domingo, 21 de março de 2010

O ACRE NO ALTAR

MOISÉS DINIZ


A revista Veja acaba de publicar uma sensacionalista reportagem sobre o assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25. Na reportagem, sem nenhuma base material, a revista acusa o criminoso Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, Cadu, de ter ingerido ayahuasca, levando-o a cometer o crime.

De forma irresponsável e leviana, a revista acusa o uso da ayahuasca como causa do crime e passa a agredir a história dos três líderes que, aqui no Acre, fundaram religiões amazônicas, de raízes indígenas: o mestre Raimundo Irineu Serra, o mestre Daniel Pereira de Matos e mestre Gabriel.

Na tentativa de dar base científica à reportagem, a revista Veja produz um Frankenstein de intolerância religiosa, de desinformação e de preconceito com religiões amazônicas e indígenas. Em nenhum momento cita um estudo científico, com suas fontes e suas provas acadêmicas.

Quando cita a Associação Brasileira de Psiquiatria, não apresenta nenhum especialista, nenhuma fonte demonstrativa ou qualquer prova do que escreve na reportagem. Apenas apresenta a caricatura de um "bacana" com transtorno psíquico, esquizofrênico, que fumava maconha, e que tinha uma mãe e uma tia-avó também esquizofrênicas.

Não apresenta outros casos semelhantes pelo Brasil afora. São mais de 200 centros, entre União do Vegetal e Santo Daime, com mais de 30 mil seguidores. Por que o caso Glauco deveria servir de regra para uma religião que já completou mais de meio século sem um único caso de violência ou morte entre aqueles que a praticam?

Aqui no Acre, entre as igrejas do Alto Santo, Barquinha e União do Vegetal, são milhares de seguidores gozando de elevada qualidade de vida, respeitados socialmente e livres das pragas do alcoolismo e do consumo de drogas.

Aqui no Acre, entre os seguidores do Santo Daime, da UDV e da Barquinha, há juízes e promotores, jornalistas renomados, deputados e prefeitos, médicos e economistas, empresários, professores de universidades, delegados, policiais, membros de academias e de instituições laicas e respeitadas.

Homens e mulheres que estudam, acessam as bibliotecas e estão informados sobre os avanços da ciência, as curvas da economia e da política e as reportagens fantasiosas, levianas, preconceituosas, anticientíficas e mentirosas de Veja.

Milhares de jovens escaparam das grades dos presídios e até da morte porque abraçaram a religião dos entes mágicos da floresta, das ancestrais aldeias indígenas e da fraternidade de viver como irmãos nos dias de louvor, sob a simplicidade de seus hinos e do consumo ritualístico da ayahuasca.

Não há um único caso de agressão física, de violência, de distúrbio ou de morte entre os seguidores da UDV, do Santo Daime ou da Barquinha, em mais de meio século de religião, entre milhares de seguidores.

A revista Veja deturpou tudo: a história e a resistência dos líderes religiosos, o papel espiritual e social que cumpre as igrejas ayahuasqueiras, a origem indígena milenar e a longa tradição de vida saudável de seus membros. A revista Veja só não esqueceu daquilo que está lhe ficando peculiar: escrever com preconceito e leviandade. Veja sequer respeitou a história.

A ayahuasca serviu como base para o estabelecimento de diferentes tradições espirituais por comunidades indígenas nos países amazônicos desde tempos imemoriais. Os povos indígenas utilizaram a ayahuasca como um elo imaterial com o divino que estava entre as árvores, os lagos silenciosos, os igarapés. É que, para eles, a natureza possuía alma e vontade própria.

Povos indígenas do Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Equador, há quatro mil anos, utilizam a ayahuasca em seus rituais sagrados, como o padre usa o vinho sacramental na Eucaristia e os indígenas bebem o peyote nas cerimônias sincréticas da Igreja Nativa Americana.

O uso ritualístico da ayahuasca é bem mais antigo que o consumo do saquê ou Ki, bebida sagrada do Xintoísmo, usada a partir de 300 a.C, feito do arroz e fermentado pela saliva feminina, sendo cuspida pelas jovens virgens em tachos.

As origens do uso da ayahuasca nos países amazônicos remontam à Pré-história. Há evidências arqueológicas através de potes e desenhos que nos levam a afirmar que o uso da ayahuasca ocorra desde 2 mil a.C.

