMENTO


Um estudo inédito da Fundação Getúlio Vargas revela o grau de desenvolvimento dos estados brasileiros – e mostra quais souberam tirar proveito do crescimento nos últimos anos, informa a revista Veja. O Acre está entre os seis piores. Estaria melhor ou pior sem três sucessivos governos petistas?

Clique na imagem para visualizar o ranking do desenvolvimento. Aqui para assinantes.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

MPF DENUNCIA CORRUPÇÃO NO ACRE

Empreiteiros e assessores de Jorge Viana desviaram R$ 22,8 milhões da BR-364, denuncia Ministério Público Federal


Três assessores do ex-governador do Acre Jorge Viana (PT) e quatro empreiteiros foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal por desvio de R$ 22,8 milhões de verbas públicas destinadas às obras de pavimentação e restauração de trechos da rodovia BR-364, que liga Rio Branco (AC) a Cruzeiro do Sul, na região do extremo-oeste do país.

Laudos dos exames de engenharia emitidos pelo Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, constataram que os empreiteiros se beneficiaram do recebimento indevido de verbas. Os peritos da PF também comprovaram várias irregularidades praticadas nas obras, sobretudo o pagamento por serviços não realizados e insumos não utilizados nas supostas benfeitorias.

É como se o grupo de empreiteiros e ex-assessores do "governo da floresta" tivesse tomado R$ 120,00 de cada família do Acre, um estado que depende basicamente dos repasses financeiros da União.

Os denunciados pelo MPF são: Sérgio Yoshio Nakamura e Tácio de Brito (ex-diretores-gerais do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre), Joselito José da Nóbrega (diretor de obras do Deracre) e os empresários Carlos Eduardo Ávila de Souza (Construtora Ideal), José de Ribamar Nina Lamar (Cepel Construções Ltda) e Antonio José de Oliveira e Mauro José de Oliveira (Contrutora Construmil).

Leia mais no Blog da Amazônia.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O ACRE PERDE


Luiz Cravo Dórea é promovido e deixa o cargo de superintendente da Polícia Federal no Acre.

Ele substituirá Paulo de Tarso de Oliveira Gomes, que sai da Coordenação-Geral de Polícia de Repressão a Entorpecentes, subordinada à Diretoria de Combate ao Crime Organizado, para assumir o cargo de adido policial em Washington.


O novo superintendente no Acre será José Carlos Chalmers Calazane, chefe da delegacia da PF em Foz do Iguaçu (PR).

Pesou na mudança feita pelo diretor-geral da PF Luiz Fernando Corrêa o fato de Dórea ter transformado a imagem da PF no Estado (veja) desde que assumiu o cargo de superintendente há pouco mais de um ano.


A posse de Calazane, que estará no Acre na segunda-feira, está marcada para o final do mês.

NOVA ENQUETE

A enquete para saber dos leitores deste blog quem votaria em Tião Viana para governador do Acre após o escândalo no Senado, recebeu 631 votos - 360 (57%) responderam que não e outros 271 (42%) que sim.

Pergunta da nova enquete: Qual dos dois irmãos seria o melhor candidato a governador do Acre pela Frente Popular?

DEMOCRACIA DIGITAL NO ACRE

Rodrigo Fernandes das Neves

O Estado do Acre está caminhando a passos firmes para o que se convencionou chamar de um “governo único”, ou “governo eletrônico” para alguns. Não há dúvidas que em todo o mundo o investimento estatal em tecnologia tem crescido enormemente, mas o Estado do Acre, com as inovações que propõe, se colocará, confirmando-se o que está planejado e que já se encontra em andamento, em posição privilegiada e destacada, inclusive em uma comparação internacional.

Trata-se, na verdade, de uma série de investimentos em infraestruturas e sistemas que permitirão, dentre outras coisas, o oferecimento de serviços públicos de forma rápida, eficiente e com baixo custo, por meio da Internet. Assim como diversos governos em todo o mundo, está-se investindo aqui em um projeto que, em princípio, gerará benefícios na relação chamada “G2C” - ou seja, Governo para Cidadão - a exemplo de consultas médicas a serem marcadas pela Internet e a realização de matrículas escolares pela Grande Rede, tudo ao alcance de um clique (apenas dois entre uma gama de serviços que migrarão para o meio eletrônico).