A utilização da ayahuasca pelo homem branco é uma acolhida da espiritualidade das florestas tropicais, um banho de rio milenar e sentimental do tempo em que os povos amazônicos viviam em fraternidade econômica e religiosa.

Os ataques ao uso ritualístico-religioso da ayahuasca, como bebida sacramental, nos autoriza a afirmar que podem estar nascendo interesses menos inocentes e mais poderosos do que uma simples preocupação acadêmica com a utilização de substâncias psicoativas.

Nunca é bom esquecer que a ayahuasca é uma substância natural exclusiva das florestas tropicais dos países amazônicos e pode alimentar interesses econômicos relacionados a patentes e elevar a cobiça sobre a nossa inestimável biodiversidade.

Não custa nada ficar alerta para essa esquizofrenia da grande mídia em atacar o uso ritualístico-religioso da ayahuasca. É mais fácil roubar um pão numa padaria do que uma hóstia no altar, mesmo que os dois sejam feitos do mesmo trigo. Por que tanto interesse em dessacralizar o uso da ayahuasca?

A ayahuasca é uma combinação química simples e ao mesmo tempo complexa, que envolve um cipó e um arbusto endêmicos do imenso continente amazônico. Simples porque a sua primitiva química material da floresta é realizada por homens comuns, do pajé ao ayahuasqueiro dos templos amazônicos.

Complexa porque envolve a elevação de indicadores psico-sociais de qualidade de vida e ajuda a atingir estados ampliados de consciência dos usuários. Isso por si só já alça a ayahuasca a um patamar superior no plano do controle científico dessas duas ervas milenares.

Assim, a ayahuasca ganha contornos políticos por envolver recursos florísticos de inestimável valor psico-social e espiritual. Os seus usuários consideram o “vinho das almas” como um instrumento físico-espiritual que favorece a limpeza interior, a introspecção, o autoconhecimento e a meditação.

Utilizar ayahuasca aqui na Amazônia é beber do próprio poço de nossa ancestralidade e da magia que representa a nossa milenar resistência. Aqui na floresta, protegidos pelos entes fortes de nossa religião animista e natural, nossos ancestrais não precisaram “miscigenar” sua fé.

Não foi necessário fazer como os negros escravos, que deram nomes de santos católicos aos seus deuses africanos. Nossos ancestrais indígenas não precisaram batizar Iemanjá de Nossa Senhora ou Oxossi de São Sebastião para se protegerem da fé unilateral do dono da terra e das almas.

É que entre nós a terra era de todos e o único dono era o senhor da chuva, do orvalho e do sol. A beleza coletiva dos recursos naturais era compartilhada por toda a aldeia, do curumim ao sábio ancião.

A ayahuasca era a essência espiritual dessa convivência material fraterna e universal entre as árvores carinhosas, os riachos irmãos, os pássaros cantores, os peixes, as larvas, os insetos, as flores. A ayahuasca ancestral era o elo entre a terra e o espírito.

Se não fosse uma erva espiritual e mágica, trazida pelas mãos milenares dos povos indígenas amazônicos, ela não teria resistido ao tempo. Por isso é natural que a ayahuasca atraia cada vez mais o homem branco, esmagado pelo destrutivo modo de vida urbano, elitista, ocidental, capitalista.

A ayahuasca não é um chá que se consome como se bebe um líquido ácido qualquer. O seu uso é espiritual e envolve aqueles que o utilizam na mais límpida tradição de amar o próximo e reencontrar os valores que perdemos na caminhada do planeta que se dividiu em castas, cores, fronteiras e etnias.

Não entrarei no debate acadêmico sobre o uso de substâncias psicoativas por parte das religiões milenares, das eras pré-colombianas aos templos dos tempos atuais. Não tenho competência para debater os pontos de vista da medicina, da psicologia ou da etnofarmacologia. Ficarei apenas com os resultados do uso milenar da ayahuasca pelos povos indígenas.

A milenar história amazônica não registra casos de morte ou de seqüelas à saúde dos povos indígena por terem utilizado a ayahuasca. Nenhum índio, nesses séculos de consumo da ayahuasca, deu entrada no hospital dos brancos ou foi curado pelos pajés.