Esse esforço exigirá um investimento considerável em infraestrutura tecnológica, resultando na construção de uma rede metropolitana de alta velocidade, instalada sobre fibra ótica e que interligará os órgãos públicos na nossa Capital. Em paralelo, por meio de um projeto em andamento, para que os cidadãos possam utilizar os serviços disponibilizados online, será oferecido à população, em todo o Estado, inclusive nas comunidades isoladas, acesso público gratuito à Internet, formando uma verdadeira “floresta digital”, como está sendo chamado o projeto. Tal proposta representa uma estratégia revolucionária de inclusão digital, e que faz todo sentido quando se pretende oferecer grande parte dos serviços públicos por meio da Internet.

Entretanto, ainda que o objetivo primário seja o oferecimento de serviços do Governo para o Cidadão, a infraestrutura instalada criará as condições materiais para outra revolução, esta sim uma mudança “paradigmática”: uma rede que permite um fluxo multidirecional de comunicação nos modelos C2G e C2C – cidadão para governo e cidadão para cidadão, respectivamente – além do tradicional G2C, que é o objetivo primário.

Essa possibilidade de apropriação livre da rede por parte dos cidadãos, que não ocorrerá naturalmente, mas como fruto da organização e demanda social, é extremamente empolgante, e pode criar um ambiente que caminhe para o florescimento de uma “democracia digital” originalmente acriana, onde a população possa se expressar cultural e politicamente e onde, em um futuro não muito distante, possa opinar e interferir positivamente na formulação de políticas públicas e na elaboração das normas e das leis no Estado.

Esses canais, baseados em tecnologias de informação e comunicação, tornam possíveis a deliberação e a interação política conjunta entre administradores públicos, representantes políticos e cidadãos, em benefício de uma coesão que se contrapõe à tendência geral de fragmentação social e perda da capacidade de ação coletiva. Isso exige, entretanto, a mudança da cultura democrática das instituições e uma grande capacidade de gestão pública da informação e do conhecimento. Esse processo está se iniciando e, ao que parece, não terá retorno quando a população identificar valor e significado na rede.

Devemos ter em conta que a construção desses espaços públicos virtuais tem o potencial de induzir o debate político plural, de forma que é obrigação de nossa sociedade demandar a criação de serviços inovadores de democracia digital, o que deve ocorrer em paralelo à criação de oportunidades universais de acesso às tecnologias de informação e comunicação e a formação educacional adequada para dotá-los de habilidade de manipular o conhecimento, proporcionando, dessa forma, a inclusão de sujeitos não usuais aos sistemas políticos tradicionais.

Diante desses desafios, um grupo de pessoas, do Acre e de fora, está iniciando um movimento que pretende discutir todas as oportunidades que surgirão deste caldeirão tecnológico, em busca de uma rede aberta, democrática e participativa, que permita o resgate do interesse individual nas questões públicas e a manutenção da diversidade cultural, refletindo em benefício coletivo e duradouro para nossa sociedade. Dessa forma o Acre, mais uma vez, poder servir de exemplo para o mundo e demonstrar a possibilidade de surgimento de uma nova forma de cidadania e florestania digitais.

Aqueles que se interessarem pelo tema e queiram conhecer melhor o início desse movimento independente e de base, que pretende contribuir para a liberdade e criação de novas oportunidades na Rede, pode entrar em contato pelo e-mail, de maneira a contribuir com idéias e sugestões de organização e trabalho. Nosso futuro começa agora.


Rodrigo Fernandes das Neves é procurador do Estado do Acre, com atuação na área ambiental.

PERPÉTUA EM DEFESA DO ACREANO

Discurso da deputada federal Perpétua Almeida (PC do B) em defesa do gentílico acreano que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa tenta substituir por "acriano".

Parte I


Parte II

JUSTIÇA COM JORGE VIANA

Do presidente regional do PT, Leonardo de Brito:

"Prezado Altino,

Para que se faça justiça com o ex-governador Jorge Viana, é importante registrar que a direção do PT realizou, em 2000, um seminário chamado "Governo da Floresta: o que é bom, pode ficar melhor", no anfiteatro da Universidade Federal do Acre.

O evento contou com a participação do então governador e da militância petista, em uma avaliação dos dois anos de governo e apresentação das perspectivas até 2002, nos moldes do que discutiremos no sábado.

Ademais, o evento de sábado não tem por finalidade realizar qualquer debate acerca do processo sucessório de 2010. Fica o registro.

Um abraço"

Meu comentário: pouco para quem governou durante oito anos.

A OUSADIA DE BINHO MARQUES

Governador abre o debate


Mensagem do convite que será distribuído a partir de hoje aos militantes do PT:

"O presidente do Diretório Regional do PT-Acre, Leonardo de Brito, convida toda a militância petista para um debate com o governador do Acre, Binho Marques, sobre os seus dois anos de mandato e os próximos dois anos.

Vai ser uma excelente oportunidade para que os petistas de longa data e os mais recentes possam dialogar com o governador sobre a terceira gestão petista consecutiva no governo do Acre.

Sua presença é fundamental!!!"

Dia: 4 de abril (sábado)
Hora: 8 da manhã
Local: Auditório da Secretaria de Estado de Educação

Meu comentário: o ex-governador Jorge Viana jamais permitiu qualquer questionamento ou avaliação pública de sua gestão por parte da militância petista, como o faz agora o sucessor Binho Marques. Viana não costumava freqüentar as plenárias e participava basicamente das convenções. A atitude histórica de Marques servirá para deixar a militância prestigiada e motivada. Embora oficialmente a sucessão estadual não esteja na pauta, o tema será inevitável durante o encontro. Tomara que haja um bate-boca daqueles entre Carioca e Toinho Alves ou Aníbal Diniz e Socorro Lima. Para quem gosta, a plenária parece imperdível.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

PELA LIBERDADE DOS ÍNDIOS

O sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior é entrevistado por Felipe Milanez e Maria Emília Coelho para a edição brasileira da revista National Geographic. Meirelles disse que as missões religiosas imbecilizam os índios.



A discreta cicatriz entre a barba e a bochecha esquerda concentra um pouco da história do sertanista José Carlos Meirelles dos Reis Júnior. Ele ganhou a marca nas águas do rio Envira, no oeste do Acre, em julho de 2004. Índios isolados lançaram flechas contra Meirelles enquanto ele pescava. Uma delas penetrou em sua face e saiu no pescoço. Meirelles correu. Mas o único tiro que deu com a arma que levava na mão foi para o ar - um grito de socorro para seus funcionários. No posto da Funai, ele pediu resgate ao Exército. Seis meses depois, recuperado, estava de volta à ativa. Não é dos índios, contudo, que vem a ameaça que mais o faz temer. Conflitos ainda piores se anunciam. Com a intensa atividade madeireira no Peru e a chegada de garimpeiros atrás de ouro, algumas etnias estão em fuga no território brasileiro protegido por Meirelles. Dos quatro povos isolados que se estima existirem na região, três foram fotografados em uma expedição aérea de fiscalização realizada há um ano. As imagens rodaram o mundo. Mas pouco se falou sobre as ameaças reais à sobrevivência desses indígenas. Com o aumento da pressão humana em torno das reservas, diz Meirelles, "infelizmente, o destino dos índios isolados não está nas mãos deles".

Quanto tempo ainda os índios isolados vão ter para escolher o momento de iniciar um contato com nossa sociedade?
Depende da pressão que eles sofrem em cada local. No caso da região do rio Envira, onde atuo, espero que ainda haja um bom tempo antes que aconteça esse contato inicial. A pressão sobre eles agora não é mais brasileira, ela vem do Peru, o que gera um problema novo para nós resolvermos. Creio que nestes últimos anos os índios descobriram, no caso particular dos entornos do rio Envira, que nós, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Funai, somos vizinhos diferentes daqueles que eles tiveram no passado e que os caçavam. Não nos temem como temiam seringueiros, madeireiros e garimpeiros. Já não mascaram tanto os vestígios quando andam perto de nossas bases, o que não significa, creio, que haja uma intenção de contato. Temos de ficar atentos a pressões externas e aos sinais que esses povos nos dão para que o futuro contato, se ocorrer um dia, seja o menos traumático possível para eles.