A ayahuasca não é "taliban", seus usuários não constituem nenhuma seita, eles não são fanáticos, não há um único caso de morte ou de castigo físico que tenha sido resultado do seu consumo ritualístico.

O uso ritualístico da ayahuasca não provoca transes místicos ou de possessão. Ela não age no organismo como a antiga bebida hindu, denominada soma, que se divinizou por afastar o sofrimento, embriagando e elevando as forças vitais.

Depois de 4 mil anos de uso sagrado e ritualístico da ayahuasca, os estudiosos da civilização ocidental erguem argumentos anêmicos e endêmicos de uma sociedade que tem medo do "contato" aberto do homem com a natureza. É que eles têm medo da relação amorosa entre o indivíduo e a natureza com os seus elementos poderosos e coletivos.

Os sábios e avançados incas utilizaram a ayahuasca para consolidar-se como povo, como nação e para ajudar no florescimento da cultura, da matemática, da agricultura e da astronomia. Não é qualquer planta ou cipó que faz um povo, uma história milenar, uma religião.

Só não puderam utilizar a sagrada ayahuasca para produzir metálicos fuzis, pois se assim fosse, não teriam sido dizimados pelos invasores espanhóis. Pizarro não consumiu o “cipó dos mortos”, por isso dizimou tantos guerreiros, mulheres índias, donzelas, pajés, curumins.

A ayahuasca resistiu, venceu os invasores e as suas crenças unilaterais, atravessou os séculos, os milênios, unificou as milenares gerações indígenas e suavizou a dor "civilizaria" das eras pós-colombianas.

A ayahuasca é a religião da terra para o céu, da matéria eterna e natural para o infinito do sonho humano, a religião natural. Uma verdadeira e única religião do Brasil, aliás, uma colossal e genuína religião amazônica e indígena.

Encerro esse ensaio com um relato da experiência física de quem fez uso ritualístico-religioso da ayahuasca:

Lembro de tudo nitidamente. Eu via seres de luz carregando lixo da floresta para dentro de uma caminhonete. Muitos seres e muito lixo. Então perguntei para um deles:

- O que é isso?

Um dos seres me respondeu:

- São as suas máscaras, você não pode ver ainda.


Moisés Diniz é autor do livro O Santo de Deus e deputado estadual pelo PCdoB do Acre.

Nota do blog: Clique aqui e leia os manifestos (de março de 2006) do Centro Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo e do Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz, os mais tradicionais do Acre.

25 comentários:

Altemar disse...

É no que dá sustentar folhetim de quinta, quando menos se espera ele te acerta uma, como já aconteceu há tempos, e agora de novo. Sugestão de leitura para se vacinar http://sites.google.com/site/luisnassif02/ òtimo texto senhor Diniz.

PaulinhodeTarso disse...

Moisés, brilhante e bem posicionado esse ensaio. O olhar preconceituoso e intolerante precisa ser enfrentado com serenidade e contundência pacífica, assim também ensinam os ayahuasqueiros.
Infelizmente a imprensa deturpadora ainda detém espaço e audiência.
Bom ter aliados como você e outros que auxiliam à trazer a luz da verdade contra os que tentam propor o obscurantismo.
Abs.

João Rego disse...

Parabéns Moisés Diniz, o que acontece ainda hoje é o descaso de muitos besta que tem inveja de quem busca liberdade para todos e busca uma sociedade mais justa e é atrapalhados por alguns vândalos. Firmeza e deixe as águas passarem, quem o critica não conhece a realidade do sofrimentos alheios.

Atilano Ayres de Moura disse...

Hipocrisia pura, talvez quem escreveu estivesse completamente alcoolizado, mas ai, tudo bem, é álcool.

Joana D'Arc disse...