Um ano atrás, foram divulgadas fotografias feitas em uma expedição aérea coordenada pelo senhor. Quais são as conclusões desse trabalho?
O principal é que a terra deles foi demarcada sem nenhum problema, como era o nosso objetivo ao realizar o voo de reconhecimento. As fotos são do grupo que vive na cabeceira do rio Humaitá e nos igarapés da margem esquerda do rio Envira, em território brasileiro. Entretanto, outras fotos do mesmo sobrevoo nas quais aparecem duas malocas dos isolados do igarapé Xinane, oriundos do Peru, foram encaminhadas à Funai para pesquisa. Essas malocas não existiam em 2004, quando sobrevoamos a mesma região. A importância da divulgação é que as imagens podem ajudar a proteger esses povos. A opinião pública tem de entender que tais índios existem, e que temos o dever de garantir o direito deles de permanecer isolados.

Uma vez o senhor foi flechado e por pouco não morreu. Como é a aproximação desses indígenas do posto da Funai?
Eu já vi um bocado de índios da etnia masko piro, que andam pelas cabeceiras do Envira no verão. Uma vez a gente se encontrou sem querer pelas praias e eles correram atrás de nós. Outra vez eles apareceram lá mesmo no posto. Foi em 2004. Mais de 100 homens desse grupo invadiram a casa, mexeram em tudo e foram embora. Mas não levaram nada. Além deles, um outro grupo, o que aparece nas fotos divulgadas apontando flechas para o avião, uma vez invadiu a base e colocou fogo nos telhados. Havia dois trabalhadores no local, e eles tiveram de fugir, à noite, de barco. A ordem, quando acontece uma coisa dessas, é que todos no posto partam imediatamente. A gente tem um barco com motor, com combustível, sempre preparado para uma fuga de emergência.

Logo no início da carreira o senhor fez os primeiros contatos com o povo awa-guajá.
Essa história de que é o sertanista que faz o contato com o índio tem de ser revista. Na verdade, é sempre o índio quem faz o contato. É ele que vai até o branco. Chega uma hora em que o território está tão pressionado que eles não têm mais para onde correr. Foi o que aconteceu com o povo awa-guajá, que estava espremido pelos urubu-caapor e guajajara e pelos arrozeiros que não paravam de chegar ao Maranhão. Os awa-guajá do rio Turiassú fizeram contato com um caçador chamado Antônio Raposo, em 1972, e em 1973 conosco, da Funai, nas cabeceiras do Turiassú. Eles estavam acuados.

Como se dá a aproximação entre culturas tão diferentes?
O contato é uma coisa maluca. Você está no mato e de repente avista três índios pelados te olhando. A comunicação tem de ser por mímica. Depois, os índios encontram todas aquelas coisas que não existem no universo deles, mexem em tudo... Nunca fomos preparados para lidar com essa situação. Eles sofrem dois impactos depois do contato. Primeiro vem a doença. Até criarem resistência, mais da metade já morreu. Outra violência sobre eles é psicológica: nossa tecnologia muda a vida deles radicalmente. É como dar um pulo de 10 mil anos em uma semana. Muitos grupos têm de repensar a própria cosmologia porque veem que aquilo que o pajé falou não é bem assim. Os awa-guajá pensavam que nuvem fosse fumaça de fogo. Mas depois andaram de avião e viram que a história estava errada.