Prezados Altino e Moisés Diniz, Em Que Pesem A Defesa das Histórias e Culturas Amazônicas e, Acreanas de ORIGEM, COMO É O TEXTO Denominado de 'ENSAIO' Pelo Próprio Autor Moisés Diniz, Gostaria de Externar Publicamente Solidariedade e Apreço Pela DEFESA CONTUMAZ e AUTÊNTICA de NOSSAS MANIFESTAÇÕES LAICAS e,QUE ESTE TEXTO SEJA ENVIADO`A REVISTA VEJA, COMO UM DIREITO DE RESPOSTA,NÃO É DADO A NENHUM VEÍCULO DE COMINICAÇÃO O 'DIREITO' de EMITIR JULGAMENTO PRECONCEITUOSO SOBRE A CULTURA DE NÓS AMAZÔNIDAS!!! Divergí Em Outros 'ASSUNTOS' Com Moisés Diniz e RECONHEÇO PÚBLICAMENTE a DEFESA Destas Culturas e, Moisés Pode e Deve Fazê-Lo Em Nome Do Estado do Acre!!! Não Podemos Nos Calar Diante de Tamanha Ofensa a Nossa ACREanidade...'Mas, Se Audaz Estrangeiro Algum Dia...Nossos Brios de Novo Ofender...Lutaremos Com a Mesma Energia...Sem Recuar, Sem Cair...Sem Temer!!!' Comtem Comogo! Grata, JOANA D'ARC - Adv Ativista e Presidente da U.S.O.S - Organização Universalista em Direitos Humanos

`´é`´ disse...

é sr. retirando a parte cristã do santo daime, ai sim dá pra dizer que o uso ritualístico da ayahuasca é algo dos nativos da amanazônia.

João Rego disse...

A veja pensa que é dona da verdade, defende um assassino como se fosse a dona da verdade, esses bandidos usam drogam e depois tem a maior defesa por parte de quem apenas ganha dinheiro publicando a noticia.
bandido que mata e faz tudo direitinho para não ir preso e depois diz que é doido e maluco para não ir preso, a veja tem que adotar esses tipos de pessoas assim e levar para seu abrigo e mantê-lo em seu domínio, pois ela acha esse tipo de pessoas inocente que cuide dele.
Pare de se preocupar com a vaidade milhares de pessoas, a revista só por que tem dinheiro quer mandar em tudo e dar opinião no que não entende de nada.

sérgio de carvalho disse...

Caro deputado,
Só tenho a agradecer por este texto. Um pouquinho de luz para tanta ignorância e preconceito. A VEJA há muito tempo busca macular a imagem dos ritos de daime, sempre sendo irônica e desinformada, e , desta vez, intolerante. Como o sr mesmo citou, a ayhuasca é mais testada no ser humano pelo seu tempo de uso do que qualquer aspirina de farmácia. Mas acredito que toda tragédia, como foi a morte de Glauco, merece as mais profundas reflexões, inclusive para nós daimistas. Creio que estamos todos refletindo muita coisa, porém sem cair nas garras do sensacionalismo, do julgamento e da ignorância

Dani Franco disse...

Ensaio perfeito. Sem tirar nem por...

Evandro Ferreira disse...

A maioria dos 'forâneos' - repórter de Veja inclusa - não têm a menor idéia do que a ayahuasca representou/ representa para os indígenas e não indígenas que aceitaram o desafio de sobreviver/ prosperar na amazônia e que, como ninguém, conhecem a realidade da floresta, sua história, seu passado.

O chá, deve ser visto como uma dádiva da floresta para os que tiveram/ tem a coragem de compartilhar os desafios/ prazeres proporcionados pela experiência de viver/ sobreviver no grande tapete verdejante amazônico.

Por esta razão, a religiosidade / espiritualidade dos ritos que cercam o uso do chá não se adequa aos que buscam nele apenas diversão/ experiência/ viagem.

A banalização cultural do uso da ahyahuasca tem um preço muito alto que todos - preparados e despreparados para o uso do chá - têm que pagar.

O cartunista Glauco e o seu algóz - Cadu -, são, infelizmente, um exemplo.

Evandro

Bento Marques disse...

Inteligente seu texto. Já enviei para todos meus contatos do Brasil e do mundo.
Estamos, segundo os conhecimentos da Índia, na ERA DE KALI.A evolução do mundo é submetida a ciclos.Em varias ocasiões a humanidade e o conjunto das espécies vegetais e animais conheceram sua infância, sua idade áurea,seu declínio e sua destruição.Cada um desses ciclos é dividido em quatro períodos denominados yugas.
O primeiro período é a idade do Ouro ou idade da Verdade ou Satya-yuga, durante a qual o homem é sábio, busca a auto realização , está em harmonia com a natureza e o cosmo, busca pelo Divino. O segundo período é a Idade da Prata, o treta –yuga, idade dos três fogos ou dos ritos. O terceiro é o do Bronze, ou Dwapara- yuga, ou idade da indecisão, e o ultimo período é a Era de ferro ou Kali-yuga, ou idade dos conflitos.
Neste ultimo período, no qual nos encontramos a humanidade trabalha para sua própria destruição. A palavra kali significa conflito , querela.
Durante a Kali yuga , a desordem no equilíbrio natural , na sociedade e seus valores fundamentais vai aumentando num ritmo cada vez mais acelerado,que anuncia o fim do ciclo e a destruição quase que total da humanidade (pralaya) ,fim que não estaria muito longe.
Paz e harmonia!

Unknown disse...

Respeito quem acredita no Daime como uma bebida sagrada, mas, na minha opinião, é apenas um chá alucinógeno.Não há nada de sagrado ou sobrenatural. Sou a favor da legaliza ção das drogas, não só do Daime.

Ildomarcos disse...

Ótima opinião dep. Moisés diniz! O que a revista Veja esta publicando ao seus leitores, é de uma imensa irresponsabilidade! Pois eu já bebo o vegetal a mais de 11 anos pelo Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e, durante do esse tempo, nunca presenciei nenhum tipo de violencia ou atentado contra a vida, provocado por alguem que estivesse sobre o efeito da ayuaska! o que tenho presenciado muito, são ataques a fé de cidadãos brasileiros comsumidores da ayuaska por partes de de "sabidões" sem informação nenhuma!

Leilane Marinho disse...

Veja é um escárnio, um exemplo nefasto do jornalismo canalha que precisa ser combatido neste país. A matéria sensacionalista a que o texto se refere tem o ranço do preconceito e da injustiça.

Unknown disse...

parabem moises diniz pelo sabio texto,

Valterlucio disse...

Alguém ai pode me responder? O chá é para a religião ou a religião é para o chá?

Bento Marques disse...

Altino, recebi de uma amiga de Portugal esse email. Enviei para ela o texto do Deputado Moisés Diniz.
Para refletir!!!!
Quanto à revista Veja. É só não comprar ou assinar.


Meu amigo, eu gostaria de fazer um breve comentário à seguinte frase do texto que me enviou:

"Não há um único caso de agressão física, de violência, de distúrbio ou de morte entre os seguidores da UDV, do Santo Daime ou da Barquinha, em mais de meio século de religião, entre milhares de seguidores."


Ora bem, você sabe que o conteúdo desta frase não reflete, propriamente, a realidade. Eu própria, que não conheci tantas igrejas assim, já pude presenciar cenas de violência entre daimistas. Os distúrbios psicológicos (que nós sabemos serem de origem espiritual) também acontecem, por vezes. E as raras mortes que tiveram lugar em centros, poderiam ter tido lugar em outro lugar qualquer, de fato, mas não podemos negar que pessoas com fragilidades cardíacas estão mais vulneráveis a terem alguma complicação, por exemplo.
Ou seja, na ânsia de defendermos algo que nos é muito caro, que é a doutrina do Santo Daime, não podemos fazer de conta que tudo são rosas entre os adeptos de Juramidam e que tudo está perfeito do jeito que está nas nossas igrejas.
Eu acho que é necessário mudanças - sejamos sinceros!
Parece-me necessário ser-se mais criterioso na admissão de pessoas para bailar nas fileiras. Os "oba! oba!" drogados deveriam ficar de fora, os demasiado jovens, que não têm qualquer tipo de responsabilidade na vida, deveriam ser instigados a fazer alguma coisa de útil e proveitoso à sociedade antes de serem admitidos; e rastreando-se algum tipo de doença coronária grave, ou distúrbio mental, seria melhor indicar outros caminhos espirituais mais "soft" para essas criaturas. O que não quer disser que eu não ache que qualquer desses casos que acabei de mencionar não pudesse ter benefícios com Daime, só que é arriscado... Há que preservar a doutrina do Mestre Irineu. Aliás, o senhor Luiz Mendes conta que o Mestre Irineu gostava mesmo era de dar Daime para homens já mais maduros... Percebe-se bem porquê...
Em suma, parece-me que as portas das igrejas estão demasiadamente escancaradas. Na minha opinião é necessário estreitar um pouco a passagem para este caminho, e quem está nele, deve ser chamado a ter responsabilidade familiar, social e espiritual. Caso contrário, ser mantido afastado dos trabalhos. O Santo Daime é uma maravilhosa OPORTUNIDADE para se trabalhar espiritualmente- é necessário saber valorizar essa oportunidade. Por isso quando Gideon (não sei se é assim que se escreve) vem de forma bem pouco oportuna acusar o CEFLURIS de estar a explorar o Santo Daime, vendendo-o a preços elevados, dá-me vontade de gracejar e dizer que, se calhar, o problema é exatamente o contrário- o Daime está BARATO demais. Para o próprio Gideon, um copo de Daime, se calhar, deveria custar-lhe todos os tostões que tem guardado no banco. Talvez assim ele deixasse de ter uma visão meramente materialista das coisas e aproveitasse bastante bem aquele líquido precioso que estivesse a ingerir, para despertar espiritualmente para o amor, a fraternidade, o respeito, a delicadeza, a compaixão...
O que é preciso evitar é que se repitam quadros tenebrosos, dantescos, como aquele que se pintou em São Paulo. Se há displicência, irresponsabilidade, falta de amor e harmonia, vícios químicos e de comportamento nas nossas igrejas, vamos procurar abolir tudo isso para fazer a nossa doutrina brilhar. Tudo no mundo está num intenso processo de Transformação - os daimistas e suas igrejas não estão fora desse processo e têm que sentir os cataclismos nas suas estruturas para só sobrar aquilo que realmente é LUZ. É hora de refletirmos, é hora de meditarmos, de pedirmos ajuda à espiritualidade para nos orientar e nos dar firmeza para fazer aquilo que é necessário fazer para compormos a Nova Terra. É isso que eu acho, meu querido amigo. Beijos.