E como é possível controlar essa situação do pós-contato?
Depois do contato o índio vai se relacionar com o "beiradão", ou seja, aquela gente que vive na beira do rio, na fronteira de colonização, uma terra sem lei: a prostituta, o cachaceiro, o madeireiro, o garimpeiro. Não é com um grupo seleto de antropólogos que ele vai conviver. Não é com o pessoal que faz passeata no Rio de Janeiro a favor da Amazônia, com as moças bonitas de Ipanema. Ele vai descobrir de cara o que há de pior na sociedade, concentrado nessas fronteiras. Por isso, a primeira coisa que se deve dar é tempo pra que se adapte às novidades. Junto a isso tem de vir o cuidado com a saúde, pois os índios não têm resistência às doenças que para nós são corriqueiras.

Como era a situação dos povos indígenas no Acre quando o senhor chegou, nos anos 1970?
Quando ali cheguei, em 1976, vi os índios "trabalhando" como seringueiros para os patrões da borracha, e em alguns lugares ainda se faziam as "correrias" (expedições de caça aos indígenas organizadas por seringalistas). Era um regime de escravidão. Para conseguir reverter essa situação, tivemos de oferecer uma alternativa econômica para eles deixarem os seringais. Criou-se um sistema que operava com cooperativas de trabalho. A ajuda financeira possibilitou que eles se organizassem para lutar por suas terras. No rio Iaco, onde trabalhei com os manchineri e os jaminawa, os índios saíram do seringal Petrópolis e foram para um local que hoje se chama Extrema, onde foi criado um posto da Funai. Fizemos a primeira proposta de demarcação do território deles, que quase dez anos depois foi concretizada na Terra Indigena Mamoadate. Isso aconteceu com a maioria dos índios do Acre até quase todas as reservas serem demarcadas.

Em duas décadas na Frente Envira, o que ainda falta fazer?
Já demarcamos três terras indígenas, a Kampa e Isolados do Rio Envira, a Alto Tarauacá e, no final do ano passado, a Riozinho do Alto Envira. O objetivo daquela expedição aérea era verificar a localização dos índios para que essa demarcação física não passasse perto de suas aldeias. Essas três terras somam mais de 600 mil hectares que se estendem ao longo do paralelo 10 graus, fronteira do Brasil com o Peru. A Frente Envira protege quatro povos isolados. Três de etnias ainda desconhecidas que vivem em território brasileiro. E os masko piro, um povo nômade que circula entre a fronteira do Brasil com o Peru.

Tais povos estão protegidos nesse território?
O problema é que agora a gente não depende só da política do Brasil. A exploração ilegal de madeira na fronteira peruana está provocando um processo de migração forçada de outros grupos para as florestas do Acre. Índios isolados estão vindo do Peru para o Brasil, expulsos pelos madeireiros, cuja mão de obra é indígena. São índios aculturados que matam os isolados na floresta, com bala e chumbo. Os isolados do Peru vêm para o Brasil e encontram índios daqui que são parentes desses que atacam eles lá, como os kampa. Isso gera um conflito territorial.

Há indícios de que a Rodovia Transoceânica, que liga Rio Branco, no Acre, ao litoral peruano, afetará esses indígenas?
A rodovia vai, em longo prazo, afetar os indígenas isolados, pois aumentará a pressão e a exploração sobre seus territórios. Pequenos produtores e extrativistas serão deslocados de suas terras e não terão opção senão invadir a terra dos índios isolados à procura de caça, peixe e, principalmente, madeira. Vi esse filme no Maranhão, com a BR-314, que vai de Teresina a Belém. Então, o fim da história é conhecido. Não é a estrada em si, mas seus efeitos colaterais, que não são controlados.

Missões cristãs contataram povos isolados no passado. Como o senhor analisa a presença dos missionários nas aldeias?
Missionário contata índio pra salvar sua alma. Não se preocupa com a terra e imbeciliza os índios. O proselitismo religioso é uma das piores pragas que se pode imaginar para os índios. Se as missões e as ONGs querem ajudar os isolados, que entendam que eles devem ter o direito de permanecer isolados, de ter sua religião. Sua alma não precisa de salvamento.