Unknown disse...

Trabalho e conheço muitas pessoas que tomam o chá e frequentam os centros espíritas e não saem por aí matando as pessoas.Quem falou que o chá é uma droga,deve no mínimo ter usado uma.Viver nessa selva de pedra é viver correndo riscos desnecessários à vida.A Revista Veja desmereceu o povo acreano e deve, no mínimo, um pedido de desculpas formal ao povo acreano.Valeu deputado do Povo.

Unknown disse...

como eu gostaria que todas as pessoas pudessem ler esse texto tão maravilhoso!!!

Unknown disse...

Eu não entendo essa unaninidade de vcs em torno do Santo Daime,esse crime contra a vida do Glauco não foi o primeiro e infelizmente não será o último dentro da doutrina do Santo Daime. Fica parecendo que não se pode ou não se deve falar sobre certos assuntos, ora estamos numa sociedade aberta e democrática, basta a censura que exste dentro das Igrejas do daime onde tem que seguir a cartilha ditada pelos seus mandantes.

Joias da Amazônia disse...

Só não gostei do nobre deputado classificar o daime como religião e depois mencionar os médicos, os juizes e advogados como a grande inportancia nessa doutrina e esquecendo da importancia das pessoas simples e que tem muito mais haver com o daime, quer dizer, o CIPÓ!!!

Unknown disse...

Adorei o seu texto! Muito coerente e esclarecedor. Também pude compreender quando citou como seguidores médicos, juízes, advogados e etc.Entendi que quiz dizer no sentido de demonstrar que pessoas esclarecidas, com estudo e acesso a informações, consomem a ayahuasca com toda fé, com todo o respeito e com toda a certeza de que ela não é uma droga. Só mais uma coisinha rsrsrs..., a ayahuasca não é a única religião brasileira, a UMBANDA também é, foi fundada pelo Caboclo das Sete Encruzilhdas, através do médium Zélio Fernandino de Moraes, em 1908.

vilmar boufleuer disse...

Independente de gostar ou não do daime, acreditar em seu "poder espiritual", etc... a Veja mente!
Esta revista sempre foi um exemplo da podridão da mídia!

Veja mente! não compre, não leia!

Unknown disse...

ótimo texto

ANTONIO REZENDE disse...

A respeito deste assunto, indico aos leitores do blog a leitura de um texto publicado no Observatório da Imprensa. O texto analisa a postura tendenciosa e sensacionalista de VEJA e também como se portou a revista ÉPOCA na cobertura do caso Glauco.

Eis um link para o artigo...

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=581IMQ012