O senhor está aposentado mas segue em atividade. Como serão as novas gerações de sertanistas?
Na Amazônia, está tudo em extinção: a floresta, os índios e os sertanistas. O ultimo curso que a Funai fez para indigenista foi em 1985. Nossa geração está ficando caduca. Quem vai continuar esse trabalho? Nós temos 70 referências de povos isolados no Brasil, trabalhamos em 22 delas, mas as outras precisam ser checadas. Quem saberá andar no mato para ver se o índio passou por ali? Novas tecnologias ajudam, mas não se pode monitorar a área ocupada pelos isolados via satélite ou por avião. Isso demanda um longo processo, anos de andanças na mata. Esse é um dos trabalhos do sertanista e de seu grupo de mateiros. Ainda não somos totalmente descartáveis.

MARINA SILVA

Mais um prêmio internacional para a senadora que nasceu no seringal Bagaço, próximo de Rio Branco (AC)


A senadora Marina Silva (PT-AC) foi escolhida para receber o prêmio internacional “Sofia 2009”, atribuído anualmente pela fundação norueguesa Sophie a pessoa ou organização que tenha contribuído para reforçar a consciência de defesa do meio ambiente e a importância de alternativas para o desenvolvimento sustentável. O prêmio foi criado em 1997 pelo escritor norueguês Jostein Gaarder, autor do livro “O mundo de Sofia’, best seller traduzido em 53 idiomas.

Ao divulgar o nome da senadora como ganhadora, a fundação lembrou a trajetória de Marina Silva desde sua infância no seringal Bagaço, em Rio Branco (AC) , até sua vida política, que começou como vereadora. Destaca também a atuação de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente, onde conseguiu reduzir o ritmo do desmatamento da floresta amazônica em quase 60%.

De acordo com a fundação, o “Prêmio Sofia 2009” está sendo concedido à senadora “por sua coragem, criatividade, habilidade de fazer alianças e, sobretudo, pelos resultados alcançados na luta pela preservação da Amazônia”. Seus esforços “para assegurar uma gestão sustentável deste planeta em que vivemos são fonte de inspiração para todos”, completa nota divulgada pela fundação.

Leia mais no Blog da Amazônia.

MENTIRINHAS


O governador Binho Marques, o ex-governador Jorge Viana e os senadores Tião Viana e José Sarney. É mesmo mentira de 1º de abril quando Binho Marques e Jorge Viana dizem que não querem ser candidatos a governador. Charge do Dim, no blog do Edvaldo Magalhães.

XADREZ POLÍTICO

Deu na Coluna Bom Dia, do diário A Tribuna:

"Uma fonte expressiva da Frente Popular do Acre, em análise particular, confidenciou à Coluna que, por ironia própria da política, a candidatura do senador Tião Viana à sucessão do governador Binho Marques pode depender, e muito, do deputado federal Flaviano Melo.

Explicação: se o plebiscito [referendo popular] proposto pelo peemedebista para consultar a população quanto à mudança do horário, ou seja, se continua como está ou volta o horário antigo, e este último vencer, Tião perderia muito politicamente, o que comprometeria sua postulação, obrigando a FPA a buscar alternativas.

Segundo ainda a mesma fonte, que costuma ser um observador privilegiado da política da taba, as principais lideranças, em conjunto com as bases da FPA, podem se deparar com a possibilidade de trabalhar a própria reeleição do governador Binho Marques, que também tem boa aprovação em todo o Estado.

Não se descarta ainda o surgimento de um movimento bastante representativo, diga-se de passagem, em torno do nome do ex-governador Jorge Viana, considerado até aqui a maior expressão política dos últimos anos. Seria o movimento “volta Jorge”, que tomaria fôlego não só nas bases partidárias, mas também no seio popular.

Conjecturas à parte, o certo é que, mesmo que tudo isso aconteça –e em política tudo pode acontecer– uma coisa, porém, fica bastante clara: o leque de alternativas que a Frente Popular do Acre construiu nos últimos dez anos demonstra que percorreu um caminho viável politicamente.

E olha que nem falamos ainda de uma opção que é quase consensual dentro da FPA: o nome da senadora Marina Silva, um ícone reconhecido nacional e internacionalmente. Outro ponto: a FPA ainda tem uma vaga no Senado para negociar e isso facilita suas articulações, pois a ideia é tirar a vaga do PMDB, hoje ocupada por Geraldinho."